Que televisão devo comprar?

tele
Visto 17.312 veces

O reinado das telas de tubo está já bem longe e com ele foram os tempos que só mudávamos de televisão quando ela se avariava.

Nos dias que correm, a tecnologia tenta-nos frequentemente com novos modelos de telas que prometem elevar a nossa experiência como espectadores a níveis equiparáveis ao do cinema. Isto costuma traduzir-se numa algaraviada de número e siglas capazes de confundir o próprio Bill Gates. Assim, se você está pensando em comprar uma televisão nova ou simplesmente quer saber interpretar todos os autocolantes e logótipos que adornam a caixa da sua tela nova, vamos tentar resumir e esclarecer toda essa informação para que mudar de televisão não se torne um pesadelo.

Comecemos pela primeira peça do puzzle, a tela em si. Vamos fazer um resumo das diferentes tecnologias que existem para compreender melhor como funcionam.

Plasma. Apesar de ser a tecnologia mais veterana de todas, ela soube se adaptar à evolução dos seus concorrentes e até mesmo se manter um passo à frente em algumas das suas características, o que até agora fazia desta tela a favorita de muitos cinéfilos.

plasmaO seu funcionamento consiste, basicamente, em diminutas células preenchidas por uma mistura de gases nobres aos que se aplica uma corrente elétrica que os ioniza, fazendo-os passar à condição de plasma. Nesse processo, liberta-se a energia que faz reagir o material fosforescente (vermelho, verde e azul por cada píxel), que é o que emite a luz que depois percecionamos como imagem.

Ao contrário do LCD – que veremos na secção seguinte – o plasma emite luz e, quando o píxel está apagado, o negro que percecionamos é profundo. Isto faz com que o plasma ofereça imagens com um contraste muito alto. Além do que já mencionámos, entre as suas virtudes conta-se um ângulo de visão extremamente bom e uma velocidade de renovação (veremos mais à frente o que isto é) muito superior à do LCD.

energSe quisermos enumerar as suas desvantagens, temos de destacar em primeiro lugar o seu elevado consumo energético. Nem sequer os modelos mais modernos conseguem passar a Classe Energética C, ao passo que os seus equivalentes em LCD LED costumam alcançar um A+. Outra das suas características negativas é o seu peso, algo que à partida pode parecer uma insignificância, mas que pode deixar-nos num aperto se quisermos afixar a nossa televisão de tela grande e a nossa parede não for de tijolo.

Continuando a enumerar os inconvenientes, convém mencionar que o vidro da tela gera muitos reflexos e, para finalizar, não devemos esquecer que ela “queima” com facilidade, ou seja, se uma imagem permanece estática durante muito tempo, os píxeis deterioram-se e a imagem acaba por ficar gravada para sempre na tela, algo que acontece com relativa frequência com os logótipos dos canais de televisão ou com os grafismos de alguns video games.

LCD (Liquid Cristal Display). Baseia-se na propriedade física que algumas moléculas têm de se comportarem alternadamente como líquidos e sólidos. Para compreendê-lo melhor, podemos imaginar um líquido transparente que a luz consegue atravessar sem qualquer dificuldade. A particularidade deste líquido é que, se lhe aplicarmos uma pequena (pequeníssima) corrente elétrica, esta muda a orientação das suas moléculas e – no que diz respeito à luz – passa a comportar-se como um sólido, ou seja, alterando a orientação do feixe de luz na mesma proporção em que as suas moléculas o fazem. Ao conseguir dirigir “eletricamente” o feixe de luz, também podemos controlar a sua intensidade de forma simples, intercalando um par de filtros polarizadores.

lcdO problema é que, ao contrário do que acontece com o plasma, é necessário gerar essa luz. Para tal, os fabricantes começaram por acrescentar ao painel traseiro das suas televisões LCD pequenos tubos fluorescentes com o propósito de iluminar os píxeis LCD. O problema desta técnica é que, estando os tubos sempre acesos, os negros nunca chegam a ser profundos, mas mais próximos do cinzento, além de que os tubos ocupam muito espaço e obrigam os fabricantes a fazer televisões mais fundas.

