TEDx: idéias que vale a pena difundir e pessoas que vale a pena conhecer

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As conferências TED que acrescentam ao nome o apelido “x” são conferências locais que contam com a licença do TED original da Califórnia, mas que são organizadas de forma independente. É o caso, por exemplo, do último TEDxMadrid celebrado no passado mês de setembro. Antonella Broglia, titular das licenças do TEDxMadrid, conta-nos mais detalhes destes eventos.

As 10 respostas de:

Antonella Broglia, TEDx Ambassador para a Europa e titular das licenças do TEDxMadrid, TEDxYouth@Madrid e TEDxMadridChange

P- Quantos eventos TEDx já organizou?

Desde que temos a licença, há quatro anos e meio, provavelmente uns 20 eventos. Este ano organizamos o quinto evento TEDxMadrid, com conferencistas ao vivo. Para além disso, no próximo dia 17 de novembro celebraremos, no Caixa Forum, por ocasião do Dia Internacional da Infância, o terceiro TEDxYouth@Madrid, com conferencistas menores de 20 anos em palco. E todos os meses, na Casa Encendida, fazemos o TEDxMadridSalon, onde exibimos um vídeo de um orador americano e o debatemos com a ajuda de um moderador.

Também somos retransmissores de um evento internacional que o TED organiza com a Fundação de Melinda Gates. Chama-se TEDxMadridChange. Recebemos esse sinal e transmitimo-lo aqui para ver o que os Gates propõem em termos de mudanças mundiais sobre o sistema de desenvolvimento, que é o que lhes interessa.

Todos esses encontros se realizam sob a licença TED. Até realizamos um na cadeia, TEDxSotoDelReal, em que os conferencistas eram reclusos que apresentaram as suas idéias e empreendimentos. Muito interessante.

P- O lema do TED é “Ideas Worth Spreading”. Que idéia julga que vale a pena difundir do último TEDxMadrid?

A minha resposta é pessoal. No evento deste ano, os desempregados de Peridis, que deixou claro que eles só ganham se se organizarem entre eles. É a “Lanzaderas de empleo”, uma idéia tão simples que vale a pena e que vem de Peridis, um arquiteto que desenha tiras de banda desenhada para o El País. Um homem que tem acesso a todo o mundo e faz isto: reinsere um monte de pessoas nas suas atividades. Isso é “worth spreading”. Uma pessoa com idéias tão claras é “worth spreading”. E a união dos desempregados para se entreajudarem também é “worth spreading”.

P- Como se preparam as conversas? São escutadas antes?

Sempre, palavra por palavra. Mas há coisas que escapam. Há conversas muito pessoais nas quais é impossível não improvisar. E isso também nos agrada.

Somos obcecados pela preparação, mas por vezes escapa algo, e há que pedir desculpa se alguém se sentir ofendido. A única maneira de não afetar a opinião de alguém é não fazer nada, ficar em casa.

É difícil nos conformarmos a todo o mundo. Quem vem, sabe que escutará conversas diversificadas, indo de um tema para outro.

P- Acredita que o TEDx pode ser uma nova ferramenta para a educação?

Sim. Somos uma ferramenta para a educação na medida em que o produto que geramos, que é gravado e distribuído gratuitamente, é uma unidade de aprendizagem gratuita sobre quase tudo, porque o TED fala de cozinha, desenho, natureza, aulas educativas de animação, ciência, música, pintura, tecnologia… Se houver conteúdo, há sempre uma idéia. É fantástico para aprender a discutir, a contrapor. Não para estar de acordo, mas sim para debater. Para pensar.

Há uma conferência magnífica de Chris Anderson sobre este tema. O vídeo é sobre a grande ferramenta educativa dos séculos XXI e XXII. É transformadora. Ele explica casos em que a visualização de vídeos no YouTube ensinou realmente muita gente a fazer de tudo. Por exemplo, existe o caso de um grupo de bailarinos que ganhou um Óscar e nenhum dos seus integrantes tinha aprendido a dançar numa escola, todos aprenderam vendo vídeos no computador.

P- Encontramo-nos num momento de crise econômica, sobretudo na Europa. É um bom momento para empreender? A crise é uma oportunidade?

