Melva Sangri, a mãe mais digital

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A sociedade digital tem revelado um grande número de pessoas criativas, inovadoras e com um espírito transformador. Uma dessas pessoas é Melva Sangri, fundadora e diretora de mam@digital e da Associação de Mães Digitais. É um projeto igualmente criativo e inovador, que nasceu com a missão de promover e fomentar a cultura digital entre as mulheres mexicanas, com o objetivo de reduzir o fosso tecnológico e ajudar a transformar um dos grandes pilares da sociedade mexicana: as mulheres.

Mam@digital, desde a sua criação em novembro de 2010, conseguiu reunir centenas de mães em diversos eventos, encontros, conferências, cursos e workshops em todo o território mexicano. Além disso, Melva tem rubricas na televisão, na rádio e na imprensa, pelo que, atualmente, o seu projeto chega a um grande número de mulheres.

Melva Sangri conversou com o Toyoutome Blogue e nos explicou melhor de que se trata o projeto mam@digital.

Porquê as mães e as mulheres?

Por um lado, diria que todas as mulheres têm uma mãe dentro de si; algumas têm a bênção de serem mães e outras não. No entanto, a razão principal é a especialização. O mercado das mulheres é muito amplo devido ao tipo de papel que desempenha, mas o nosso objetivo é ocupar-nos das mães no seu mundo digital. Estamos focadas nas coisas que são importantes para uma mãe.

Que avanços significativos você obteve com o seu projeto, até agora?

Já realizámos quatro encontros Mamá Digital em diferentes cidades do México, temos organizado e sido convidadas a participar em conferências, temos um espaço na televisão, na rádio e na imprensa, assinámos acordos e parcerias de colaboração com diferentes instituições, tanto públicas como provadas. Uma das parcerias que criámos foi com e-México, um programa que visa reduzir o fosso digital criado pela Secretaria de Estado das Comunicações e dos Transportes, e, graças a isso, oferecemos no nosso portal acesso grátis a cursos online de Inclusão Digital.

Mas o nosso maior feito foi levar milhares de mães a utilizar a tecnologia digital no seu dia-a-dia.

Sabe aproximadamente o número de mães que seria necessário ‘digitalizar’ para se dizer que o projeto está sendo um êxito?

O México tem aproximadamente 116 milhões de habitantes, dos quais apenas 40.6 milhões utilizam a Internet e, desses 40 milhões, 50% são mulheres, das quais mais de 60% se encontra entre os 12 e os 34 anos. O nosso target são as mulheres entre os 35 e os 65 anos, pelo que o objetivo de Mamá Digital é alcançar 4 milhões de mães.

Aprenda a usar a Internet para aprender com a Internet.

Qual é o curso predileto das suas usuárias?

O curso predileto delas é aprender a fazer buscas eficazes no Google, aprender a usar as ferramentas colaborativas do Google, do YouTube e do Facebook e a segurança parental.

Imagino que, além das mães, o projeto também esteja dirigido a todas as mulheres, independentemente do seu estado civil. Nesse sentido, é mais fácil chegar às mulheres mais jovens ou, pelo contrário, às mulheres mais maduras que descobrem as enormes possibilidades da tecnologia e querem aprender mais sobre este tipo de coisas?

É impressionante ver como as mulheres com mais de 55 anos querem muito aprender a usar a tecnologia digital. É muito fácil ensinar essas mulheres, porque elas não sabem nada e partir do “nada” é essencial para aprender “tudo”.

As mães mais jovens já usam estes meios e as tecnologias, pelo que são mães digitais disfuncionais e ensiná-las é um pouco mais difícil, porque elas acham que já sabem. O importante, independentemente da idade, é uma mulher estar disposta a aprender e ser dedicada.

Você gosta mais do Twitter ou do Facebook? Onde tem mais tráfego ou usuários?

São comunidades diferentes. No Twitter, temos mais usuários que nos apoiam neste projeto e, no Facebook, temos mais mães aprendendo.

Android ou iOS? Qual é o predileto das mães?

Temos fãs dos dois sistemas. Contudo, ultimamente, tenho notado que tendem mais a usar o iOS.

Você acha que os ‘grandes’ da Internet estão fazendo algo concreto em benefício das mulheres? Conhece alguma experiência deste tipo levada a cabo por eles?

Sim, decididamente sim, por muitos motivos. É um segmento da população que tem sido negligenciado; arrastámos o mito de que os homens são mais capazes no uso da tecnologia digital e que as mulheres não têm tanto jeito. Contudo, as mulheres começam a emergir com poder em todas as áreas; como políticas, empresárias, executivas, etc. Além disso, 80% dos produtos consumidos ou adquiridos num lar dependem das escolhas da mulher. Somos um mercado vasto e interessante para os grandes da Internet.

Agora, os grandes querem saber o que é importante para as mulheres no mundo da Internet.

Atualmente, muitas empresas estão criando campanhas dirigidas às mulheres: o Google, a Microsoft, a Procter & Gamble, os bancos, a Telefónica, etc. etc.

Você acha que a utilização de smartphones vai contribuir para a redução do fosso digital?

Claro que sim. Em apenas um ano, o número de usuários (58%) que usa o smartphone para se ligar à Internet duplicou e a tendência é que esse número continue crescendo. As mães também usam esse tipo de dispositivo para se ligarem à Internet e acredito, sem qualquer dúvida, que assim podemos reduzir o fosso digital.

Imagem de um encontro do Mam@digital

Como descreveria a mãe digital perfeita?