Para resolver estes problemas, surgiu a tecnologia LED, que consiste em gerar a luz necessária utilizando como fonte de iluminação pequenos díodos LED em vez de tubos fluorescentes. Esta alteração permite diminuir a grossura da televisão, assim como obter uma maior poupança de energia.

pantallas

Dentro das televisões LED, temos de destacar dois géneros: os chamados Edge LED, que geram a luz colocando LED apenas no perímetro da tela; e os Full LED, que o fazem através de uma matriz de LED que ocupa todo o painel traseiro.

pantallas2

Atualmente, as telas Edge LED constituem a maioria absoluta do mercado e, apesar de cada marca conseguir resolver de uma forma ou de outra o problema de fazer com que a iluminação seja uniforme, a verdade é que há uma enorme diferença nos resultados, existindo muita disparidade entre as distintas gamas de preço de um mesmo fabricante. O defeito na iluminação uniforme é chamado de clouding e pode ser detetado com a televisão ligada e a tela em negro, como é possível comprovar na imagem mais abaixo.

cloudingEste é um dos testes que devemos fazer quando compramos uma televisão LCD LED: assegurar-nos de que a iluminação traseira (backlight) é o mais uniforme possível.

Para encerrar a questão da iluminação dos LCD, temos de salientar que a utilização de tubos fluorescentes é uma tecnologia que está claramente ultrapassada e em desuso, mas que ainda continua a constituir a maioria das ofertas de liquidação de telas de gama baixa.

Encerrando o capítulo da iluminação traseira e terminando o ponto dos LCD, temos de mencionar que existem diferentes variantes desta tecnologia. Todas elas são TFT LCD e algumas são muito parecidas entre si, mas os fabricantes empenham-se em diferenciá-las com o objetivo de se destacarem dos seus concorrentes. Assim, encontramos painéis LCD do tipo TN (os mais comuns), VA, MVA, PLS ou IPS, cada um com características próprias que os tornam melhores ou piores em alguns aspetos. Para não nos demorarmos demasiado com as propriedades de cada um deles, basta apenas salientar que as telas LCD com tecnologia IPS (In Plane Switching) são as melhores nos dias que correm, uma vez que os seus píxeis bloqueiam melhor a luz (melhor contraste), têm o melhor ângulo de visão (até 170 graus) e o seu tempo de resposta é também o melhor. O ideal é, sempre que possível, escolher uma tela LCD com esta tecnologia, até agora unicamente presente nas televisões de gama alta, se bem que começa a tornar-se comum encontrar ofertas deste tipo no segmento médio de alguns fabricantes.

OLED. Trata-se de painéis em que cada píxel é composto por diminutos LED que emitem luz nas cores de que já falámos: vermelho, verde e azul. Ao contrário dos LED convencionais, os OLED são compostos por polímeros orgânicos.

A tecnologia OLED, pelo menos no papel, acumula muitíssimas vantagens e poucos inconvenientes: os píxeis OLED são mais baratos de produzir, consumem muito pouco, são tão luminosos como os dos plasmas e – à semelhança destes – têm um ângulo de visão extremamente bom. Além disso, podem ser impressos (literalmente) sobre qualquer superfície que atue como substrato, o que permite fazer telas flexíveis ou até mesmo dobráveis.

O motivo para esta tecnologia não conseguir arrancar comercialmente é algo que ainda não é muito claro. Alguns falam numa guerra de patentes, enquanto outros dizem que a sua eterna fase de desenvolvimento faz com que não tire proveito da economia de escala que representaria o seu fabrico em massa. Os seus poucos, mas importantes, inconvenientes podem também ter influência sobre a dificuldade de arranque e entre eles está a sua curta – em termos relativos – esperança de vida, que poderia dissuadir muitos compradores. E com razão, pois atualmente a duração estimada destas telas ronda as 14.000 horas, em oposição às mais de 60.000 horas de uma tela LCD. O seu segundo grande defeito é que, à semelhança das telas de plasma, as telas OLED “queimam” com facilidade se forem usadas imagens estáticas.

Seja por que motivo for, a realidade é que a oferta destas telas no contexto da televisão doméstica continua sendo notoriamente escassa e muito cara.

Chegados a este ponto, vamos resumir a informação num quadro que nos servirá de guia.

telasPT
 

Encerrado o capítulo das diferentes tecnologias de fabrico de telas, vamos centrar-nos agora nas suas características técnicas.

Resolução. Como já vimos, as telas das nossas televisões são compostas por milhões de píxeis e o seu número é aquilo que conhecemos como resolução. Idealmente, devemos procurar telas cuja resolução coincida com a da Alta Definição em formato 1080, ou seja, 1.920×1.080 píxeis. Se a televisão tiver a capacidade de receber sinais HD mas a sua tela não alcançar essa resolução, dizemos que se trata de uma TV HD Ready. Se, pelo contrário, atingir ou ultrapassar essa quantidade, trata-se de uma TV Full HD.

Num degrau acima das televisões HD encontramos as televisões 4K (Ultra Alta Definição) que, com uma resolução de 3.840×2.160, multiplicam por quatro o número de píxeis das telas Full HD.

