“Sem alunos de STEM, faltarão profissionais em setores chave para a competitividade a nível global”

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O termo STEM (acrônimo que em inglês corresponde às siglas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemáticas) ocupa um lugar prioritário nas agendas dos organismos que impulsionam o desenvolvimento de sociedades tecnologicamente avançadas. E não é por acaso, pois estes estudos formam profissionais capazes de criar patentes e negócios inovadores que resultam em economias competitivas que, por sua vez, geram novos postos de trabalho e um crescimento sustentado.

No entanto, a procura atual de carreiras STEM não corresponde às oportunidades que estas oferecem. Conscientes desta situação, as multinacionais Accenture, Altran, HP, Indra, Microsoft e Fundación Telefónica uniram recursos e esforços para colocar em marcha a Start Tech, uma iniciativa que nasce para inverter esta tendência, tal como nos conta Mari Carmen Moneva, diretora de Desenvolvimento de Talento da Indra.

P.- A Start Tech nasce para aumentar a paixão dos jovens espanhóis pelos estudos STEM, devido ao decréscimo do seu interesse nestas disciplinas. Qual é a situação noutros países?

Um estudo da Cedefop afirma que, até 2020, a procura de profissionais em geral na União Europeia crescerá em 3%, ao passo que o crescimento da procura de profissionais STEM estará na ordem dos 14%. Inversamente, o número de matrículas neste tipo de cursos, desde o início do século, decresceu 25% na União Europeia. Ainda assim, a percentagem é pior em Espanha, onde essa redução é de 40%.

Nos Estados Unidos, temos uma situação semelhante, já que em 2020, apenas 16% dos estudantes se formaram em cursos STEM, quando o Departamento do Trabalho desse país prevê que, em 2018, haja 1,2 milhões de postos de trabalho na área científico-tecnológica.

Outros países apresentam valores diferentes, conforme o seu desenvolvimento e situação, mas pode-se dizer que o interesse em fomentar o estudo das disciplinas STEM, para contar com profissionais qualificados nessa área, é global.

A União Europeia está trabalhando nesta área há já alguns anos, através da estratégia Commission’s Grand Coalition for Digital Jobs e projetos associados. A Start Tech faz parte de uma dessas iniciativas: e-Skills for Jobs.

P.- Quais são os fatores que influenciam o escasso interesse dos jovens por essas áreas profissionais?

A Start Tech conta com a colaboração do CRECIM (Centro de Investigação para a Educação Científica e Matemática da Universidade Autônoma de Barcelona), que realizou um estudo sobre quais são os fatores chave que influenciam a decisão de escolher ou não um curso STEM. De acordo com esse estudo, os principais fatores são: o nível de competência e interesse dos estudantes nesse tipo de disciplinas; a percepção de concordância entre as características pessoais e os requisitos de formação e profissionais da área STEM; o conhecimento das possibilidades profissionais no setor científico e técnico; e a percepção social das profissões relacionadas com a formação CTM (Ciência, Tecnologia e Matemáticas).

A Start Tech tem como objetivo incidir nos quatro fatores para realizar um tratamento integral da situação.

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P.- Por que é prioritário inverter essa tendência?

Se não o fizermos, poderemos nos próximos anos deparar-nos com uma falta de profissionais qualificados num setor chave para a competitividade a nível global. A tecnologia desempenha um papel fundamental não só no nosso dia a dia, como também no nosso futuro.

No caso da Indra, sabemos que o futuro é digital e que o segredo do sucesso é contar com o talento necessário para desenvolver novas soluções e serviços tecnológicos.

Por outro lado, numa altura em que, infelizmente, os números do desemprego são elevados, a CE estima que, em 2015, serão necessários na Europa mais de 700.000 profissionais nesta área. Como dizíamos anteriormente, também nos Estados Unidos se prevê que, em 2018, serão necessários 1,2 milhões de profissionais nesta área. Isto se traduz numa grande oportunidade de emprego.

P.- Que linhas de ação marcam a estratégia da Star Tech para atingir os seus objetivos?

