Panorama da rádio musical 2016-17

On air scritta registrazione

O ano de 2016mostrou-nos como algumas das tendências que já se observavam em anos anteriores continuam sem chegar a uma resolução. Talvez porque a sua solução seja dinâmica e o que serve para um ano já não serve propriamente para o seguinte. Refiro-me, neste caso, a como a música, os meios de comunicação social e a distribuição de conteúdos estão a criar soluções para o seu negócio. O importante aqui é o consumidor, que está a utilizar diferentes meios para chegar à música e, assim sendo, a sua disponibilidade de tempo é repartida entre todos eles. Temos então já aqui um primeiro dado: diminuição do tempo médio de audição do consumidor para cada suporte.

Mischpult eines DJ, DJ Pult

As implicações deste facto são graves, pois nos modelos publicitários tradicionais, as probabilidades do impacto de um anúncio dependem precisamente desse tempo médio de audição. Por outros lado, os famosos ad-blockers fizeram com que 86% dos millenials evitem todo o tipo de publicidade online, de acordo com um estudo da ORC International. Obviamente, com tudo isto, já muito anunciantes estão a experimentar outras fórmulas para mostrar as suas marcas, chegando alguns deles a configurar-se como criadores dos seus próprios conteúdos.

O modelo de pagamento por subscrição dos serviços de música continua a crescer em número de utilizadores e em receitas, mas a repartição dessas receitas continua a não permitir que essas empresas ganhem dinheiro.

Woman listening music from a tablet Device connected

Por último, mas não menos importante, temos a rádio musical, que está a ser ameaçada por todo este contexto. A rádio esforça-se já há algum tempo para se perfilar como um meio validador de música que, devido a uma mistura interessante de canções, conteúdos relacionados e entretenimento, consegue ser o canal que marca a tendência, que descobre novos talentos e que promove atividades que unem o consumidor aos seus artistas preferidos. E fá-lo abrindo frentes que, até agora, não eram as mais evidentes para ela, como é o caso da distribuição digital, a mobilidade e o vídeo. A rádio, além de ser ouvida, deve ser vista.

No ano de 2017, espera-nos um trabalho complexo e lento. Deveremos aprofundar o trabalho no branded content, aprendendo a integrar conteúdos e marcas; teremos de ter perfis mais audiovisuais, apesar de se tratar de um meio para ser ouvido; teremos de trabalhar na inovação para criar conteúdos próprios que deem resposta à procura; e, obviamente, o mais difícil, que é continuar a adaptar as nossas estruturas e negócios para conseguirmos ser um único meio com diferentes canais, evitando querer ser um meio para cada canal.

Devemos acreditar no caminho e nos nossos profissionais, ainda que as respostas a tudo isto possam parecer-nos menos imediatas do que desejávamos.


Jordi Finazzi
Director de radios musicales en América, PRISA Digital

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