Não há muito mais a dizer a respeito da resolução: quantos mais píxeis, melhor; e, se for possível, devemos evitar as resoluções intermédias que impliquem uma alteração do tamanho da imagem.

ghostingVelocidade de renovação, que é o mesmo que os hertz. As imagens do sistema de televisão em Espanha se renovam 50 vezes por segundo (60 em países com o padrão NTSC). Tudo o que ultrapasse esses 50 ou 60 Hz joga a favor de minimizar o Ghosting, que é o efeito de rastro que se produz quando a imagem se move a grande velocidade. Uma televisão com uma alta taxa de renovação (número elevado de hertz) deve percecionar o movimento de forma mais fluida.

E é aqui que os fabricantes costumam iludir-nos, uma vez que é bastante comum encontrar entre as características das televisões LCD espetaculares valores de renovação de tela: 400, 800 ou até mesmo taxas de renovação acima dos 1.000 Hz. Devemos ter em conta que, atualmente, existem apenas painéis LCD que alcançam no máximo os 200 Hz, não mais do que isso, e a partir desse valor, cada fabricante recorre a algum tipo de “truque” que consiste no processamento da imagem ou em apagar e acender a iluminação traseira várias vezes por cada fotograma para conseguir “taxas de renovação equivalentes a…”. Todas estas técnicas melhoram o efeito ghosting em maior ou menor medida, mas é importante analisar as características técnicas para tentar localizar o dado real da velocidade de renovação da nossa televisão. O mais habitual é que os aparelhos de gama baixa ofereçam painéis de 50 Hz e, para encontrar os de 100 e 200 Hz, há que abrir os cordões à bolsa e subir até aos segmentos mais altos de cada fabricante.

Voltando por instantes à velha tecnologia do plasma, é bastante comum encontrar entre estas televisões valores reais de 600 Hz de taxa de renovação, incluindo em telas de preço médio ou baixo.

hdmiLigações HDMI. A nossa televisão deve contar com um bom número destas entradas. Se for a tela principal da nossa casa, idealmente, esta deveria ter no mínimo três conectores HDMI para nos assegurarmos que a nossa instalação não fique limitada num futuro próximo.

Ao longo da sua curta vida, o standard HDMI tem vindo a sofrer várias revisões e a versão mais comum nos dias que correm é o HDMI 1.4. Apesar de não se tratar de uma questão primordial, não convém descurar no nosso critério de escolha de uma televisão HD que a versão de HDMI que incorpore seja a mais recente, ponto que assume uma importância vital se o objetivo da compra é adquirir uma televisão 4K. O motivo para isto é que, como já mencionámos, este novo padrão de televisão eleva a resolução a uns impressionantes 3.840×2.160 píxeis. O que ainda não é tão claro é qual será a velocidade de fotogramas por segundo que acabará por se impor, uma vez que o standard oficial abrange valores que vão dos 24 até aos 120 fps, se bem que tudo aponta para que se implementem velocidades de 50/60 fps.

Acontece que a atual versão do HDMI, a 1.4, permite a transmissão de vídeo 4K a um valor de apenas 25/30 fps, o que significa que a quase totalidade das televisões 4K que estão à venda até à data da publicação deste artigo só trabalham com sinais até essa velocidade. A versão seguinte do HDMI é a 2.0, se bem que a norma é recém-aprovada e os principais fabricantes estão ainda acabando de finalizar os seus chipsets, que se prevê que comecem a aparecer ao longo de 2014 – provavelmente depois do verão – e que permitirão a largura de banda necessária para manejar sinais 4K com elevados valores de quadros por segundo.

Este é um assunto que os fabricantes de televisões estão abordando com cautela e que devemos observar de perto. De momento, de entre os grandes, apenas a Sony deu uma resposta clara, anunciando que todas as suas televisões 4K colocadas à venda em 2014 incorporam o hardware e a potência de processamento necessário para que, quando o novo standard estiver disponível, seja suficiente fazer uma atualização do software do aparelho para que as suas ligações HDMI passem à versão 2.0. Além disso, de acordo com o anunciado, esta atualização será gratuita.

Os restantes fabricantes não dão uma resposta clara ou, se o fazem, não é muito promissora. A Samsung, por seu lado, reconhece que será necessário mudar o hardware dos seus televisores 4K para que suportem o HDMI 2.0. Os seus novos modelos incorporam uma caixa de ligações independente da tela e, para atualizar as suas televisões, será necessário mudar essa caixa e não se sabe se terá ou não custos para os pioneiros que compraram as suas televisões 4K.

