Martin Baron: “Nem a melhor tecnologia do mundo poderá substituir o bom jornalismo”

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“Nem a melhor tecnologia do mundo poderá substituir o bom jornalismo.” Foi esta a postura categórica de ontem de Martin Baron, diretor do The Washington Post, na conferência sobre o futuro dos meios de comunicação social tradicionais que teve lugar em Madrid e foi organizada pela Fundação Rafael del Pino. Ainda que esta publicação norte-americana se afirme como um paradigma dos jornais que souberam como abordar a transformação digital com êxito, Baron defende que o progresso digital só é “fundamental” desde que seja acompanhado por um “jornalismo ambicioso” liderado por profissionais que saibam procurar a verdade e encontrar boas histórias, assim como contá-las de uma maneira cativante para captar a atenção dos leitores.

Neste contexto, as novas narrativas deverão aproveitar suportes e formatos como a realidade virtual, os vídeos em 360 graus, os assistentes virtuais como o Amazon Echo e todo o tipo de aplicações móveis que já existem ou que irão surgindo. Trata-se de responder “quase de forma instantânea” a um público que agora é sobretudo móvel e social e que espera que “as notícias o encontre a ele”. Do mesmo modo, Baron defende alianças estratégicas com companhias tecnológicas como o Facebook, a Apple, a Google, o Twitter ou o SnapChat, para garantir que os meios de comunicação social estejam sempre atualizados e possam oferecer os seus conteúdos através dos canais mais disruptivos. “Se formos tecnologicamente temerosos, sairemos perdedores”, afirmou o jornalista cujo trabalho já foi reconhecido com dez prémios Pulitzer, um dos quais foi retratado no filme Spotlight, vencedor do Oscar para Melhor Filme em 2016.

Como não há nada como argumentar através do exemplo, durante a sua intervenção, Baron destacou algumas das iniciativas que fizeram com que The Washington Post tenha vindo a crescer a um ritmo anual de 70% desde 2013, ano em que foi adquirido por Jeff Bezos, CEO da Amazon, tendo chegado aos 107 milhões de utilizadores únicos por mês apenas nos Estados Unidos, ultrapassando assim The New York Times. Entre essas ações, destacam-se as seguintes:

  • A redação através de uma linguagem mais coloquial e próxima dos leitores, onde também intervêm formatos como o storytelling.
  • Um acompanhamento mais ativo e assíduo da audiência, com o intuito de lhe oferecer o que melhor se adapta às suas necessidades. Neste contexto, The Washington Post conta com uma equipa de tecnologia que trabalha com Big Data para analisar o comportamento dos leitores e identificar as suas preferências.
  • A criação de uma equipa de horário noturno que trabalha desde as dez da noite até às seis da manhã à procura de histórias interessantes que fiquem disponíveis nas primeiras horas do dia, quando os leitores consultam as novas notícias.
  • A publicação de diversos blogues especializados em temas muito específicos, como o meio ambiente, assuntos militares, a cultura pop ou a educação dos filhos, entre outros.
  • A reformulação da secção de Opinião na página de Internet do jornal para que os colunistas apresentem os seus pontos de vista de maneira imediata.
  • A reinvenção das newsletters e dos alertas informativos com o objetivo de serem os primeiros a chegar aos dispositivos móveis dos leitores com as últimas notícias.
  • A criação de uma rede de talento, The Washington Post Talent Network, a que se juntaram 2900 jornalistas de todo o mundo que colaboram com o jornal para encontrar as melhores histórias.
  • O resgate de suportes que, apesar de terem sido lançados há muito tempo, voltaram a ficar na moda entre os utilizadores, como o podcast.

Em suma, Baron mostrou-se “otimista” em relação ao futuro dos meios de comunicação social no novo contexto digital, tendo sublinhado que é necessário saber tirar proveito dos principais “presentes” da Internet: “a oportunidade de atingir uma ampla distribuição de conteúdos a um custo próximo do zero.”


José Ángel Plaza

Responsable de comunicación interna, PRISA

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