Um passeio pelo Congresso Mundial de Tecnologia Móvel

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Esta semana, realizou-se o Mobile World Congress em Barcelona, o acontecimento mais importante do setor da mobilidade a nível mundial. O evento conseguiu reunir mais de 1300 empresas desta indústria, um setor que se move num mundo em crise quase sem se modificar e que não para de crescer.

Nos escaparates mais previsíveis da feira, foi possível ver um avanço significativo em ecrãs táteis maiores e precisos, uma tendência para procurar uma maior rapidez de atualização nas redes sociais e um universo de aplicações de várias categorias, que constituem uma indústria subsidiária das próprias companhias de telecomunicações que se encontra em franco crescimento.

No dia da inauguração, a Telefónica surpreendeu ao oferecer ao congresso uma rede móvel de acesso à Internet 4G com tecnologia LTE, disponível em todo o centro de Barcelona, e que permite velocidades até 100 Mb de download e até 60 Mb de upload. Esta ação pretende ser o ponto de partida para projetos semelhantes noutras cidades.

HTC ONe

No que toca aos participantes, destaca-se a ausência esperada da Apple, que tenta sempre diferenciar-se dos outros, até mesmo em atos próprios do setor a que pertence. Mas também se destaca a ausência da Intel e Windows, que costumavam ser os líderes do panorama do acesso à Internet e que agora, na era “pós-PC”, perderam a hegemonia devido ao seu claro fracasso em adaptar-se ao meio móvel. Empresas de processadores como a Qualcomm ou a Nvidia, que cresceram paralelamente ao desenvolvimento dos celulares, aceitaram o testemunho do domínio dos mecanismos interiores dos dispositivos e, por sua vez, o Android assume o comando do sistema operativo que os coordena. Apenas a Nokia, com os seus celulares Lumia e a aposta no software Windows, pode vir a acertar em cheio e tornar-se, como preveem alguns gurus, a terceira candidata ao topo dentro de alguns anos.

Todas as grandes empresas tentam destacar-se das suas concorrentes e, sobretudo, marcar tendências que diferenciem a sua marca das outras, como é o caso da HTC, que pretende tornar-se a referência do entretenimento a partir do celular com a sua nova gama HTC One, na qual introduziu melhorias significativas a nível de som e fotografia, sendo que pretende mesmo chegar ao nível de uma câmara convencional. É uma boa aposta, tendo em conta a importância que a imagem tem nas redes sociais. Dos 90.000 milhões de fotografias que são colocadas no Facebook anualmente, 50% delas são subidas a partir de um celular e, dos 700.000 milhões de fotografias que serão tiradas em 2012, 29% delas serão tiradas com um celular, segundo prevê a empresa de armazenamento Sandisk.

Sony Xperia NXT

A Sony, que acaba de começar a sua carreira a solo após a dissolução da sua joint venture com a Ericsson, aparece com a nova gama Xperia NXT. Um verdadeiro luxo tecnológico, com um ecrã de alta definição de quatro polegadas, gravação de vídeo com 1080 píxeis, fotos com 12 mega píxeis e um certificado da PlayStation para jogar com títulos da consola no celular ou até mesmo no televisor.

Uma das novidades técnicas mais significativas foi da responsabilidade dos modelos Eluga da Panasonic que, com a sua resistência debaixo de um metro de água durante 30 minutos, trouxeram um toque de funcionalidade para a utilização no dia-a-dia que não é fácil de encontrar nos outros modelos. Foi ainda apresentado o celular e comando remoto da ZTE, o iPazzPort, que pode ser usado para jogos de vídeo utilizando a televisão.

Quanto às empresas de telecomunicações, foi anunciado o novo serviço de mensagens instantâneas Joyn, impulsionado pela Vodafone, pela Telefónica e pela Orange, e que pretende reconquistar o mundo das mensagens móveis que foi entretanto arrebatado por serviços como o Whatsapp. As diferenças que apresenta são, basicamente, o facto de as mensagens circularem pelas redes celulares das operadoras e não através da Internet e também a possibilidade de estabelecer conversas com vídeo entre dois usuários. Obviamente, o serviço será gratuito para se manter na competição, mas tenta fazer render as ligações de voz que possam ser associadas ao contacto, caso existam.

A China desembarcou no congresso com vontade de mostrar que, em pouco tempo, pode tornar-se a terceira potência mundial em celulares, ou pelo menos é esse o objetivo da marca que ocupa atualmente a quarta posição, a ZTE. Os seus números não indicam o contrário, tendo crescido o dobro da média da indústria, 50% em terminais, 400% nos smartphones e, até 2015, pretende duplicar a sua presença nos Estados Unidos da América e triplicá-la na Europa. O outro grande fabricante chinês, a Huawei, também começa a chamar a atenção fora da região asiática.

Huawei Ascend D quad

Outro dos sinais de evolução esteve a cargo da Asus, que começou por ser um fabricante de componente, tendo depois triunfado com os netbooks e que agora oferece o PadFone, uma combinação entre celular, tablet e portátil cujo objetivo é dar resposta aos desejos de usabilidade e conectividade do usuário.

Também no campo dos tablets, a Samsung apresentou a sua gama atualizada, mais atualizada, com o mesmo processador mas com a última versão de sistema operativo, o Android 4.0, e uma maior integração com aplicações próprias da marca. Outros celulares, como os da LG, o Optimus 4X HD, com ecrã de 4,7 polegadas e que consegue oferecer o mesmo rendimento do que um computador de mesa, e o LG Optimus Vu, com um ecrã de 5 polegadas, pretendem assemelhar-se mais a um tablet do que a um celular. Ambos querem fazer concorrência ao já conhecido Samsung Galaxy Note no setor dos celulares de grandes dimensões ou mini tablets.

PadFone de Asus

Desta feira, surgiu mais uma aliança, um acordo entre a Telefónica Digital e a Mozilla, através do qual pretendem desenvolver uma plataforma de comunicação móvel que permitirá aligeirar o software dos atuais telefones inteligentes, fazendo com que as aplicações funcionem de forma mais ágil e que os preços dos terminais baixem. O objetivo é criar smartphonesmais baratos para os países emergentes, onde a sua presença é ainda modesta, rondando os 20%. A plataforma será aberta, apoiando-se na Nuvem e com base em HTML5. Esta abordagem entra em conflito com os interesses da Apple e com os do Android do Google. E assim temos outro confronto tecnológico.

LG Optimus Vu

Se, com base no que foi apresentado neste congresso, nos propuséssemos criar o celular ideal, o resultado seria um smartphone com processadores Nvidia ou Qualcomm de quatro núcleos, sistema Android de última geração, cartão dual SIM, ecrã multitoque de 4,5 polegadas e 7,4 milímetros de espessura, com ligação 4G, uma câmara de 10 ou 12 mega píxeis e gravação de vídeo de alta definição, aplicações com ligação e armazenamento na Nuvem, interatividade com outros ecrãs e com um preço médio/baixo.

Para terminar, queremos deixar-lhe duas infografias com os olhos postos no futuro da tecnologia móvel.

A primeira, da Softonic, mostra os grandes destaques da feira desde o seu início, em 2006, até hoje e ainda indica as sete tendências para o futuro do setor.

A outra “viagem ao futuro” é feita por Pepe Cerezo. No seu blogue, compilou os principais acontecimentos que, segundo algumas das empresas de investigação e análise mais importantes, marcarão o setor em 2016.

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

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