Tecnologia e educação sim, mas que seja eficiente

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Esta é a conclusão que poderia resumir o fórum As Novas Tecnologias na Educação. Desafios na América Latina e na Europa, celebrado pela Fundação Euroamérica no passado dia 13 de novembro em Madrid. A sua presidente, Benita Ferrero-Waldner, reiterou mais uma vez o compromisso desta organização com o fomento da educação igualitária como motor económico de futuro. E também a educação apoiada nas tecnologias como meio de potenciar a curiosidade e a experimentação entre as crianças de todos os estratos sociais, especialmente na América Latina, onde a desigualdade social continua a ser muito vincada.

Multi ethnic primary students playing with tablet and writing

Felizmente, há um raio de esperança na região. Rebeca Grysnpan, secretária-geral ibero-americana da SEGIB, referiu à assistência que, entre os anos de 2000 e de 2010, se tinha duplicado a percentagem de alunos matriculados no ensino superior na América Latina, obviamente com grandes diferenças entre países. Porém, a saída da pobreza absoluta de mais de 60 milhões de pessoas da região fez com que fosse possível os governos aproveitarem esta evolução social para fomentar melhorias a nível da educação. Entrou-se numa nova etapa em que 70% das famílias destes países enviavam pela primeira vez na sua história um membro das mesmas para estudar na universidade. É sem dúvida um grande progresso, mas não podemos começar já a festejar, porque a desigualdade social continua patente. Apenas um em cada 10 alunos oriundos de famílias pobres vai para a universidade, ao passo que a percentagem é de um em cada dois no caso de famílias com algumas posses, assinalava Grysnpan.

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Rebeca Grynspan, de la SEGIB, durante su intervención.

As acutilantes palavras finais de Rebeca Gryspan, “a história da América Latina é um relato de superação através do ensino”, unem-se ao desafio que implica conseguir o acesso universal e de qualidade, algo que pelos vistos as Tecnologias de Informação e de Comunicação (TIC) poderão ajudar a alcançar. O auge da Internet em todos os estratos sociais é uma boa oportunidade para que isso se concretize.

Infelizmente, as TIC por si só não são uma panaceia universal, uma vez que grande parte do problema educativo é a insuficiência que existe na capacitação dos docentes no momento de utilizarem estas ferramentas. É preciso ter em conta que esta é a primeira geração que tem de ensinar com ferramentas diferentes daquelas com que aprenderam.

A educação já não está apenas a cargo das instituições educativas. Na sociedade digital atual, estão envolvidas nesta educação contínua as empresas, as organizações, as associações… que de uma forma ou de outra fazem parte da nossa aprendizagem ao longo da vida, segundo as palavras do diretor-geral de Programas Educativos e Culturais da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), Carlos Abicalil.

African American and Asian college students using laptop computer to study

Abicalil revelou que os espaços de convivência entre os métodos de ensino tradicionais e a educação online estão a aproximar-se cada vez mais, e tudo graças à utilização das TIC. Contudo, isso não invalida o facto de muitos dos implicados no processo educativo verem estas ferramentas mais como uma ameaça do que como uma oportunidade de evolução, como é o caso do polémico uso do telemóvel na sala de aula.

Por sua vez, Alejandro Álvarez Von Gustedt, representante na Europa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), voltou a colocar sobre a mesa a necessidade de garantir a eficácia dos investimentos que os governos fazem nas TIC para o ensino; não basta gastar grandes quantias de dinheiro para equipar as salas de aula ou os alunos com material informático, é preciso também fazer com que esses projetos digitalizadores se tornem casos de sucesso. Nas suas próprias palavras, as tecnologias não funcionam por si só. “Os nossos especialistas analisaram 15 programas em todo o mundo e a conclusão que se retira é que, muito frequentemente, as novas tecnologias não são assim tão eficazes. São os programas orientados que têm mais eficiência. Quando a educação com novas tecnologias é direcionada, o impacto é quatro vezes maior do que o da utilização da tecnologia sem apoio. Na verdade, deve ser uma utilização com diretrizes de qualidade para que não criem mais complicações.”

Álvarez apresentou três casos em que este investimento teve uma eficácia reconhecida e que contaram com a ajuda do BID: no Uruguai, com o programa Ceibal II, no Brasil, com o programa de aceleração do desenvolvimento na Amazónia, e na Costa Rica, com o projeto para levar as TIC à educação infantil, Albert, um telemóvel inteligente da SK Telecom.

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Albert de Sk Telecom, para enseñanza infantil.

Carlos González-Sancho, analista na Direção de Education and Skills da OCDE, mostrou-nos dados avassaladores que revelavam que nem todos os países que gastaram mais em tecnologia para as escolas ou os que mais computadores têm são os que obtiveram melhores resultados, mas precisamente o contrário. De facto, os alunos que têm uma utilização moderada das TIC são os que têm melhores resultados educativos, ao passo que os que fazem um uso muito frequente das mesmas tiveram os piores resultados. Isto indica, uma vez mais, que a tecnologia tem de ser acompanhada por uma prática orientada da mesma.

No fórum, também se falou sobre a importância do ensino online como evolução do ensino à distância tradicional e de como dilui as fronteiras que existiam entre a qualidade dos estudos presenciais e dos estudos à distância. Neste sentido, os chamados MOOC revelaram-se uma magnífica oportunidade para levar a aprendizagem em instituições de prestígio a qualquer canto do planeta.

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