A Start Tech tem em conta e atua em todos os fatores que incidem na decisão dos jovens de tirar este tipo de curso. Por um lado, serão realizadas sessões nas escolas para despertar o interesse dos futuros profissionais. Nessas sessões, através de atividades lúdicas, se mostrará aos estudantes o que um profissional STEM faz no seu dia a dia e eles receberão formação em competências relacionadas com estas matérias através de workshops de programação de video games, apps ou robótica.

Também se levará a cabo um plano de marketing e comunicação para melhorar o conhecimento sobre as profissões STEM e as suas saídas profissionais na sociedade em geral. Haverá também sessões com os pais, para que tenham informação suficiente no momento de orientar os seus filhos de acordo com os seus interesses e capacidades.

Além disso, será criado um espaço online para o intercâmbio de recursos, informação, conselhos e boas práticas.

E um quarto ponto importante para a Start Tech é a formação dirigida aos professores, de modo a ajudá-los a despertar o interesse pelas matérias STEM.

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P.- Exatamente, os resultados escolares nas disciplinas STEM dependem em grande medida da qualidade do professorado. Que fraquezas e forças identificaram já nesses profissionais? Qual seria o perfil ideal de um docente especializado em STEM e que materiais deveria utilizar?

Por vezes, os professores têm os conhecimentos teóricos sobre a matéria, mas nem sempre sabem como os transmitir aos alunos. Tratando-se de tecnologia, este aspeto é fundamental, porque se pode utilizar a prática para ensinar a teoria e amenizar a aprendizagem. Potenciar a imaginação do docente e facultar-lhe recursos, conselhos e exemplos de boas práticas pode ajudá-lo na hora de explicar aos alunos conceitos intangíveis e difíceis de entender.

P.- Como deveria ser uma aula STEM? Que avanços tecnológicos, recursos educativos ou inovações metodológicas podem otimizar a formação nestas matérias?

Consideramos que, para que estes conhecimentos sejam transmitidos, convém contar com plataformas e sistemas de ensino com base no e-learning, quadros digitais e equipamentos informáticos. No entanto, apesar de os recursos serem importantes, pensamos que o principal é mudar o enfoque desse ensino para dar a conhecer e experimentar a sua aplicação mais prática.

P.- A Start Tech é um exemplo de inovação através da criação colaborativa e da união de talentos. Que pontos positivos se destacam nesta criação conjunta, fruto da ação coordenada de seis grandes organizações? E o que foi mais difícil de superar na concretização da Star Tech?

Como ponto positivo, destacamos a partilha de uma mesma motivação e uma ampla experiência que nos enriquece a todos, porque as empresas que participam neste projeto têm uma importante trajetória em diferentes áreas do setor das TIC. O mais difícil, tendo em conta a envergadura do projeto que decidimos colocar em prática, foi provavelmente a coordenação entre as diferentes empresas.

P.- Na vossa apresentação, afirmam estarem abertos a encontrar novos promotores que partilhem dos objetivos da Start Tech. Que outros requisitos devem reunir estes possíveis colaboradores?

O requisito fundamental é partilhar os objetivos do projeto e contribuir com valor para o projeto. A Start Tech está aberta a empresas, centros de ensino, fundações, consultoras, etc. que entendam que o futuro da sociedade reside em grande parte na tecnologia e que precisamos de profissionais que o levem a cabo. E, claro está, que estejam dispostos a contribuir para o conseguir.

P.- Estão prevendo lançar a Start Tech a nível global ou colaborar com outros países?

Este ano, vamos convidar as escolas da Comunidade de Madrid para participar na iniciativa, com o objetivo de analisar o seu impacto e decidir como daremos continuidade ao projeto.

O objetivo a médio prazo é a sua implementação em toda a Espanha, mas o projeto tem uma forte componente online, pelo que, graças à sua página de Internet e recursos virtuais, a Start Tech estará disponível para qualquer pessoa interessada, em qualquer parte do mundo.

José Ángel Plaza

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