“Somos seres ‘transmedia’ por natureza”

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Roger Casas-Alatriste é o fundador e CEO da El Cañonazo Transmedia, uma empresa especializada no planeamento estratégico, criatividade, produção e distribuição de conteúdos interligados e expansíveis através de diferentes plataformas digitais e com que se relacionam as marcas com os seus utilizadores. Ou seja, o que conhecemos por narrativa transmedia.

P.- Em que momento se encontra atualmente a transmedia?

A transmedia aplica-se em muitos âmbitos da comunicação, não apenas nos setores de criação, entretenimento e setor publicitário, mas também em setores tão diversos como a comunicação política e até em campos como o culto religioso e a medicina. Somos seres “transmedia” por natureza: sabemos diferenciar os nossos relatos de acordo com cada interlocutor e suporte. A tecnologia apenas potencia esta qualidade.

P.- Qual é o possível futuro, a curto ou médio prazo, da narrativa transmedia?

A transmedia, hoje em dia, ainda é um acessório sexy, um apêndice, uma capa de narrativa alternativa, embora (ainda) não seja entendida como uma parte fundamental. No entanto, esperamos que ganhe importância brevemente e que contar as coisas de uma perspetiva transmedia seja fundamental. Ou como explica Luis Alcázar, Diretor Criativo da El Cañonazo, “tal como, a dada altura, o som era um acessório de luxo do cinema e hoje é um elemento fundamental, em breve não conseguiremos conceber uma história que não tenha uma perspetiva transmedia”.

Estamos num momento parecido ao que se passava com as redes sociais há dez anos. Na altura, quando uma marca ou programa de televisão tinha Twitter ou Facebook era algo muito “fixe”, um divertimento. Até que chegou Obama e ganhou umas eleições, aproveitando todo o potencial destas plataformas sociais. Foi então que começaram a ser levadas a sério.

P.- O que se tira do uso da tecnologia na narrativa transmedia (realidade virtual, telemóveis…)?

Para poder “pensar em transmedia”, é preciso conhecer muitas linguagens, ferramentas e técnicas – não só digitais – para saber aproveitar o melhor de cada uma delas em função da história que se quer contar. O mais importante, acima de qualquer técnica, é ter a capacidade e a visão narrativa de tecer um relato coerente com peças de diferentes naturezas. E que cada meio e cada plataforma desenvolva a história da melhor maneira possível.

P.- Para compreender melhor tudo isto, pode comentar alguns casos de êxito que sirvam de exemplo do que funciona neste tipo de iniciativas?

Na El Cañonazo, estamos há mais de sete anos a aplicar esta abordagem a diferentes histórias, desde programas de viagens como o Viajeras Con B; um documentário áudio como o Le Llamaban Padre (história sobre pederastia que recebeu una menção especial nos Prémios Ortega y Gasset 2017);  um videoclipe transmedia como o #YoConfieso de Juan Zelada, webseries de comédia como a série #Conchifacts, conversas sobre mixologia como o Ángelus Cocktail Club  e documentários sobre migração como o Recuerdos Que Laten.

Temos também o Transmedia en Serie, um projeto de produção própria que analisa as tarefas transmedia de uma perspetiva das séries de televisão (descrito no Toyoutome), e a Incontinentes, uma série de conversas com “criadores sem fronteiras”.

P.- Como é que os utilizadores participam nas suas séries, filmes ou livros preferidos através da transmedia?

Participam das formas mais diversas e imprevisíveis possíveis. Esta é a parte mais importante e divertida no momento de planear e executar um projeto transmedia: pensar nos diferentes níveis de implicação dos possíveis participantes numa história, desde o fã que editará um remix e o publicará nas suas redes, até alguém que irá sorrir em silêncio ao ver um link partilhado no grupo do Whatsapp. E, claro, ver depois como acabam por evoluir.

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