Retina LTD: um evento em 20 pílulas

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O evento RetinaLTD, o maior fórum ibero-americano sobre transformação digital, reuniu duas dúzias de especialistas e mais de 400 pessoas no auditório do Museu Rainha Sofia. Um evento que amadureceu muito desde a sua primeira edição e que ofereceu um formato ágil, dinâmico e fundamentalmente audiovisual que impressionou quem assistiu. Porém, a grande mais-valia deste evento é a sua capacidade de conectar o talento, de facilitar o networking e promovê-lo de forma contínua desde os seus painéis de oradores até às zonas de lazer. Tudo envolvido num ambiente amigável e esclarecido que transforma um ambiente de trabalho praticamente num encontro de amigos em que se pode conversar descontraidamente sobre a transformação digital.

Um assinalável número de grandes figuras e representantes de empresas líderes do setor digital ofereceram apresentações interessantes que, temporalizadas pelo ritmo da música em direto, se revelaram enriquecedoras em termos de conteúdo e variadas quanto ao formato: entrevistas em direto, casos de êxito explicados pelos seus expoentes máximos, mesas redondas de debate, palestras de inspiração, “Idea Jams” e workshops de formação. Uma experiência da qual se pôde recolher um bom número de citações ou pílulas de inspiração (tips) como estas:

A inteligência artificial e o ‘machine learning’ serão a nova vaga de inovação que mudará o mundo. Devemos usar a tecnologia para surpreender o utilizador, utilizar os dados como fonte chave e tomar melhores decisões, mas sem nunca esquecer as pessoas, porque são o maior desafio na transformação digital. É necessário abordar a mudança cultural e fazer com que as organizações sejam mais fluidas.” Fuencisla Clemares, diretora-geral da Google para Espanha e Portugal.

Todos somos start-ups. Todos somos companhias em busca de um novo modelo de negócio.” Carme Artigas, fundadora da Synergic Partners (Telefónica).

Tudo o que seja passível de automatizar será automatizado. Qualquer decisão que possa ser tomada em menos de dois minutos será resolvida por algoritmos. Em 2030, o carsharing será autónomo e elétrico.” Thomas Beermann, CEO da Car2Go.

2017 pode ser um ano histórico porque, pela primeira vez desde que começou a crise, o comércio mundial crescerá mais do que o PIB mundial.” Juan Ignacio Crespo, matemático, financeiro, analista económico e assessor do Fundo de Investimento Multiciclos Global Renta 4.

“Por trás de cada tecnologia há pessoas. O nosso primeiro passo é abordar a transformação do talento. Neste momento, o que motiva as pessoas é fazer projetos que mudem a forma como trabalhamos e vivemos.” José Luis Sancho, diretor-geral da Accenture Digital Ibéria.

A nossa oportunidade está em ultrapassarmos os medos e a melhor forma de fazê-lo é através da educação. O processo formativo não termina na universidade, é preciso apostar numa formação contínua.” Javier Rodríguez Zapatero. Cofundador e presidente executivo do ISDI.

Os balanços das empresas não estão preparados para refletir ativos como o talento ou a capacidade de inovação. 85% das empresas que operam atualmente são do século XX, mas os 15% restantes, as chamadas companhias digitais, estão a crescer muito. Ainda se pode sobreviver sem entrar completamente na cultura digital, mas não por muito mais tempo. As empresas mudarão ou desaparecerão.” Rodolfo Carpintier, investidor e fundador da Digital Assets Deployment.

“Para os que pensam que as máquinas nos substituirão em breve, fiquem a saber que as máquinas precisam de ver milhões de fotos de gatos para saber o que é um gato. As pessoas só precisam de ver umas poucas.”Emmanuel Mogenet, diretor de Engenharia e líder do European Google Research.

A verdadeira inovação do Blockchain é ter uma capa transacional sobre a qual o valor pode viver. Toda a comunidade certifica a propriedade das coisas. O Blockchain permite transformar digitalmente os processos produtivos sem alterar a natureza dos sistemas corporativos. Pode ser um potenciador da transformação digital.” Julio Faura, chefe de Investigação e Desenvolvimento (Blockchain) da Santander Digital.

A inteligência artificial ajuda-nos a identificar uma mudança de cena num filme e a reconhecer os objetos e as pessoas que nele aparecem. O consumo de televisão deixa de ser unidirecional para ser bidirecional.” José Luis Flórez, CEO da Dive.

Fazem falta transformações mais profundas. Se os mercados são como conversas, as marcas devem dialogar e isso não se resume a criar conta no Twitter. É ir mais além, ser cada vez menos anunciante e transformar-se num meio de comunicação social.” Toni Segarra, sócio fundador da Alegre Roca.

No que diz respeito ao fim do ticketing, estamos cada vez mais perto de a tecnologia nos permitir ligar a identidade física à digital.” Rodrigo Hilario Noailles, diretor de estratégia, Grupo Renfe.

Falar de inteligência e aprendizagem das máquinas é uma falácia, uma antropomorfização de um processo técnico.Lorena Jaume-Palasí, diretora executiva da AlgorithmWatch.

A inovação não se resume a implementar novas tecnologias. É também pensar de maneira diferente.” Sixtine Fabre, responsável de alianças estratégicas da Google Arts&Culture para Espanha e França.

O mais difícil na transformação digital não é a gestão tecnológica, mas a humana. O grande desafio desta transformação é trabalhar para reduzir o fosso digital.” Teresa Ramos, diretora de gestão de tecnologia e inovação da IE University.

“É provável que as máquinas não acabem com a maioria dos postos de trabalho.” Ramón López de Mántaras, diretor do Instituto de Investigação de Inteligência Artificial, CSIC.

O Governo na sua totalidade tem de crer no discurso da inovação. Faz falta um Executivo da Agenda Digital, não apenas um ministério.” Josep Piqué, ex-ministro da Ciência e Tecnologia.

“É preciso criar um espaço económico e fiscal especial, sobretudo para as start-ups. Jordi Sevilla, ex-ministro da Administração Pública e vice-presidente da Llorente y Cuenca.

As start-ups inovam bem a curto prazo porque estão sob pressão. A longo prazo, é melhor fazê-lo com as grandes empresas.” David del Val, presidente da Telefónica i+D.

“A Espanha está a entrar no mercado dos novos players, mas as fintech precisam urgentemente de uma entidade reguladora, como a banca.” Marta Plana, general counsel da Digital Origin, Foro Fintech.

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