A LG anuncia que as suas telas 4K atuais com ligação HDMI 1.4 poderão comportar sinais 4K com um frame rate elevado, mas não dá mais pistas acerca de como será possível.

Connected TV/Smart TV. Por outras palavras, é a capacidade que a televisão tem de utilizar a nossa rede informática doméstica, assim como de executar aplicações semelhantes às do nosso smartphone. Além de lhe proporcionar acesso à Internet, incluir a televisão entre os dispositivos conectados ao nosso router vai permitir-nos aproveitar as vantagens do standard DLNA (streaming de áudio e vídeo a partir de qualquer dispositivo de rede).

Aceder à informação que nos permite avaliar as capacidades da nossa televisão neste aspeto não é uma tarefa fácil. Detalhes como a velocidade do processador, a capacidade de memória RAM ou o espaço de armazenamento para aplicações não são fáceis de localizar; não obstante, os critérios de compra são os mesmos que para um computador, quanto mais memória tiver e quanto mais potente o processador for, melhor.

E terminamos este artigo analisando umas das características mais controversas no momento de escolher uma televisão.

O tamanho da tela. As dimensões para um visionamento correto dependem sobretudo da resolução da imagem. A elevada densidade de píxeis das modernas televisões 4K permitem-nos sentar muito perto da tela, mas quando estivermos vendo um programa em definição standard nessa mesma televisão, a distância deveria aumentar consideravelmente. Como nem se coloca a hipótese de mudar o sofá de lugar sempre que mudamos de canal, devemos tomar a decisão em função da maioria dos conteúdos que vamos ver, tendo sempre em mente que o vídeo em SD está desaparecendo a pouco e pouco.

A recomendação da SMPTE (organismo regulador das normas de TV) é esta:

DistanciaTV

NOTA: H é a altura da tela

Exemplo: Para ver uma emissão em HD numa tela de 46”, as distâncias recomendadas seriam de 180 cm (mínima) e 270 cm (máxima).

Javier Riloba

Jefe de Medios de Producción de PRISA TV

8 Comentarios

  • avatar kualuzz 8 junho, 2016

    Me aprece fantástico el artículo javier, muchas gracias por compartir.
    Desde luego parecía que con la llegada de los televisores LCD, en calidad Full HD ya habíasmos tocado techo, pero es que ahora con terminos como “pantallas curve”, “4k UHD” “smartTV” parece que aquellos televisores estn obsoletos. ¿Qué será lo próximo?

  • avatar Emma 20 março, 2015

    Me ha encantado este artículo. Una pregunta a vosotros que sois expertos…estoy buscando una tele para mi novio y yo, y estoy pensando en comprar el samsung. creo que es el 32EH o algo así…bueno, la he visto en el sitio de valortop (he puesto el enlace en la sección ‘web’). es cierto lo que dicen ellos?? que es la mejor tele de calidad precio? Es que no quería pagar más que 300 euros (soy estudiante), y si lo que dicen ellos es cierto, la me gustaría comprar. Ayúdame por favor…!!

  • avatar Iñaki Alonso 28 abril, 2014

    Impresionante, Javi. Enhorabuena. Un informe completísimo y muy didáctico.

    Muchas gracias

  • avatar Oscar Manuel 28 abril, 2014

    Me ha encantado este articulo, me ha aclarado muchas dudas. Llevaba mucho tiempo intentando enterarme de las diferencias entre plasma, lcd, led y sus distintos pros, contras y variedades. Aquí viene un resume largo, conciso y completo.

    Gracias!

  • avatar Raul 28 abril, 2014

    Muy interesante. Resumido, fácil de entender… Estupenda guía muchas gracias por compartirlo.

  • avatar Eduardo Gómez Fleytas 28 abril, 2014

    Hola Javier,

    gracias por el instructivo, me será de mucha utilidad, ya que estoy por hacer una compra de TV para la familia. acá en Paraguay uno al entrar en estas tiendas la gama es inmensa, y siempre da la sensación de haber salido con el equivocado.
    abrazos.

  • avatar Beatriz Moreno Llorente 28 abril, 2014

    Perfectamente explicado, Javier, muy bien resumido, claro y riguroso. Gracias.

  • avatar silvia 28 abril, 2014

    Hola Javier,
    qué suerte contar con tu ayuda la verdad.. me lo imprimo para cuando casque mi tv que fue de las primeras de plasma.. imáginate! me costo un dineral, fue el regalo de boda para mi chico… y ahora está demode total! :-)
    Gracias!

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
Human brain
Cruze as mãos

Damos-lhe 5 segundos, apenas 5, para descobrir se uma pessoa é mais analítica ou criativa. Parece difícil, mas é possível....

Cerrar