10 tecnologias inovadoras que parecem retiradas da Ficção Científica

O Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT) publicou na sua revista oficial, a «MIT Technology Review», o seu estudo anual TR10, no qual aposta em dez avanços tecnológicos que terão um profundo impacto sobre a sociedade a partir deste ano.

Todos os anos, surgem centenas de soluções tecnológicas, mas nem todas chegam a bom porto, por isso, nesta lista, foram tidas em conta apenas as que realmente podem vir a tornar-se verdadeiros marcos tecnológicos. Todas são soluções para problemas colocados pela ciência há vários anos e que chegaram mesmo a ser objetos de interesse na literatura e no cinema de ficção científica, e que agora se tornaram possíveis. Veja neste texto a relação entre a ficção e a realidade em cada uma delas.

 ● 1.- Drones para a agricultura

As aeronaves não tripuladas de custo reduzido que permitem encontrar novas formas de aumentar a produção, otimizar a rega e evitar danos nas colheitas com a informação que proporcionam em cada voo, através dos numerosos sensores que têm incorporados.

  • Como foi visto na ficção científica:Oblivion” (2013).

É muito esperançoso ver como os drones se desenvolvem em outros campos que não o militar. Concebidos tradicionalmente pela ficção científica como artefactos de destruição, surge finalmente a aplicação mais útil destes instrumentos.

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  • Como é na realidade: O drone da PrecisionHawk está equipado com múltiplos sensores para captar imagens dos campos.

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● 2.- Smartphones ultra privados

Novos telefones celulares nos quais a segurança e a privacidade são as funcionalidades mais importantes. Num mundo em que a publicidade e os governos estão alcançando níveis muito elevados de intrusão, é muito necessário olhar por este tipo de coisa.

  • Como foi visto na ficção científica: “The Matrix” (1999).

Felizmente, ainda não chegámos ao ponto do mundo de “Matrix”, onde o domínio das máquinas é dono e senhor, não só dos dados, mas também das próprias pessoas, mas é verdade que tanto os governos como os anunciantes estão indo longe demais na questão da privacidade dos dados.

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  • Como é na realidade: O Blackphone é um smartphone de alta segurança criado pelo criptógrafo Phil Zimmermann, muito dedicado à proteção de dados e à defesa da privacidade das pessoas. Trata-se do primeiro celular com filtração de dados a ser lançado no mercado.

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● 3.- Chips neuromórficos

O objetivo é conseguir que os microprocessadores estejam configurados como se fossem cérebros humanos, ou seja, que sejam capazes de reconhecer o que os rodeia e agir em conformidade. Uma conceção que permite dar passos de gigante no contexto da inteligência artificial.

É uma das imagens mais recorrentes da ficção científica, um computador que ganha consciência de si mesmo e que quer ser como os humanos ou até mesmo superior. Temos como exemplos o HAL de “2001, Odisseia no Espaço” e a Rainha Vermelha da Umbrella Corporation em “Resident Evil”.

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  • Como é na realidade: A Qualcomm tenta criar microchips que unam a biologia à tecnologia. O seu robô Pioneer é um exemplo de sucesso neste âmbito.

● 4.- Edição de genomas

A capacidade de criar geneticamente novos primatas com determinadas mutações que permitam, através do seu comportamento posterior, proceder ao estudo de doenças humanas.

Nesta versão recente de “O Planeta dos Macacos”, são levadas a cabo experiências genéticas com primatas, criando um exemplar de chimpanzé especialmente inteligente que acaba por se revoltar contra a humanidade, para que ele e a sua espécie deixem de ser cobaias de laboratório.

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  • Como é na realidade: As macacas gémeas Mingming e Lingling nasceram no centro de Investigação Biomédica de Primatas de Yunnan, na China. Os investigadores utilizaram pela primeira vez um novo método de manipulação do ADN conhecido como CRISPR para modificar os óvulos fertilizados e editar três genes distintos. Com isto se cria a possibilidade de estudar doenças complexas.

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● 5.- Robôs Ageis

A tecnologia está conseguindo fazer com que os robôs trapalhões e limitados que foram criados até agora se tornem verdadeiros todo-o-terreno, indo muito mais além de onde chegam as rodas.

São vários os títulos de filmes em que surgem robôs cujas características físicas são semelhantes às humanas e até mesmo significativamente superiores, na maioria das vezes para prejuízo da humanidade.

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  • Como é na realidade: Protótipos como o robô humanoide Atlas, criado pela Boston Dynamics, são exemplos do aperfeiçoamento em termos de equilíbrio e agilidade.

