“O que deve fazer um empreendedor é mostrar que tem uma grande equipa com muita ambição e vontade de mudar as coisas”

José del Barrio_850

José del Barrio lidera, neste momento, o Samaipata Ventures, um novo fundo de venture capital que apoia empreendedores de toda a Europa, investindo em modelos de negócio do tipo marketplace (mercados na rede) e e-commerce (loja online) disruptivos. Mas também conhecemos José del Barrio por ser, juntamente com Íñigo Juantegui, um dos fundadores do La Nevera Roja, um portal web que oferece comida ao domicílio de qualquer restaurante associado, que começou com um capital de 20 000 euros e vendeu, em cinco anos, por 80 milhões.

O que o levou a criar o Samaipata Ventures?

Depois de vender o La Nevera Roja, queria continuar a apoiar os empreendedores de alguma maneira. Agora, passei para o outro lado, ao conhecer todos os dias empreendedores geniais e ver que projetos encaixam melhor com o nosso fundo. É curioso vê-lo agora e, sobretudo, muito gratificante poder ajudar pessoas que estão a viver o que nós vivemos ao montar o La Nevera.

Estamos convencidos de que há um enorme potencial no mundo start-up europeu, sobretudo no sul da Europa, onde estamos a apostar fortemente. Em Espanha, França, Itália ou Portugal, temos uma das percentagens de graduados em Ciências e Tecnologia mais altas do mundo e uma enorme formação de engenheiros e developers informáticos. Por outro lado, cada vez mais jovens brilhantes estão a apostar no empreendimento como carreira profissional. A prova de toda esta oportunidade é que está a crescer enormemente o venture capital na Europa. Em apenas três anos, duplicaram-se os fundos. O Samaipata quer participar neste momento e converter-se numa referência europeia em modelos de marketplace e e-commerce.

 Hoje em dia, com a atual conjuntura da economia, como pode subsistir uma empresa de venture capital?

Os fundos de venture capital nascem justamente como uma alternativa à restrição do crédito bancário tradicional. O setor público também está a fazer por preencher esse vazio, destinando fundos da administração para incentivar o capital de risco e apoiando diferentes entidades financeiras dedicadas ao apoio do ecossistema start-up (ENISA, CDTI, organismos autónomos, etc.).

Além disso, o Samaipata teve a sorte de contar com a confiança e o apoio dos investidores do La Nevera Roja e outros investidores privados.

Uma das situações que mais “stress” provoca em qualquer empreendedor é enfrentar uma reunião com um business angel ou fundo de venture capital, não só pela importância que tem para o futuro da empresa como também porque, muitas vezes, desconhece o que vai encontrar. Que conselhos daria a um empreendedor que vá apresentar o seu projeto a um investidor?

Nos fundos de venture capital, procuramos tendência, mas sobretudo equipas brilhantes. Primeiro, diria que é importante mostrar que têm uma grande equipa, com muita ambição e vontade de mudar as coisas. Claro que também é preciso ter um controlo claríssimo de todas as métricas do negócio e da proposta do valor que oferece.

Mas antes de chegar à fase de crescimento, onde entram os fundos de venture capital, diria para explorarem todas as fases anteriores: as aceleradores e incubadoras, as ajudas públicas, os business angels… Há que dedicar muito tempo à procura de financiamento, é como mais um trabalho para a start-up. Mas como recompensa pelo esforço, pelo caminho, vais encontrando mentores, pessoas com quem se aprende bastante e que podem contribuir muito para o negócio, etc.

Como avaliaria as suas primeiras experiências como investidor? 

A experiência está a ser incrível. Todos os dias conhecemos equipas geniais com negócios disruptivos e vontade de conquistar o mundo. Por enquanto, investimos em cinco start-ups: Deporvillage, Cornerjob, Jinn, Foodchéri e uma última que ainda não é pública.

Todas elas são start-ups com potencial de serem líderes na sua categoria. A primeira, Deporvillage, é um e-commerce (loja online) de material desportivo, muito especializado em running, ciclismo e atividades ao ar livre. Além de Espanha, opera já em todo o sul da Europa (Itália, França e Portugal) e, desde a nossa entrada, conseguiu multiplicar as vendas por quatro e fechou uma nova ronda de financiamento de 3,5 milhões de euros.

O nosso segundo investimento foi no Cornerjob, um portal online de procura de emprego que oferece um modelo também revolucionário para corrigir as ineficiências do mercado de trabalho. Já funciona em Espanha, Itália, França e México e, dez meses depois de apostar na equipa, levantaram outra ronda de financiamento de 22,5 milhões de euros.

No segmento delivery, investimos na Jinn, uma start-up nascida em Londres que opera noutras quatro cidades do Reino Unido e cresce 350% anualmente. Desde há uns meses, também oferece o serviço em Madrid. De novo, conta com um modelo de negócio disruptivo com um grande potencial em toda a Europa: pedes o que queres através de uma aplicação e, em meia hora, recebes onde quiseres.

O nosso quarto investimento é uma start-up parisiense, Foodchéri, que procura revolucionar o mercado da comida ao domicílio. Oferece refeições frescas e de máxima qualidade, prontas a consumir com um pequeno toque no micro-ondas ou na frigideira. Por enquanto, só está presente em Paris, mas está a ser estudada a abertura de novos mercados, entre eles Espanha.

O último, que em breve será público, é um market-place para transporte de bens.

FoodCheri

Web de FoodChéri

Como vê o ecossistema empreendedor em Espanha? Que desafios enfrentamos?

O ecossistema empreendedor espanhol está em pleno boom. Cada vez mais jovens na Europa querem empreender. De facto, segundo um inquérito realizado pelo fundo de venture capital Atómico, quase metade dos jovens entre os 18 e 24 anos com mais talento da Europa veem o empreendimento como uma saída profissional atrativa.

Também está a disparar o lado do financiamento. Surgem cada vez mais fundos de venture capital, incubadoras e aceleradoras, fundos internacionais que entram para investir em Espanha, etc. A tendência entre os fundos é clara: maior especialização e colaboração estreita com as equipas de empreendedores, apoiando a gestão do negócio. Isto permite que, agora, os empreendedores possam eleger o fundo com que tenham melhor encaixe. Por isso, já não se procura apenas financiamento, mas também um apoio integral ao negócio.

O maior desafio, se me perguntar, é que Espanha se converta num líder na inovação tecnológica no sul da Europa. Potencial há, sem dúvida. Como dizia, temos uma das maiores percentagens de graduados em Engenharia e Tecnologia da OCDE, cada vez mais jovens empreendedores bem-sucedidos, mais fundos para start-ups… Esta liderança também passa por conseguir que se adaptem boas ideias de fora para o mercado espanhol, mas também que surjam novos modelos disruptivos aqui. Por outro lado, o outro grande desafio é conseguir que continue a aumentar o venture capital e outras formas de financiamento e apoio em fases mais prematuras.

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