Startups para a leitura

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Essa tendência de empreendimento ligada à tecnologia que conhecemos como startups também tem o seu vínculo com o mundo do livro, embora não com tanto ímpeto como se poderia pensar, já que o setor editorial, apesar de ser um dos que mais mudanças e perturbações está a sofrer na era digital, não conta com uma excessiva quantidade de investimento de empreendedores deste tipo, se compararmos com outros setores que foram capazes de atrair mais novas ideias e investimentos.

Se analisarmos o hábito de leitura a nível mundial, os dados não são tão desconcertantes para não investir no setor. Muito pelo contrário, a preferência de leitura a nível global mantém uns números mais baixos do que há uns anos, mas bastante otimistas, segundo podemos ver no recente estudo da consultora GFK sobre a frequência da leitura de livros e onde podemos comprovar que, dos 17 países estudados, cerca de 30% disse ler livros de forma diária ou na maioria dos dias. Esta percentagem sobe até aos 59% se acrescentarmos aqueles que afirmam ler pelo menos uma vez por semana. E cerca de 24% diz ler com pouca frequência ou nunca.

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Se virmos a frequência da leitura de livros por países, vemos que nas primeiras posições entre os que leem com maior regularidade estão a China, o Reino Unido, Espanha ou Rússia.

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Apesar do preocupante nível de não leitores que estas infografias refletem, o nível de leitores mantém-se mais ou menos estável. No entanto, não parece que o setor acabe por chamar a atenção de um grande número de startups, tal como poderia pensar-se. Ainda assim, há projetos e iniciativas que vale a pena salientar, como se fez na Dosdoce, a consultora que melhor analisa o setor da cultura em espanhol, que, a cargo de Javier Celaya, nos oferece o seu último estudo, Evolução das startups no mundo do livro, uma fotografia instantânea do panorama atual em relação aos esforços empreendedores em torno do setor editorial. Por sua vez, a Dosdoce toma como ponto de partida para o seu estudo o relatório publicado em 2016 por Thad McIlroy, ‘An Authoritative Look at  Book Publishing Startups In the United States’, onde compila até 900 startups.

EvolStatupsDosdoceA Dosdoce, neste relatório, proporciona uma abordagem mais global, centrando-se bastante no mercado espanhol e latino-americano, mas acrescentando também algumas iniciativas europeias interessantes. Por outro lado, e diferenciando-se de Mcllroy, procurou-se mais a contribuição tecnológica das startups relacionadas.

As startups que se observam definem-se como um novo tipo de negócio que contribui para uma abordagem algo diferente e inovadora com essa importante componente tecnológica no seu ADN e, claro, sujeitas a capital de risco e à necessidade de investimento para arrancar ou terminar uma fase de desenvolvimento inicial com rondas de financiamento.

Também passaram das 900 empresas (a maioria delas criadas a partir da saída da Amazon Kindle em 1997) da lista de 1130, que encontraremos no estúdio acompanhadas com uma ficha informativa de cada uma e diferenciadas segundo a sua especialização: Ferramentas e serviços, Conteúdo original, Venda a preços de saldo, 106 Social, Inovação, Educação, Infantil, eReaders, Marketing, Livros de texto, Gratuidade, Áudio ou Subscrição.

As startups que emergem no setor são muito diversas, mas as que mais aparecem são as quese focam na autoedição, ou seja, as que oferecem uma via aos autores independentes. A Bibliomanager é um exemplo desta tendência onde se combina a autoedição e a impressão por pedido através de uma plataforma online que liga leitores, livrarias, distribuidores e editores de Espanha e da América Latina. Também descolam as plataformas de subscrição de leituras recomendadas, entre elas destacam-se projetos como El placer de la lectura, uma comunidade de leitores em espanhol, que alberga já mais de 2 milhões de utilizadores, e a Librotea, que procura uma certa qualidade de subscrição de livros, com a participação na recomendação dos próprios autores, livreiros, críticos de prestígio ou bloggers, além dos utilizadores.

Javier Celaya destaca no estudo 12 notas sobre as startups no mundo do livro e que convém assinalar:

  1. A indústria editorial não está a morrer, está a transformar-se.
  2. A grande mudança na edição é o crescimento da autopublicação. Principalmente de livros digitais.
  3. Ainda que o país onde surgiram mais apps seja da União Europeia, podem nascer em países mais pequenos e com economias mais débeis, trazendo maior índice de competitividade para a economia da inovação.
  4. Os “empreendedores” das startups parecem ter pouca experiência no âmbito editorial para levar os seus esforços ao máximo.
  5. Muito poucas startups (15%) têm algum investimento declarado. A maioria destas empresas usa recursos próprios.
  6. Muitas destas startups do âmbito do livro são minúsculas. Em muitos casos, não passam de um sítio web e boas intenções.
  7. A inovação é muito diferente da dirupção. Não é tão necessário revolucionar o setor como apresentar soluções.
  8. Um bom “pequeno negócio” pode ser algo muito diferente de uma oportunidade de capital de risco. A maioria fixa a sua meta em serem adquiridas por uma grande empresa.
  9. Muitas startups cresceram por causa de startups anteriores, como a Wattpad, sem realmente inovar muito mais que o seu modelo a seguir.
  10. A edição de livros nunca foi uma indústria tecnológica. De facto, historicamente, tem aversão à tecnologia.
  11. Os audiolivros, depois da autoedição, estão a ser o novo tesouro do setor editorial.
  12. As startups, como as editoras, devem pensar em novos modelos de negócio que a Internet oferece na altura de determinar o valor que a sua empresa pode oferecer às editoras.

O custo da inovação, o valor da dirupção no mundo do livro e a análise das oportunidades vindouras para o empreendimento no setor são alguns dos epígrafes de interesse que podemos encontrar nesta análise da Dosdoce e que convidam a pôr em marcha as possíveis iniciativas e ideias que surjam à volta da leitura.

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