Transmita a sua aprendizagem

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Tudo a postos para a ligação em direto. Os quatro alunos que foram de visita ao jardim zoológico já se coordenaram para ativar o seu acesso ao Periscope de forma consecutiva. É um género de programa televisivo que permitirá que os seus colegas, amigos, professores e familiares fiquem a saber em primeira mão tudo o que está relacionado com os animais de cada uma das zonas que foram atribuídas e que cada aluno visitará individualmente.

Falamos da transmissão em direto de uma visita de estudo. Um recurso educativo novo, audiovisual, controlado pelos alunos, social, inovador e muito familiar.

Além disso, é um conteúdo que tem várias “vidas”, já que a transmissão em direto fica captada num vídeo ao qual se poderá aceder em diferido em qualquer altura.

Mas comecemos pelo início. O que é o Periscope? É uma ferramenta do Twitter que representa a nova família de aplicações gratuitas que permitem realizar transmissões em vídeo em direto para audiências públicas ou privadas. Incluem também o conceito de comunidade, já que outros utilizadores podem escrever mensagens e expressar a sua opinião ou sentimentos sobre a transmissão. O Periscope anunciou que, no seu ano de existência, foram produzidas mais de 200 milhões de transmissões em direto através da sua plataforma.

Além da ferramenta em concreto – podíamos ter escolhido outras já bem implementadas no mundo social e que, a pouco e pouco, vão entrando na educação, como o Meerkat, o Snapchat ou o Vine -, gostaríamos de destacar o valor que trazem à aprendizagem dos mais jovens: congregam no mesmo lugar a possibilidade de criar espaços sociais, nos quais os utilizadores partilham conteúdos em vídeo criados por eles, em tempo real e a partir de dispositivos móveis.

Além disso, acrescentam um elemento que está cada vez mais presente nos ambientes educativos: saber que existe uma audiência com a qual podem comunicar, conhecer e relacionar-se.

Periscope_Edu_01

Que valor educativo tem a emissão em direto?

Estas ferramentas permitem que os alunos tenham acesso e partilhem em tempo real lugares que se encontram fora da escola e que estudantes de outros centros possam participar nas suas transmissões. Em suma, fazem com que a aprendizagem transcenda o espaço físico tradicional.

De um ponto de vista pedagógico, são um apoio interessante para promover as chamadas metodologias ativas. Ou seja, os métodos que propiciam a criação, a colaboração e a participação dos alunos no seu processo de aprendizagem.

Ajudam também a satisfazer o instinto humano que os mais pequenos devem trabalhar com todas as suas forças: a curiosidade. E permite-lhes interagir tanto com o conhecimento como com outras pessoas, em tempo real.

De certo modo, se for bem utilizado pelos alunos e coordenado pelos docentes, pode ser algo que ajuda a desenvolver e a fortalecer duas das competências imprescindíveis para evoluir no século XXI: a capacidade de comunicação e o pensamento crítico.

Estas ferramentas herdam grande parte do que representa o efeito “YouTuber”. Falamos do elemento people follow people, – as pessoas atraem as pessoas – ou a ligação com outros alunos, tanto do seu ambiente como de outros lugares.

Quanto ao pensamento crítico, podem ajudar a desenvolver uma capacidade sólida em relação aos conceitos de imediatez e de efemeridade.

Outras duas questões:

A primeira é o facto de estas aplicações serem de utilização fácil, audiovisual e social. Ou seja, estão no ADN dos estudantes, pelo que podem ser canais através dos quais se pode transmitir conhecimento e fomentar competências e capacidades.

A segunda é que podem ligar as aulas ao mundo. Quando os docentes considerarem adequado, podem ampliar a audiência dos alunos que estão presencialmente na sala de aula. E podem fazê-lo controlando o meio sem quaisquer problemas, já que podem decidir se as emissões são públicas ou privadas, restringir a localização e os comentários ou limitar o número de pessoas que têm acesso à transmissão.

Family and new technologies

E as famílias?

Este conceito permite potenciar a participação dos familiares nas dinâmicas de aprendizagem dos seus filhos. Oferece-lhes transparência em relação a como, onde, o quê e com quem estudam os menores, e ajuda-os a desenvolver uma comunidade em torno da aprendizagem dos alunos que os envolva de forma positiva.

Como? Podem acompanhar a transmissão de eventos escolares, de trabalhos ou apresentações dos próprios alunos e até mesmo receber formação.

Oportunidades para transformar o conteúdo audiovisual educativo.

A ascensão destas dinâmicas de acesso à informação e à aprendizagem no ambiente escolar representa uma importante oportunidade para acompanhar o processo de transformação dos conteúdos educativos.

Já não falamos de recursos audiovisuais. Falamos de inovadoras experiências de aprendizagem individuais e sociais em vídeo e em tempo real, desenvolvidas através de poderosos exercícios de comunicação, difusão e diálogo.

Os alunos e os docentes precisam de ajuda para utilizar de forma eficaz estes instrumentos: desde saber como preparar a mensagem, ou o conteúdo, ou a cenografia, ou como gerir a conversa que suscita, ou como conseguir mais difusão, ou como conhecer a audiência.

Convém oferecer-lhes também um acompanhamento “técnico” para aperfeiçoar o storytelling, a utilização pelas redes sociais, a gestão dos dados resultantes das suas emissões, etc.

Propor estratégias simples e eficientes de integração metodológica destas experiências. Conseguir que estas aplicações sejam o fim e não o meio para o que mencionámos anteriormente: desenvolver as competências de comunicação dos alunos e dos docentes, a curiosidade ou o pensamento crítico para gerir melhor o efémero e o imediato.

Em suma, oferecer a docentes e a alunos acompanhamento e a capacidade de controlar estas ferramentas e de as explorar enquanto método pedagógico. De facto, começam já a surgir guias criados pelos próprios:

• Questões finais:

Obviamente, há várias questões que esse acompanhamento pode ajudar a elucidar e que estão neste momento no ar (o que não significa que obtenham uma resposta em breve):

  • E em relação à privacidade? Quem pode ver o meu aluno/filho através destas ferramentas?
  • De um ponto de vista pedagógico, é preciso ter sempre audiências globais?
  • Qual é a situação quanto às questões técnicas? Há banda larga suficiente nas escolas? Fico sem dados no telemóvel?
  • Já há escolas a utilizar estas ferramentas?

Terão as respostas… nos próximos meses.

Students holding mobiles

Para as pessoas interessadas, podem encontrar mais informação sobre estas ferramentas nos links abaixo:

- Periscope:

Meerkat:

Snapchat:


Fernando Herranz Mayoral
Jefe de Producto Global. Santillana Innovación

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