Tablet Art: o arte móvel

Mobile_Art_850
Visto 7.348 veces

Desde as vanguardas do início do século XX que se pode dizer que a arte permite quase qualquer forma de expressão. Tela, gesso, madeira, pedra ou até mesmo o corpo humano têm servido de matéria-prima a artistas de todos os tempos para fazerem com eles as suas obras. Hoje, na era digital em que estamos a viver, os artistas aproveitam a tecnologia e concebem as suas obras em tablets e celulares, como forma de participação na cultura social da atualidade.

Estes artistas fazem parte da chamada Arte Digital, composta pelas disciplinas criativas em que se utilizam tecnologias digitais, tanto no seu processo de produção como na sua exibição. Desta realidade nasceram outras duas correntes de destaque:

  • A Net.art ou Arte na Rede, termo criado em 1995 pelo artista esloveno Vuk Cosic, a partir de uma mensagem ilegível que recebeu no seu correio eletrónico. A Net.art compreende as obras feitas para a Internet, criando conteúdos a partir de estruturas complexas que incluem imagens, textos e sons, e a sua capacidade de comunicação e interação com o usuário.
  • A Arte Generativa, na qual o artista cria uma obra (visual e / ou sonora) integralmente através de meios tecnológicos, onde previamente estabeleceu parâmetros definidos por ele e que, além disso, contém uma componente aleatória, o que faz com que a obra resultante varie em cada intervenção.

Com base nestas correntes, são muitos os artistas que se renderam ao uso de dispositivos para a criação, suporte e divulgação das suas obras.

Um desses artistas é David Hockney, considerado o melhor artista britânico vivo. Numa das suas últimas exposições, realizada na Royal Academy de Londres, expôs pinturas e desenhos criados com o iPad, onde o artista reflete a evolução ao longo do ano das paisagens rurais do Yorkshire, nas quatro estações. É um exemplo da utilização de aplicações de desenho e de pintura por artistas, como se fossem uma tela como outra qualquer.

 

Haz click sobre la imagen para acceder al vídeo

Outra iniciativa decorreu durante a Bienal de Veneza de 2011. Foi criado um Pavilhão Invisível onde se reuniram as obras de nove artistas que, através do uso da realidade aumentada via celular, quiseram que o público refletisse sobre uma realidade que, normalmente, é ignorada. A arte de denúncia fez com que estes e outros grupos de artistas, como o Manifest.AR, composto por Tamiko Thiel, Sander Veenhof e Mark Skwarek, entre outros, surjam englobados na chamada ‘Offensive Art‘ (arte ofensiva), termo que se refere neste caso a uma arte altamente ativista, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade através de ações polémicas. O Manifest.AR deu-se a conhecer com uma intervenção no MoMA de Nova Iorque, onde Thiel criou o inquietante e virtual rosto flutuante de um crítico. Outro dos projetos importantes de Thiel é “Shades of Absence“, um conjunto de rostos sem identidade que representa os artistas censurados e perseguidos politicamente e cujas caras flutuam em redor do visitante, oferecendo ligações para informações sobre a sua situação.

Clique sobre a imagem para aceder ao vídeo

Também dentro do género da denúncia social, surge a exposição “Electroboutique pop-up. É um projeto de Alexei Shulgin e Aristarkh Chernyshev que faz uma reflexão sobre a arte através dos objetos de consumo que nos rodeiam, muitos dos quais sem grande propósito ou utilidade, segundo afirmam os autores. Uma das peças expostas é “iPaw, uma escultura em tamanho real de um cão que consegue ativar um iPad se o espetador lhe der festas. Aqui, o dispositivo é uma parte física da obra, mais pelo facto de ser um novo objeto que modifica o comportamento social do que pelo seu caráter tecnológico.

De outra natureza são as obras de Ignacio Uriarte, artista espanhol que apresentou no Centro de Arte la Panera, em Lleida (Espanha), a criação digital “Eternal labyrinth“, uma obra inédita realizada exclusivamente para o iPhone. Realizada com o apoio tecnológico da empresa Use-It, com o objetivo de criar uma obra móvel para o celular, uma obra de arte transportável que se admira de uma forma diferente.

No Rio de Janeiro, acaba de ser inaugurado o File (Electronic Language International Festival), um festival brasileiro dedicado à arte e às novas tecnologias. O evento, que se prolonga até ao dia 13 de maio, inclui na sua programação uma secção chamada “Tablet”, que reúne projetos interativos, artísticos e musicais concebidos e criados para serem visionados num tablet (iPad, iPhone e Android) e que, além disso, são na sua maioria gratuitos ou podem ser adquiridos por um preço inferior a dois dólares.

Vejamos algumas das obras apresentadas:

  • Scott Snibbe apresentou vários trabalhos, entre os quais se destacam, por exemplo, “Gravilux“, uma aplicação que combina ciência, arte e jogo numa obra multi-usuário, controlada por algoritmos matemáticos; “Bubble Harp“, para criar música combinando parâmetros e “Antograph“, através da qual podemos criar desenhos ou escrever com carreiros de formigas em movimento.

Clique sobre a imagem para aceder ao vídeo

  • Pavel Doichev apresenta “Art in Motion“, uma aplicação que permite animar as marcas que deixamos com os dedos na superfície do tablet, modificando toda uma série de parâmetros visuais, sonoros e técnicos, até criar uma espécie de jam session gráfica.

Clique sobre a imagem para aceder ao vídeo

  •  Toshiyuki Hashimoto, Masato Tsutsui e Koichiro Mori são artistas japoneses cuja proposta é pôr as pessoas a brincar com “Reflection“, uma aplicação para combinar linhas, gráficos e sons.

 

Toda esta mobilidade aplicada à Arte faz com que seja possível transportarmos uma expressão artística no bolso. É essa a proposta da artista italiana Chiara Passa, que desenvolveu “The Widget Art Gallery“, uma galeria virtual em formato widget que pode ser descarregada para diversos suportes, como o iPhone, o iPod touch e o iPad. A aplicação permite visualizar as obras apresentadas pelos artistas convidados e mudam mensalmente. O seu aspeto é semelhante ao das salas de exposições e galerias físicas, salas brancas com as obras expostas, mas com o conceito extra de uma arte multi-tela, multi-dispositivo e portátil.

Imagens da galeria virtual “The Widget Art Gallery”, de Chiara Passa

 

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
Online shopping, blue mouse in the shape of a shopping cart
Você faz compras na Internet?

Os sistemas de pagamento pela Internet deixaram de ser um recurso utilizado por apenas algumas pessoas para se transformarem numa...

Cerrar