Porquê usar apps educativas?

O boom dos dispositivos móveis ao longo dos últimos anos e, sobretudo, o lançamento do iPad em 2010 propiciaram um novo mercado para as editoras: o das aplicações educativas. Atualmente, calcula-se que há mais de 80.000 aplicações educativas disponíveis nas diferentes plataformas de venda de apps para tablets y smartphones: AppStore, Google Play, Samsung Apps… Um dos segredos para este sucesso, além da motivação que constitui para as crianças trabalhar com este tipo de dispositivos, radica no facto de as apps contribuírem com uma forte componente lúdica para alguns procedimentos educativos que, até agora, estavam exclusivamente destinados ao papel.

As apps abrem um espaço de interação onde se estabelecem determinadas pautas e uma dinâmica de participação que devem ser atrativas para as crianças. Portanto, o objeto da aplicação deve ser muito claro e é tão imprescindível saber o que o usuário vai aprender como definir a forma como vai fazê-lo e quais são as dinâmicas que serão empregues para seduzi-lo. Dentro deste processo, assume um papel muito relevante o conceito, ao qual se recorre muito atualmente, de gamificação, que consiste, basicamente, em integrar uma dinâmica de jogo e de recompensas em diversos produtos, com o intuito de alcançar uma série de objetivos e cativar o usuário com um processo de consumo mais motivador. Tendo isto em conta, a educação parece um contexto natural para colocar esse conceito em prática. O que pode ser mais motivador para uma criança do que aprender brincando? Sobretudo se puder fazê-lo com um tablet!

No plano da conceção, é importante ter em consideração dois aspetos fundamentais: o valor da componente gráfica e a experiência do usuário (interação, usabilidade, acessibilidade, perceção…) que se oferece. Os elementos gráficos que fazem parte da app devem ser atrativos, úteis, divertidos e, acima de tudo, estar em consonância com o objetivo de aprendizagem e com a faixa etária a que a app se dirige. O mesmo se pode dizer da experiência de usuário, acrescentando também que é vital que cada uma das ações que se podem realizar com a app devem estar prevista de antemão e totalmente adaptadas às capacidades que a criança tem dentro da faixa etária a que se dirige.

 

 

Qual é o papel das editoras no desenvolvimento das apps educativas?

Tendo em conta tudo o que foi dito, falta apenas mencionar que o papel das editoras é fundamental para o desenvolvimento de aplicações educativas. E não é por menos, pois nestas se concentra a experiência que vem de trabalhar durante anos em materiais educativos adequados para cada ciclo, com a diversidade que isso representa. Dão resposta às necessidades que este tipo de conteúdos exige, constroem os seus próprios métodos de aprendizagem e melhoram-nos com a prática… Mas isso não é o suficiente, pois para fazer uma boa aplicação é também necessário conhecer todas as possibilidades e todas as limitações que este formato oferece a nível técnico, assim como ter a noção da linha de negócio que se quer estabelecer com ela. Os conteúdos e a tecnologia devem se complementar para gerar uma experiência educativa de valor positivo, onde os primeiros serão potenciados ao máximo graças às funcionalidades e à interatividade que os dispositivos móveis oferecem.

É fundamental, por conseguinte, que as editoras participem na exploração dos avanços tecnológicos que se produzem para analisar as melhores fórmulas para enriquecer os seus conteúdos e assim acompanhar novas práticas educativas mais motivadoras. Não obstante, esta análise deve realizar-se sempre de um ponto de vista crítico, pois não faz sentido experimentar todas as tecnologias que aparecem, mas apenas aquelas cuja aplicação possa contribuir com um valor diferencial, uma vez que este tipo de avaliação requer um esforço económico por parte da empresa.

 

 

Outro aspeto muito importante que as editoras devem ter em consideração quando embarcam no desenvolvimento de uma app é que, ao contrário do papel, o produto nunca está, ou nunca deve estar, terminado a 100%. Pode-se cair no erro de pensar que, quando a aplicação é posta à venda em qualquer uma das plataformas de apps, o seu ciclo de desenvolvimento fica concluído. Na verdade, não é assim, uma vez que, a partir desse momento, inicia-se uma série de processos que ajudarão a otimizar a app e a determinar a aceitação que ela está tendo entre os usuários: conhecer a opinião do usuário, notificações, correção de erros, evolução e atualização de conteúdos e de funcionalidades, seguimento da aplicação, estratégias de marketing, conversão para outras plataformas… Ações que o usuário espera que aconteçam quando compra ou instala uma app no seu tablet e que são imprescindíveis para manter o seu produto na linha da frente das lojas de aplicações.

Por último, falta apenas mencionar que se espera das editoras que ofereçam a mesma garantia de conteúdos de rigor e qualidade que oferecem nos livros, mas que abram ao mesmo tempo uma porta para os formatos mais inovadores, com o objetivo de oferecer experiências muito mais enriquecedoras e de acordo com os tempos que vivemos.

 

David García

Chefe de projetos de Mobilidade na Santillana Negócios Digitais

Comments are closed.

MENU
Leer entrada anterior
A vida através dos Google Glass

Com as expectativas em alta e muita curiosidade sobre esta invenção, pedimos à Google que nos deixasse experimentar os Google...

Cerrar