WhatsApp e Zuckerberg dominam a feira das telecomunicações

Mobile phone.

Mobile World Congress (MWC) de Barcelona encerrou as suas portas na passada quinta-feira. Esta edição voltou a bater o recorde de visitantes (a organização informou que, este ano, compareceram mais de 85.000 pessoas vindas de 201 países), mas não restam dúvidas que ficará na história por ter sido a edição de Zuckerberg e Jan Koum, os fundadores do Facebook e do WhatsApp, respetivamente. O anúncio feito dias antes da feira de que a rede social ia comprar o serviço de mensagens instantâneas por 19.000 milhões de dólares (cerca de 13.800 milhões de euros) foi suficiente para que ninguém quisesse perder as palestras de ambos.

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As suas palestras, esgotadas, serviram de estímulo para muitos empreendedores, mas também semearam a ira entre as operadoras de telecomunicações. Zuckerberg mandou uma mensagem direta: quer conectar todo o mundo à Rede, e disse que “o acesso à Internet deve ser gratuito ou quase”. Por seu lado, Koum lançou outra farpa às operadoras: o WhatsApp incluirá em breve serviços de voz. Uma oferta que se juntará ao seu popular serviço de mensagens instantâneas, já utilizado por cerca de 470 milhões de usuários em todo o mundo. O diretivo afirmou que os serviços de voz chegarão esta Primavera aos celulares com Android e aos iPhone da Apple e que, posteriormente, chegarão aos terminais da Microsoft e da Nokia.

Foram duas mensagens que caíram como bombas para a Telefónica, a Vodafone, a Yoigo… que mandaram uma mensagem semelhante sempre que tiveram oportunidade: o êxito futuro das apostas milionárias como o WhatsApp e o Skype vai depender do desenvolvimento das redes de nova geração, tanto fixas como de fibra ótica, como móveis, com o 4G e o futuro 5G. “Sem infraestruturas físicas, estes serviços não poderão funcionar corretamente”, concluíram.

geeksphone

As operadoras insistiram na necessidade de haver “um modelo reequilibrado”. O que elas definem como um equilíbrio junto entre investimentos e receitas. “Se os únicos a ganhar dinheiro forem os fabricantes de celulares e os WhatsApps, ninguém vai querer investir nas redes. Não pode ser tudo grátis”, resumiu o CEO da Yoigo, Eduardo Taulet.

Por falar no poder dos fabricantes de celulares, outro grande protagonista da feira foi a Samsung. A apresentação do seu novo smartphone, o Galaxy S5, foi o centro das atenções. Mas nem este celular nem os apresentados por outros gigantes como a Sony ou a chinesa Huawei foram os mais inovadores. As ideias mais originais foram apresentadas, curiosamente, por fabricantes europeus (o que é interessante, depois de a Microsoft ter comprado a Nokia). A companhia russa Yota, a espanhola Geeksphone (aliada à checa Silent Circle) e a finlandesa Jolla atreveram-se a apresentar propostas que querem marcar as tendências. Um celular com duas telas (um LCD a cores e uma de tinta eletrónica) para poupar bateria; um smartphone que usa a tecnologia para garantir a privacidade total e à prova de espiões, e um celular com o sistema operativo de código aberto Sailfish OS, que conta com um interface muito simples que é operado através de gestos. Além disso, permite a personalização por software e fisicamente, alterando a parte de trás do celular, uma vez que é composto por duas peças.

Jolla

Outra novidade de destaque é o lançamento do primeiro Nokia com uma versão personalizada do Android. Uma medida que, a priori, parece estranha, uma vez que se trata do sistema operativo da Google, a principal rival da Microsoft (que é agora dona da Nokia). Mas, se pensarmos bem, há mais leituras. Por um lado, a Microsoft-Nokia tira partido do enorme número de aplicações desenvolvidas para Android (muito maior do que as que o gigante de Redmond tem para o Windows Phone). Por outro lado, a Microsoft permite-se assim entrar com mais força em mercados emergentes, onde os celulares com o seu sistema operativo não chegam devido ao seu preço. Também não podemos esquecer que a Microsoft recebeu em 2013 entre 2.000 e 3.000 milhões de dólares de forma direta pela cobrança de licenças por patentes vinculadas ao Android. À partida, parece uma boa jogada. Mas logo veremos…

HuaweiTalkband

A famosa feira da mobilidade em Barcelona também deixou clara uma grande guerra entre os sistemas operativos móveis. Perante a omnipresença do Android, a força do iOS e o terceiro lugar já conquistado pelo Windows Phone, o Firefox tentou voltar a marcar posição. Só com a Telefónica, planeia chegar a mais oito países. O Blackberry mal se viu e quem também se deixou ver apenas timidamente foi o Ubuntu.

A tendência que não passou despercebida a ninguém é a tendência dos dispositivos vestíveis (um nome terrivelmente feio). Em breve, quem não usar um wearable não será ninguém. Os relógios inteligentes, os óculos e, sobretudo, os medidores em forma de pulseira causaram furor. Algumas das peças de maior destaque foram: o Sony Smartband, o Samsung Gear Fit, o Huawei Talkband e o LG Lifeband, um pouco mais aparatoso. E parece também que não conseguiremos viver sem um automóvel conectado. Ou disso nos quiseram convencer neste último Mobile World Congress.

Mais informação no Especial MWC14 eleborado por Cinco Días.

Marimar Jiménez/ Santiago Millán

Redactores de Cinco Días, PRISA Noticias

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