12 coisas que aprendemos no El Huffington Post este ano

TV Regenbogen

Em apenas um ano, a pequena equipe da edição espanhola de The Huffington Post passou de zero leitores a 1.700.000 usuários únicos (Comscore, maio de 2013, número estimado). Apesar de ainda estarmos recuperando da aceleração, tivemos tempo de tirar 12 conclusões sobre jornalismo e Internet, uma por cada mês passado desde o dia 7 de junho de 2012, o dia em que vimos a luz:

1. Não encarar o setor com preconceitos. Se fazemos jornalismo económico, pensamos que o nosso leitor só se interessa por números. Se fazemos jornalismo cor-de-rosa, pensamos que só gostam de ver fotos. Não é assim: todos nós somos pessoas com interesses diversos e mutáveis. Uma sessão de navegação pode começar com a mais recenteborrada do governo e terminar com fotografias de uma passadeira vermelha, porque não queremos ler o mesmo de sempre. Somos inconstantes e isso é positivo.

2. Devemos pensar no Facebook. Continua sendo uma das principais fontes de tráfego. Isso implica escrever artigos “partilháveis”, pensar como envolvê-las da melhor maneira possível, publicá-las no momento adequado, integrar bem esta rede na nossa página. Quando se faz o esforço de não copiar e colar, o Facebook agradece. O nosso conteúdo mais viral no Facebook são os nossos “splashes”, as nossas primeiras páginas chamativas. Descobrimos que têm vida própria porque as pessoas as partilham pelo seu valor próprio e não porque querem criticá-las.

3. Mais vale comprovar do que especular. No El HuffPost, sabemos que o que funciona muito bem nas nossas primeiras páginas são fotos de pessoas em primeiro plano ou manchetes que intriguem os leitores. O método que nos permitiu chegar a essa conclusão está mais baseado na ciência do que no instinto. O nosso sistema editorial permite fazer o “teste A/B”, ou seja, estabelecer que metade dos leitores veja uma manchete e uma foto e que a outra metade veja uma manchete e uma foto diferentes. Passado algum tempo, observamos os resultados e ficamos com a melhor opção.

4. É importante escolher o formato adequado. Cada tema tem a forma perfeita de ser transmitido. Há uns que se narram melhor através de galerias fotográficas, outros em forma de teste, outros com uma reportagem de fundo, outros com entrevistas, outros com vídeos ou gifs animados, outros com um post. Acertar no formato é acertar também no enfoque: é tão grave esticar um tema curto como encurtar um tema grande, ou narrar em texto o que devia ser mostrado em imagens. Devemos contar com os meios técnicos que tornem isso possível. No El HuffPost, somos pioneiros em formatos insólitos e muito úteis, como as galerias de datas ou de tweets.

5. A tecnologia deve multiplicar o tempo dos trabalhadores, não dividi-lo. No novo panorama digital, equipes reduzidas como a nossa devem aproveitar cada segundo de produtividade. Para que a tecnologia sirva para isso (e não para criar novos problemas), é obrigatório que uma equipe técnica se encarregue da melhoria constante das ferramentas internas, não apenas da página que se vê “de fora”… e que os jornalistas também estejam envolvidos nesse trabalho.

6. É preciso pensar ao mesmo tempo no global e no local. Como uma pequena edição nacional do The Huffington Post, tivemos de aprender a aproveitar as notícias que funcionam do mesmo modo em todos os países do mundo. E, por outro lado, aprendemos a ajudar as restantes edições a encontrar histórias que lhes interessem nas nossas páginas. O post da autora norte-americana Allison Tate que reivindicava o direito das mães a não estarem perfeitas mas sim presentes nas lembranças fotográficas dos seus filhos (“Mãe, apareça na foto“) foi inicialmente publicado em inglês e depois traduzido para várias línguas por Huffingtons diferentes… e em todos despertou igual interesse. Na direção oposta viajou o post do investigador espanhol Carlos M. Duarte sobre a emigração da sua filha, que atraiu igualmente leitores fora das fronteiras de Espanha.

7. Presença, presença, presença. O velho marketing de massas continua sendo tão importante como a feia e útil palavra “sinergia”, sobretudo quando somos desconhecidos. É preciso chegar ao maior número possível de pessoas que depois se encarregarão pessoalmente, se for merecido, de tornar o nosso conteúdo viral. É preciso aparecer muito no Twitter, no Facebook e em outras páginas, no Google, na rádio, na televisão: em todos os meios e sempre que for possível.

8. Podemos ser feios ou bonitos, mas não prescindíveis. A primeira capa do El HuffPost, uma montagem de Photoshop de estética discutível, foi uma declaração de intenções. O nosso grande erro seria tornar-nos uma commodity substituível por qualquer outra. É melhor ter demasiado caráter e ficar na memória das pessoas do que não ter nenhum.

9. Há pessoas, lugares, objetos e ideias que estão condenados a serem virais. Do ministro Wert até Toni Cantó, passando por Sara Carbonero, Olvido Hormigos, Salvados, Femen ou Mercadona, há pessoas que têm a capacidade de chamar a atenção sempre que aparecem. Temos de ficar atentos a elas.

10. Temos de explorar os formatos publicitários antes que alguém os explore por nós. O mercado está mudando e é melhor tomar a iniciativa e inovar também em relação a isso. Nós no El HuffPost utilizamos, por exemplo, os “posts patrocinados”, textos de blogues perfeitamente identificados como publicidade mas que são cuidados e elaborados por peritos de cada campo, trazendo assim valor para todos os implicados: anunciante, meio de comunicação e leitor.

11. A comunidade surpreende sempre. As comunidades na Internet são delicadas e têm vida própria, por isso, é preciso cuidar delas mas também dar-lhes liberdade. Quem tem uma página de Internet que tenha sido escolhida por uma comunidade para fazer o ninho deve estar grato. Mas isso não quer dizer que não tenhamos de ser firmes na moderação e no controle dos trolls, muito pelo contrário. Apesar de termos uma equipe pequena, uma das pessoas está integralmente dedicada ao cuidado da comunidade.

12. Não tem mal nenhum usar um formato ligeiro para abordar um tema importante, nem utilizar enfoques atrativos. Pelo contrário, pode chamar a atenção para temas importantes, mas áridos. No El HuffPost, por exemplo, falámos de um tema tão duro como as condições das fábricas de têxteis no Bangladesh através de “15 imagens que deviam fazer-nos pensar na roupa que vestimos“. Conseguiu quase 12.000 “gostos” no Facebook e quase um milhão de páginas vistas.

13. No é obrigatório fazer listas com números redondos, porque o cérebro do leitor vai achar (com razão) que houve um esforço para encaixar tudo. Regra geral, quanto mais se souber sobre a forma como os seres humanos pensam, percebem, compreendem, leem, veem e partilham a informação, melhor os jornalistas conseguirão encapsulá-la neste mundo em que a atenção é o mais raro dos bens.

Delia Rodríguez
Redactora Jefe de El Huffington Post

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