Verne nomeado para os Prémios Gabo por quebrar os tabus do período

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“Esta é uma história que lança luz sobre um tema tabu de uma forma criativa, subtil e repleta de ironia.”

Assim começa a apologia do júri do Prémio Gabriel García Márquez de Jornalismo do especial que o Verne dedicou a dar visibilidade à menstruação e que lhe granjeou, nada mais, nada menos, do que a nomeação para finalista, na categoria de inovação, dos Prémios Gabo 2018. O caráter de novidade deste especial não está tanto na abordagem tecnológica ou no design com que Verne fez a reportagem, mas sim na forma simples como normaliza uma experiência feminina da qual quase não se fala e na prestação de um serviço público ao fazer jornalismo com rigor.

De facto, o especial intitulado 28 días: 28 historias sobre los tabúes de la regla tem um interface interativo, interagindo de forma ativa com os leitores através das redes sociais, com uma alegoria que funciona e que tenta relacionar os 28 dias do ciclo menstrual com 28 histórias contadas por mulheres que tenta trazer à luz a natureza feminina, sempre tão rodeada de mitos e ocultação.

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A cargo desta maravilha jornalística quase transformada em prémio (temos a certeza de que o conquistará), temos Mari Luz Peinado,que coordenou o projeto a partir de uma ideia original de Lucía González, contou com o design e layout deAna FernándezeNelly Natalí e com a edição gráfica de Anabel Bueno. 

Pedimos à responsável da secção Verne, Mari Luz Peinado, que nos falasse um pouco mais sobre o que significa para a equipa ser nomeada para este prémio e o que representou criar este projeto.

O que se sente quando se é nomeado para um prémio como este?

Verne está em espírito de celebração. Somos um dos três finalistas do Prémio Gabriel García Márquez de Jornalismo na categoria de Inovação por um dos nossos projetos. 28 días: 28 historias sobre los tabúes de la regla é um projeto coletivo multimédia e multiplataforma que aborda o tema da menstruação a partir de vários ângulos: saúde, sociologia, economia, experiências na primeira pessoa, humor, antropologia… Tudo com o objetivo de falar com naturalidade e rigor sobre um tema que continua envolto em preconceitos e desinformação.

Estamos radiantes porque é um dos prémios de jornalismo mais prestigiados e porque é a categoria que melhor define Verne: a inovação.

Ainda é necessário, em pleno século XXI, dar visibilidade a um tema tão natural como o período?

A menstruação acompanha metade da população ao longo de mais de 40 anos das suas vidas, mas até as próprias mulheres continuam a ter dúvidas sobre o tema. Por isso, as reportagens do projeto “28 días” dirigem-se de uma forma direta e simples a mulheres de todas as idades. O especial surgiu do interesse que, cada vez mais, as leitoras demonstram de forma pública pelo tema, especialmente as mais jovens. O período é um tema que é abordado cada vez com mais naturalidade entre as adolescentes e nas redes sociais, mas apercebemo-nos de que quase não está presença nos meios de comunicação social.

O que destacarias neste especial?

Uma das melhores coisas deste especial é o facto de nele terem participado mais de 30 pessoas, entre jornalistas, ilustradoras, equipa de filmagens, redes sociais, design, programação, etc. E, apesar de ser um projeto que nasceu no Verne, envolveu colegas de outras secções e também colaboradoras. Trabalhar com tantos pontos de vista distintos ajudou a enriquecer o especial e a poder tratar da melhor maneira possível um tema tão abrangente e complexo. E, para chegar melhor aos nossos leitores, utilizámos uma multitude de formatos e canais.

Abrimos contas próprias nas redes sociais e não nos limitámos a escrever reportagens, tendo também publicado ilustrações, vídeos e infografias e realizado ações exclusivas para as redes sociais.

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Acreditas que vos darão o prémio?

Comecei por dizer que estávamos em espírito de celebração, apesar de ainda não termos ganhado prémio nenhum. Saberemos no dia 4 de outubro, quando se der a cerimónia da Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano, em Medellín. Os outros dois finalistas são os projetos Balas Perdidas, de AFP Brasil, e Los desterrados del Chaco, de El Surtidor, do Paraguai. Mas, apesar de parecer um chavão, já ganhámos um grande prémio, que é ter ajudado a colocar a discussão sobre a mesa (ou no ecrã) e dar visibilidade a algo que não devia ser considerado um tema tabu.

Como já mencionámos, estamos convencidos de que o prémio será atribuído, decididamente, à equipa do Verne, que tem recebido grandes demonstrações de apoio na redação e no resto do Grupo. E, claro, os sinceros agradecimentos por parte das autoras.

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