O futuro das cidades… é inteligente!

Desde as primeiras povoações do Neolítico até à atualidade, as cidades foram mudando conforme a sociedade evoluía. Aldeias, cidades da Antiguidade, medievais… e, agora, as smart cities” ou cidades digitais. Mas a questão é saber a que se refere este termo, ao certo. Pois bem, existem bastantes definições que foram sendo cunhadas mas, por enquanto, não há nenhuma definição oficial. Contudo, as organizações estão todas de acordo quanto às suas características (1):

  • Não prejudicam o meio ambiente
  • Utilizam as tecnologias da informação e da comunicação como ferramentas de gestão
  • O seu objetivo principal é o desenvolvimento sustentável

Mas o que tem isto tudo a ver com o mundo das TIC? Para uma transição com êxito rumo a um futuro de energia sustentável, o segredo está na integração. É preciso um envolvimento de todos os agentes, ou seja, desde governos e empresas privadas às TIC. De facto, estas têm um papel fundamental, já que não só ajudam a melhor a eficiência energética (redes inteligentes, utilização da tecnologia informática para a otimização da distribuição e produção de energia), combatendo assim as alterações climáticas, como também impulsionam o desenvolvimento económico, promovendo a competitividade e as novas oportunidades de negócio. Tendo em conta que as cidades são sistemas complexos e mutáveis, a informação é cada vez mais relevante, tanto para os cidadãos como para os órgãos de administração públicos e privados, na hora de desenvolver o novo modelo de “cidade inteligente”.

Dentro das TIC, convém destacar o papel que os smartphones estão a assumir, já que, graças a eles, se estão criando algumas aplicações relacionadas com a informação nas cidades e com a domótica. Isto é apenas o princípio, uma vez que apresentam um grande potencial no que toca à participação dos cidadãos: permitem obter uma visualização do quadro urbano e das interações entre cidadãos e, portanto, gerar e melhorar aplicações, criar sistemas de acompanhamento público à medida e permitir uma melhor gestão urbana, adaptada à realidade dos habitantes.

Além disso, através dos sistemas das TIC aplicados aos edifícios, é possível obter uma maior eficiência energética graças a objetos “inteligentes” (chips com a capacidade de receber e transmitir informação), dispositivos controlados à distância, comunicações que favoreçam a transmissão de informação entre dispositivos, interfaces interativas que permitam que as redes usadas nos lares sejam “amigáveis”, sistemas de gestão de edifícios…

A União Europeia pretende implementar “Cidades Inteligentes” que congreguem 5% da população europeia graças à iniciativa Smart City (European Initiative on Smart Cities), que se centra principalmente em ações inovadoras em termos de eficiência energética, uso de tecnologias de emissões baixas, redes inteligentes e ações de mobilidade sustentável. Para tal, é necessário impulsionar e organizar adequadamente as áreas de influência que estão ligadas num sistema complexo e multidimensional: mobilidade, logística e tecnologia, smart people (recursos humanos e capital social), economia smart (para a competitividade), urbanismo e habitação, ecossistema (ambiente sustentável, energias renováveis e outros recursos), E-democracia (smart government) e energia inteligente (edifícios inteligentes, redes inteligentes).

No âmbito desta iniciativa, encontramos cidades espanholas, cada uma delas focada num objetivo smart diferente:

Barcelona: o projeto teve início em 2008 e consiste num laboratório urbano. O distrito 22@ é o local onde se instalou este centro de testes, um espaço onde as empresas podem desenvolver e experimentar projetos-piloto de impacto urbano: urbanismo, educação, mobilidade, etc. Além disso, foi criado o Prémio Internacional Barcelona SmartCity com o intuito de identificar as soluções ou projetos que contribuem para melhorar os serviços municipais de gestão da cidade para fazer de Barcelona uma cidade autossuficiente.

Charles Clever projeto para a construção de um aeroporto em Londres, 1931

Málaga: o projeto começou em 2009 e tem uma duração prevista de quatro anos. O projeto de Málaga, que pretende que esta se torne uma cidade ecoeficiente, consiste em alcançar uma integração ótima das fontes de energia renovável na rede elétrica, tentando aproximar a produção do consumo, e armazenando a energia que não for consumida em baterias elétricas para, posteriormente, se fazer uso dela. Além disso, foram implementados programas para melhorar a mobilidade da cidade, controlados a partir do centro de controlo de tráfego, onde se recebe em tempo real todas as informações conforme vão chegando. Desta forma, é possível tomar decisões e realizar ações para agilizar o tráfego como, por exemplo, alterar o tempo de espera dos semáforos em função do trânsito.

A PRISA Digital, através do seu departamento de Investigação e Desenvolvimento, está participando num projeto de Smart Cities sob a alçada da União Europeia. O projeto-piloto, que será levado a cabo em Santander, define e cria um caso de uso para a geração de notícias em tempo real em que se recolhe e analisa informação a partir de câmaras e sensores instalados para oferecer uma informação geo-localizada, fomentando a participação e o diálogo social.

Os dados indicam que estamos vivendo na era das cidades: no século XX, 90% da população era rural, em 2007, a divisão entre população rural e população urbana rondava os 50% e, até ao ano de 2050, é esperado que 75% da população mundial viva em cidades. Esta transformação implica não apenas uma mudança na morfologia da população, mas também um grande desafio face à realidade urbana. Por isso, tornar as cidades cada vez mais cómodas, habitáveis e sustentáveis em relação ao meio ambiente é um desafio que está representado nos programas “smart city”.

Se você ficou interessado neste tema, propomos que veja os seguintes vídeos realizados pela Fundación Telefónica: O que são as smart cities? I e II.

 

(1) De acordo com o Ministério da Indústria, Turismo e Comércio e com o IDAE (Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia).

 

Patricia Navas-Parejo
PRISA Digital

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