Para sermos uma mãe digital, temos de ter vivacidade, temos de ser atrevidas, estarmos dispostas e querermos aprender coisas novas, temos de perder o medo, quebrar paradigmas, ser inovadoras, responsáveis e humildes, e sobretudo assumir o nosso papel de mãe e a grande responsabilidade que temos nas nossas mãos. Os nossos filhos serão os governantes do futuro.

A mãe digital perfeita consegue alcançar um equilíbrio no seu papel. Consegue ter tempo para ela, para a sua família e para os outros, e faz uso da tecnologia digital como um meio para tornar a sua vida mais fácil.

Digitalizar as mães urbanas é relativamente mais fácil do que digitalizar as mães rurais. Há alguma iniciativa pontual para estas mulheres mais pobres e afastadas da tecnologia?

Sim, há várias iniciativas dessas no país. Temos, por exemplo, o programa e-México da Secretaria de Estado das Comunicações e dos Transportes, que criou milhares de Centros Comunitários Digitais. Existe outro programa chamado RIA que também forma todo o tipo de pessoas na utilização da tecnologia digital. Há um outro programa da Cisco que também transformou o mundo das mulheres das zonas rurais através da capacitação digital e, claro, temos o projeto mam@digital, cujo objetivo é angariar fundos através de donativos de modo a chegar a todas essas mães.

Como vê o futuro digital do México? E o futuro da América Latina?

Do meu ponto de vista, o futuro digital do México tem demorado em chegar devido a questões de interesses comerciais e políticos, mas acredito que o tema das agendas digitais, tanto no México como em outros países da América Latina, é um tema prioritário e que devia ser tratado com seriedade, porque o desenvolvimento de um país no geral anda de mãos dadas com o desenvolvimento digital.

Está pensando em expandir o projeto para outros países da América Latina?

Sim, tencionamos chegar a outros países num futuro próximo.

A Internet é o país das oportunidades.

Do ponto de vista digital, que conselho dá a uma mãe que se levanta cedo, que tem um emprego com pouco ou nenhum acesso à Internet e que ocupa praticamente todo o dia dela, que ao regressar a casa tem de cuidar dos filhos e a quem não sobra muito tempo para descansar?

Ai, ai, ai… A primeira coisa que diria é: “Aprenda a usar a Internet para aprender com a Internet.”

Também a aconselharia a tomar a decisão de mudar a sua vida, a tomar a decisão de aprender e a criar tempo para fazer isso sem descurar o seu emprego, os seus filhos e ela mesma.

Para nos tornarmos uma mãe digital, temos de aproveitar os benefícios da tecnologia digital e aplicá-los na nossa vida quotidiana, seja qual for a nossa função. Uma mãe digital promove uma cultura digital responsável e desenvolve competências melhores nela mesma.

Tirar o melhor proveito de nós mesmas é mais importante do que todo o conhecimento que a gente possa adquirir, dar o nosso melhor é assumir o nosso papel de mulher e de mãe. O importante é a pessoa em que nos transformamos quando somos uma mãe digital.

Tente fazer uma lista dos seus dons, talentos e qualidades. Em que funções você é boa? Pense em algo que você sempre quis fazer mas nunca conseguiu. Cantar? A Internet lhe dá um microfone! Escrever? Crie o seu próprio blogue e publique-o na Internet! Fazer vídeos e tirar fotografias? Faça os seus vídeos e publique-os no YouTube! Dar cursos? Não procure aulas para assistir, dê-as a todo o mundo através da Internet! Quer vender as suas criações? Venda-as em todo o mundo através da Internet. Este é o momento certo, a tecnologia digital avançou tanto que você pode fazer tudo isso. Hoje em dia, a Internet é o país das oportunidades.

Hoje, os únicos limites são os que você impuser!

É mais fácil ultrapassar o fosso digital ou o fosso sexista?

Ui! Acho que é mais fácil superar as barreiras digitais do que as barreiras sexistas e que, em alguns casos, uma coisa leva à outra.

Em muitos casos, as mulheres mais feministas têm um certo ressentimento em relação aos homens e isso as deixa cegas. No caso do fosso digital, o problema é a total falta de conhecimento. Elas não sabem o que é e pensam que é difícil, mas quando começam a perceber os seus benefícios ou usabilidade e veem que a sua utilização dá resultados, a barreira digital é derrubada, mas o mesmo não se aplica à barreira sexista.

Hoje, acredito que este é o caminho para efetivar o empoderamento feminino, quando as mulheres deixarem de suportar os fardos sociais, quando deixarem de depender de uma sociedade que adapte as suas regras a favor da mulher para poderem contar com possibilidades de desenvolvimento. Isso depende também de você, do que você quer, das suas escolhas e ações.

Qual é a mulher digital e guru do mundo das TIC que você mais admira e que é a sua maior inspiração?

Caramba! Tenho muitas, algumas delas grandes amigas. Todas elas estão fazendo a diferença no mundo digital das mulheres. As mulheres que mais me inspiram são aquelas que, todos os dias, dão o seu melhor para sustentar as suas famílias, que se esforçam e que vivem amando e dando… Essas mulheres são todas as mães digitais que trabalham incansavelmente na Associação de Mães Digitais. Todas elas são a minha inspiração, são mães que acreditaram em mim e no projeto, e que se entregaram a esta causa, ajudando outras mães a expandir e transformar o seu mundo digital.

Você acha que a digitalização levará realmente à autêntica e definitiva libertação da mulher?

Apesar de achar que a liberdade é uma coisa interior e pessoal, acredito que a digitalização dá liberdade às pessoas.

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

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