Creio que sim. Não só é um grande momento para empreender, como é um grande momento para empreender com algo radical. Uma visão totalmente nova das coisas. Faz falta mais precisão nos planeamentos porque tudo é mais do mesmo e só se fazem pequenas melhorias. Há que romper, inventar outra coisa. As pessoas estão muito mais preparadas do que parece para receber mensagens e ofertas diferentes.

P- Perante estes acontecimentos, é importante ser criativo, inovador?

Criatividade e inovação é a capacidade de observar a realidade e ser capaz de dar esse salto indutivo para criar algo novo a partir de algo que já existia. Por exemplo, o YouTube não poderia existir se não existisse antes o Flash, a tecnologia que o permitiu.

P- Qual é a sua opinião sobre a revolução digital e os meios de comunicação? Estamos à altura das circunstâncias?

Depende. Alguns sim, outros não. É o tema da adaptação. Creio que há uma essência do jornalismo que tem a ver com o bom jornalismo, que o é e será sempre. No meio digital, surgem operações maravilhosas como o Político, que é muito bom. Modelos em que o jornalista é o dono, “autojornalismo”, sócios da sua operação que procuram novos modelos sustentáveis que não tínhamos visto e que estamos vendo agora.

Há que ter um pensamento crítico. É impossível interpretar a realidade, há sempre uma faceta. Ser capaz de lidar e criticar é o que faz um bom jornalista.

P- Estamos perante uma crise publicitária nos meios de comunicação. Acredita que o anunciante sabe a importância de estar hoje na Internet?

Para mim, a dúvida não é estar ou não. É muito difícil entender o meio e o universo da Internet gera incerteza. Creio, no entanto, que ainda não entendemos qual é a maneira de estar na Rede publicitariamente. O que não está claro é como fazê-lo: através de um banner que ninguém lê, mediante links patrocinados… É a tecnologia que dá respostas, demonstrando que valor tem um clique. O futuro da Internet é tecnológico. Há que lidar com a complexidade.

P- No mundo tecnológico em que nos movemos, se pode viver sem estar online?

Existimos no mundo real, não no virtual. E é uma decisão pessoal. Podemos estar no virtual com um pseudônimo. O ser humano decide, ninguém o obriga.

Há pessoas que existem na Internet porque os outros falam delas, mas não têm Facebook nem Linkedin.

P- Uma idéia para partilhar?

Dizer sempre sim quando nos chamam ou escrevem para falar connosco.

Se estiver interessado, pode consultar o calendário do TEDx da sua cidade e solicitar uma entrada. Não se arrependerá da experiência!

María Lucía Descalzo

Administração – Contabilidade PRISA Noticias

13 Comentarios

  • avatar Maria Julia 7 novembro, 2013

    Excelente entrevista !!!!

  • avatar Maria Julia 7 novembro, 2013

    Excelente la entrevista tengo ganas ya de asistir a una charla Ted

    • avatar Ma. Lucía Descalzo 15 novembro, 2013

      Gracias Julia!
      El próximo domingo en Caixa Forum se realizará TEDxYouth@Madrid, puedes pedir tu entrada en http://www.tedxyouthmadrid.com/
      O consultar en http://www.ted.com/tedx , cuándo y dónde se realizará el próximo evento en tu ciudad.

  • avatar belen 7 novembro, 2013

    Excelente nota!!!

    • avatar Ma. Lucía Descalzo 15 novembro, 2013

      Gracias Belén!

  • avatar BEATRIZ 7 novembro, 2013

    EXCELENTE LA ENTREVISTA A ANTONELLA BROGLIA !!!
    DEBERIA HABER MAS INFORMACION SOBRE ESTAS CHARLAS…

  • avatar Juan 7 novembro, 2013

    Como mola esta tía! Estoy de acuerdo en todo. Me ha encantado la propuesta del TED de los desempleados. Ojalá hubiera mas gente con ese espíritu creativo y social! Enhorabuena!

    • avatar Ma. Lucía Descalzo 15 novembro, 2013

      Juan, gracias por tu comentario! Ojalá este post pueda “contagiarnos” un poco su espíritu e inspirarnos! ;)

  • avatar Alexis Titi Miliani 7 novembro, 2013

    Muy buena la nota y bien redactada ;)

    • avatar Ma. Lucía Descalzo 15 novembro, 2013

      Muchas gracias!

  • avatar Armando 7 novembro, 2013

    Brillante la nota!! muy interesante

    • avatar Ma. Lucía Descalzo 15 novembro, 2013

      Muchas gracias por tu comentario!

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