Urge incorporar o pensamento criativo e visual na escola?

Visual Thinking
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O pensamento criativo é a competência que nos permite abordar a realidade através de perspetivas distintas da convencional, reelaborando as nossas ideias para, além disso, as vincular de forma diferente aos conceitos assumidos. Isto nos ajuda a adaptar-nos a situações e desafios com uma atitude positiva face o imprevisto, com o propósito de gizar meios e estratégias que nos permitem alcançar novos feitos.

Mas será possível aprender a melhorar a qualidade do nosso pensamento e a ser criativo? Se ouvirmos as palavras do educador, escritor e speaker britânico Sir Ken Robinson numa das suas palestras TEDmais famosas, as escolas “matam a criatividade”, pelo que o último lugar onde devemos esperar que nos ensinem a ser criativos é a sala de aula.

Para confirmar se a escola matou definitivamente a nossa criatividade, podemos guiar-nos pelos cinco testes mais utilizados para identificar o pensamento criativo, presentes no blog deTodd Anderson:

  1. Usos alternativos. Desenvolvido pelo psicólogo estado-unidense Joy Paul Guilford em 1967, este teste mede o pensamento através de quatro categorias: fluidez, originalidade, flexibilidade e elaboração. Consiste numa prova na qual, durante dois minutos, devemos averiguar todos os possíveis usos que podemos dar a um simples objeto quotidiano.
  1. A figura incompleta. Desenvolvido nos anos 60 pelo psicólogo Ellis Paul Torrance, este teste é utilizado com frequência em muitas escolas.
  1. Puzzles. Os psicólogos utilizam os puzzles como método de raciocínio verbal para procurar soluções para potenciais problemas.
  1. Associações remotas. Criado pela investigadora do sono Sara Mednick, consta de 30 itens: em cada um deles se apresentam três palavras com significados muito diferentes e é necessário encontrar outro vocábulo que as relacione.
  1. O problema da vela. Trata-se de um teste clássico que foi desenvolvido pelo psicólogo Karl Duncker em 1945.

De acordo com os especialistas, hoje em dia, os resultados dos testes realizados em centros educativos são mais baixos do que na década de 1990. No entanto, docentes dos cinco continentes começaram a incorporar a prática de aulas dinâmicas para estimular o pensamento criativo, derivadas das investigações e das experiências desenvolvidas por pedagogos e especialistas em educação como David Perkins, Robert Swartz ou Edward de Bono, que estão espalhando por todo o mundo uma nova Cultura de Pensamento. Sobre isto falaremos hoje, a partir das 19:00 (hora espanhola), no Café Crea 7: sobre ensinar a pensar para aprender a aprender.

Que ligações existem entre o pensamento criativo e o pensamento visual ou visual thinking?

Sete especialistas de Espanha e da América Latina vão introduzir-nos na cultura do pensamento e no visual thinking, uma estratégia cognitiva que permite organizar as ideias, expectativas e projetos de uma forma gráfica e visual, baseando-se em métodos para estruturar a informação e gerir o conhecimento através da percepção. O ilustrador Marcos Balfagón, que participará esta tarde no debate, explica esta ideia visualmente. De que outra maneira poderia ser?

O desafio é bem claro: devemos aprender a pensar visualmente. Numa entrevista para a Inevery Crea, María Acaso, professora e investigadora da Faculdade de Belas Artes da UCM e autora do livro “rEDUvolution”, entre outros, que estará também presente no debate de hoje, liga diretamente a educação artística e visual com o nascimento do pensamento crítico: “Associa-se a educação artística com um workshop para aprender técnicas, mas não com uma dinâmica para construir conhecimento, quando a verdade é que a maioria do conhecimento com que lidamos atualmente é visual.”

Por sua vez, a especialista argentina em pensamento visual Par Molla resume assim as vantagens de ensinar o Visual Thinking:

  • Dialogar de uma maneira inovadora
  • Focar o fundamental
  • Identificar o que é acessório
  • Sair de espaços de discussão
  • Encontrar pontos em comum
  • Obter uma perspetiva de totalidade
  • Poder caminhar de forma conjunta rumo a novas soluções

Em suma, trata-se de um processo que consiste em inverter e manipular ideias num desenho ou num mapa mental, utilizando elementos relacionados entre si para assim conseguir compreender melhor, identificar problemas, descobrir soluções, simular processos e descobrir novas ideias.

A docente Carmen González, que vai moderar o Café Crea de hoje, disse num post para a Inevery Crea que dar visibilidade ao pensamento implica “tornar os alunos conscientes do ato de pensar”. Para tal, devemos lhes fornecer ferramentas que os ajudem a identificar “o tipo de pensamento que estão utilizando e os passos que seguem em cada um deles.” Podemos fazê-lo utilizando uma destas 20 ferramentas simples.

O Café Crea “Pensamento Criativo e Visual Thinking” tem lugar hoje às 19:00 (hora espanhola). Para saber mais pormenores ou acompanhar a sessão por streaming, clique aqui.

Isabel Andrade

Santillana Negocios Digitales

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