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● 6.- Oculus Rift

Estes óculos, de que já falámos outras vezes no blogue, serão a chave para um novo modo de entretenimento baseado na realidade virtual. Não nos limitaremos a jogar video games ou a ver conteúdos, estaremos efetivamente dentro deles.

Todos estes exemplos são filmes baseados na interação do homem com a máquina por intermédio da realidade virtual.

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  • Como é na realidade: A criação de Palmer Luckey, com apenas 16 anos, tornou-se um verdadeiro êxito, como está patente na aposta por parte do público e da indústria no mais recente protótipo do Oculus VR. Outras inovações como as da Nvidia e da Sony tentam competir com o Oculus.
● 7.- Colaboração móvel

Smartphones com software desenvolvido exclusivamente para o trabalho em equipe. O trabalho torna-se móvel e as novas aplicações providenciam um serviço mais ágil e potente, permitindo trabalhar em grupo em qualquer lugar.

A comunicação através de dispositivos móveis e sem fios sempre foi uma constante nos filmes futuristas.

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  • Como é na realidade: Graças a novos programas para dispositivos móveis como o Quip ou o Quickoffice, é muito mais fácil criar e editar documentos de forma conjunta e em tempo real, ao que se junta os serviços de armazenamento na nuvem, como a Box, a Dropbox, a Google Drive e a OneDrive, que permitem que vários usuários intervenham no mesmo arquivo em simultâneo.

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● 8.- Microimpressão em 3D

O futuro desta tecnologia está na capacidade de imprimir tecidos biológicos com vasos sanguíneos.

  • Como foi visto na ficção científica: “Blade Runer” (1992)

O mítico filme de Ridley Scott mostra um mundo em que há seres criados com implantes genéticos desenvolvidos em laboratório.

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  • Como é na realidade: Falamos da possibilidade de criar órgãos novos para substituir outros danificados ou até mesmo criar órgãos com novas funcionalidades. Uma equipe da Universidade de Princeton imprimiu uma orelha biónica, combinando tecido biológico com a eletrónica, ao passo que, na Universidade de Cambridge, imprimiram células retinianas para criar tecido ocular complexo.

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● 9.- Um Atlas do cérebro

O mapa é capaz de recolher as estruturas do cérebro com grande detalhe e em 3D, mostrando estruturas de até 20 micrómetros.

  • Como foi visto na ficção científica: “A Origem” (2010).

Neste filme, um agente consegue submergir na mente de qualquer pessoa, imiscuir-se nos seus sonhos e fazer com que revele os seus segredos mais escondidos. Em “Prometheus(2012) e “Elysium” (2013), surgem umas cabines de exame e intervenção médica que podem analisar o corpo humano com grande detalhe.

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  • Como é na realidade: Para compreender o funcionamento do cérebro humano, é importante ir ao mais ínfimo detalhe na construção deste mapa. Nos próximos anos, o projeto europeu do Cérebro Humano tentará criar uma simulação informática do órgão, ao passo que a iniciativa U.S. BRAIN tentará criar uma imagem ampla da atividade cerebral.

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● 10.- Energias eólica e solar inteligentes

A partir do Big Data e a investigação atmosférica, é possível gerar previsões ultra precisas que permitirão aumentar a produtividade de geradores de energias renováveis.

  • Como foi visto na ficção científica: “Gattaca” (1997)

Na maioria dos filmes de ficção científica, o esgotamento dos recursos energéticos do planeta costuma ser a causa de um futuro pós-apocalíptico sombrio e beligerante, onde é preciso buscar outros combustíveis alternativos para sobreviver. A saga “Mad Max” (1979) é um bom exemplo disso. Outros filmes, pelo contrário, partem de sociedades que já utilizam energias renováveis. Isso está patente em exemplos como “Back to the Future Part II” (1989), em que o lixo é utilizado para mover os carros, ou “Gattaca”, onde é visível o uso da energia solar na cena em que Uma Thurman e Ethan Hawke passeiam juntos entre enormes painéis fotovoltaicos.

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  • Como é na realidade: A otimização no momento de produzir energia através de estações solares e eólicas será possível com o tratamento de dados obtidos através das medições constantes das condições atmosféricas que assinalarão os momentos ideais para a captação de energia. Neste sentido, o Centro Nacional para a Investigação Atmosférica (NCAR, Estados Unidos da América) já se tornou uma referência.

Wind Turbines with distant mountains

Se quiser mais informações sobre tudo isto, pode dar uma vista de olhos ao estudo do MIT: TR10: tecnologías emergentes 2014.

Miguel Ángel Corcobado
Departamento de Transformação da PRISA

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