Por que não podem os jornalistas virar as costas às redes sociais?

Periodismo y redes sociales

Como divulgámos há uns meses, Manuel Moreno é o primeiro jornalista espanhol a receber uma bolsa Kiplinger Fellowship para estudar mais a fundo as novas formas de implementar as redes sociais nos meios de comunicação social. Após a sua passagem pela Universidade do Ohio, Manuel partilha connosco algumas das conclusões que retirou desta experiência, assim como os seus esforços para criar a sua própria marca como jornalista na Internet: TreceBits.

Um jornalista que vira as costas às redes sociais está talvez cometendo o maior erro que pode cometer enquanto profissional. As novas ferramentas 2.0 são a melhor oportunidade que se apresenta ao jornalista para dar a conhecer o seu trabalho e para criar para si uma imagem pessoal na Internet que o ajude a atingir os objetivos a que se propõe.

Já sabemos que as redes sociais são uma fonte de informação – nem sempre fiável, mas para isso serve o trabalho jornalístico da confirmação – essencial para o trabalho diário do informador, mas são muito mais do que isso: são uma janela para o mundo através da qual podemos mostrar quem somos. Não há limites, nem sequer há a condicionante de estar trabalhando para um meio de comunicação ou não ter um posto de trabalho. Nas redes sociais, o jornalista pode encontrar o seu próprio meio, a maneira de se dar a conhecer e demonstrar as suas capacidades.
No mês passado, tive a oportunidade de assistir, com uma bolsa da Universidade do Ohio, nos Estados Unidos, a um curso de especialização para jornalistas digitais, o Kiplinger Program in Digital Media, em que esta ideia foi reforçada e recebemos diretrizes básicas para fazer das redes sociais uma das ferramentas mais úteis com que podemos contar.
Durante o curso, confirmaram que parar para pensar se estar nas redes sociais é positivo ou negativo já não faz sentido. Mesmo que o jornalista não se mova nas redes, a comunidade, os indivíduos a que as suas informações se dirigem, está lá. E é preciso ficar perto do público, das pessoas que podem perceber o nosso trabalho ou as nossas capacidades. É preciso mostrar-lhes o que sabemos fazer através de todos os canais possíveis.

Robert Hernández, professor de jornalismo na Universidade da Califórnia do Sul, disse-nos no Ohio que o dilema quanto a se os jornalistas devem ou não estar nas redes sociais já não existe e deu-nos cinco regras básicas para as usarmos como jornalistas:

  • Primeiro, o jornalismo; a tecnologia vem em segundo lugar. Ou seja, o jornalista deve se lembrar, antes de mais e acima de tudo, que é jornalista e que está usando ferramentas diferentes (sejam elas a máquina de escrever, o computador, o Twitter ou o Facebook) em prol do jornalismo. Há tecnologias que aparecem, outras que deixam de ser usadas… mas o nosso objetivo há de ser sempre informar a nossa comunidade, e podemos usar a tecnologia para fazer isso.
  • Se a sua mãe disser que ama você… comprove. Sobretudo se lhe disser pelo Twitter. É preciso verificar todas as informações e notícias que lhe cheguem através das redes sociais. Tudo o que temos enquanto jornalistas é a nossa credibilidade.
  • As redes sociais nunca substituirão as entrevistas telefónicas ou em pessoa. Você é um mau jornalista se só confiar no que lhe chega pelas redes sociais… mas também é um mau jornalista se não as utilizar. É preciso procurar a interação com os leitores, tanto no mundo virtual como no mundo real.
  • Você é cidadão, marca e jornalista. A transparência é a nova objetividade. O jornalista deve ser genuíno, deve ser real, tal como é na vida real… mas também tem de ter em conta que as suas opiniões no Twitter podem abrir ou fechar portas. O jornalista deve se perguntar… Como quero que a minha comunidade me veja? Qual é a minha marca?
  • Abra a sua mente. O jornalista deve estar aberto a experimentar novas ferramentas sociais. Não deve pensar que a tecnologia vai acabar com o jornalismo… mas também que o vai salvar. Deve compreender as novas redes sociais e aplicações… porque, mesmo que as ignore, a sua comunidade vai utilizá-las, e o jornalista tem de chegar a ela. O fundamental é adaptar-se às mudanças, encará-las como um desafio… e utilizá-las para informar!

Estas cinco regras podem parecer óbvias para alguns, mas é necessário pô-las em prática em conjunto, para que o jornalista não tenha medo de usar as redes sociais e as utilize com o devido respeito.

A principal conclusão que retiro de todas elas é que o jornalista se representa a si mesmo nas redes sociais e representa o principal valor que tem: a sua credibilidade.

Não dei o exemplo da bolsa na Universidade do Ohio por acaso, apesar de ser sempre muito complicado falar de mim mesmo. Mas a verdade é que consegui essa bolsa, juntamente com 20 outros jornalistas dos Estados Unidos (e apenas três internacionais), graças à presença online, à imagem e à força de TreceBits nas redes sociais. Num momento de grandes dificuldades no meu trabalho como jornalista, decidi usar as redes sociais como um canal para mostrar a minha competência como comunicador, através da criação de um blogue especializado que difundi nos Social Media.

Hoje, posso dizer que a utilização destas ferramentas me foi muito benéfica como jornalista: conheci muitos profissionais com quem tive a sorte de colaborar; elas me permitiram divulgar o que faço e até me ajudaram a me posicionar no meu trabalho. Hoje, como jornalista, já tenho uma marca: sou o TreceBits.

Cada jornalista deve encontrar a melhor forma de utilizar as redes sociais em seu próprio benefício, partilhando nelas as coisas com que se sente à vontade, mas sem esquecer que, provavelmente, as redes são a ferramenta mais poderosa para criar uma marca pessoal. Dar forma a essa marca é um trabalho que cabe a cada um, mas as plataformas estão ao alcance de todos.

Manuel Moreno é o criador de TreceBits.com

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