Avatares de uma imigrante digital #5

5. Saudações transoceânicas

– Este final de semana, instalei o Skype… Sem ajuda de ninguém – disse Ana, se gabando.

– Estou muito orgulhoso de você, princesa – respondeu Richard num tom levemente jocoso. – Já percebeu que a sua fobia das novas tecnologias é absurda? Nota máxima no curso e ainda se assusta com umas simples maquinetas!

– Vou-lhe dizer uma coisa, mas negarei o que disse diante de qualquer tribunal: tenho de reconhecer que tem a sua utilidade.

– Eu sabia! Você ainda vai se tornar uma fã incondicional. Você vai ter a sua própria conta no Twitter e um monte de seguidores. Ai, que emoção.

– Vá, não se entusiasme, já sei como você é. Continuo achando que tudo isto tem muitos perigos. E se alguém estiver gravando todas as nossas conversas?

– Renda-se, hoje em dia é impossível escapar, é algo imparável. De um modo geral, não creio que alguém se interesse pelas suas conversas no Skype. Mas a verdade é que estas coisas devem ser usadas com cabeça. Se você tiver controle, podem se tornar um aliado perfeito. Mas nem sonhe se filmar fazendo algo inconveniente, ouviu?

– Você é insuportável, Richard. Nunca consegue falar a sério.

– Não se irrite, boba, você fica tãããão bonita assim. Vamos, conte mais.

– A verdade é que foi muito emocionante ver as minhas tias e as meninas do outro lado do Atlântico. Se bem que, para ser sincera, parecíamos um pouco idiotas, olhávamos para a tela e só conseguíamos dizer “olá!”, as minhas tias diziam “olá!”, e as meninas diziam “olá!”. Passamos um quarto de hora nisso…

Richard soltou uma risada.

– Pagava para ser mosca e assistir à cena. Vê como ser moderna não é assim tão horrível? Há uns anos, contatar com uma pessoa da família que estivesse longe custava uma fortuna e agora até podemos ver as pessoas! Se bem que já vi que têm de ensaiar um pouco mais a conversa.

– Você não resiste a dizer sempre uma última graça, pois não?


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Já todos nos perdemos alguma vez neste novo e mutável mundo digital tão repleto de tecnologia. Descubra através da Ana como todos estes avatares vão afetando uma personagem totalmente analógica que, de repente, se vê envolvida em todo este mundo cibernético.

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