Assim combatemos as notícias falsas ao lado do Facebook

A palavra de 2016 pode ter sido, segundo o Dicionário de Oxford, “pós-verdade”, mas, para nós, essas mentiras ou pseudoverdades que tanto alarmam a sociedade na era do auge de Donald Trump não são uma novidade. No El País, há quatro décadas que combatemos falsidades com a arma que nos tornou líderes a nível mundial: o jornalismo honesto e rigoroso, a nossa marca e característica imprescindível de uma sociedade livre.

Após as eleições norte-americanas de novembro, um bom número de analistas e intelectuais denunciaram a estranha proliferação de boatos e mentiras nas redes sociais que, curiosamente, beneficiavam Trump: mentiras como dizerem que contava com o apoio do Papa Francisco, que os democratas queriam implementar a lei islâmica ou que Hillary Clinton era a cabecilha de uma rede de exploração sexual de crianças.

Trata-se de uma questão de magnitude. Antigamente, os jornais impressos chegavam de forma regular a centenas de milhares de leitores. Atualmente, graças ao domínio das plataformas sociais na Internet, somos lidos por dezenas de milhões de pessoas em qualquer ponto do planeta, através da nossa distribuição multiplataforma.

Num ecossistema semelhante – o Facebook tem 1.800 milhões de utilizadores ativos por mês – as mentiras amplificam-se de forma proporcional. O que dantes era material de processos marginais tornou-se agora um parasita nesses canais de comunicação para enganar o leitor, criando uma realidade paralela em que Trump é um herói, Clinton é uma assassina, Barack Obama é um impostor e o Islão é o maior inimigo da humanidade.

Ao fim e ao cabo, todos os que trabalharam como correspondentes nos Estados Unidos recordam-se de histórias desse calibre, falsidades como Obama ter nascido no Quénia, Al Gore ter dito que era o inventor da Internet, Bill Clinton ter sido investigado por pederastia, a guerra do Iraque ter sido um êxito ou o sistema de saúde público europeu não cobrir o tratamento de doenças como o cancro.

No El País, mantemos uma estreita colaboração com as maiores plataformas de Internet, com contactos habituais e projetos conjuntos com o Google, o Facebook e o Twitter. Recordamos sempre aos nossos interlocutores a necessidade que existe de reforçar o jornalismo, de cada vez que recusam ser fornecedores de conteúdos e optam por permitir que os algoritmos controlem a distribuição de conteúdos, eliminando o fator humano e a edição, imprescindíveis no jornalismo.

Nós não renunciamos à edição. Consideramo-la necessária. Reivindicamo-la. Uma das nossas forças é precisamente a seleção de informação relevante. A única coisa que exigimos é que essas plataformas de distribuição às quais nos une uma dependência mútua cumpram a sua obrigação de desterrar a mentira e preservar o direito à informação da cidadania.

O projeto que o Facebook anuncio na semana passada, e do qual fazemos parte, é um primeiro passo. Essa rede social permite-nos agora selecionar cinco notícias destacadas em formato Instant Article para entregar aos nossos seguidores todas as manhãs. Por outras palavras, saltamos o algoritmo para informar o leitor, algo que é sem dúvida bem-vindo. É na realidade um modelo inspirado nos alertas que lançamos diariamente na nossas aplicações móveis.

Há outras iniciativas no Facebook Journalism – gestão de fontes, geolocalização de conteúdos, formação e comunicação – que vamos explorar nos meses que se seguem. Fá-lo-emos com a convicção de que, independentemente do canal de distribuição, o jornalismo de qualidade é tão necessário e imprescindível para a democracia como sempre.

Passamos a explicar como funciona esta nova aposta informativa diária:
1. Devem seguir o EL PAÍS no Facebook.
2. Os conteúdos aparecerão no vosso feed de notícias às 6 da manhã e adaptar-se-á ao vosso fuso horário.
3. Só é possível vê-lo no telemóvel. As notícias estão no formato de Instant Articles (artigos instantâneos), um sistema de download rápido do Facebook para smartphones que o EL PAÍS utiliza desde o início de 2016. Poderão ver tanto os textos como as fotografias e os vídeos de forma instantânea.
4. Basta passar para a direita para avançar nas notícias. Se quiserem abri-las, têm apenas de arrastar o dedo para cima.
5. Para receber notificações de novas publicações, só têm de ativar as notificações na última das cinco notícias.

David_Alandete

David Alandete
Director adjunto de EL PAÍS

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