Códigos QR: servirão para personalizar a aprendizagem?

Outro artigo sobre códigos QR na educação? Esta estratégia ainda é vigente? Nesse caso, o objetivo é refletir sobre como entram as inovações tecnológicas na aula, tomando como referência os códigos QR ou Quick Response (resposta rápida ou imediata).

Os códigos QR permitem desenhar atividades de aprendizagem utilizando dispositivos celulares de forma simples e acessível. Desta forma, as tarefas tornam-se motivadores para os alunos pelo seu imediatismo, em conjunto com atual procura por parte de crianças e jovens (que procuram uma resposta instantânea aos seus pedidos), e são úteis para o docente, porque permitem incorporar uma ferramenta para ampliar a informação ou partilhá-la de forma acessível.

Por outro lado, é possível agregar instâncias que aproximem estas atividades do jogo ou da ludificação, ligando a informação à pesquisa, a investigação à recompensa.

Como defende Mª Ángeles Araguz neste artigo de 2012, o uso de dispositivos celulares na educação estava previsto no Relatório Horizonte de 2011. Esta tendência se repetiu em 2012 e 2013, mas este ano não surge como uma tendência a curto prazo.

HorizontePT

Relatório Horizonte, síntese de tendências 2011-2014

Significará isto que devia existir o estatuto de “tecnologia invisível” na aula? Recordemos que, com o conceito de tecnologia invisível, Gros Salvat propõe uma forma de inclusão das tecnologias na aula partido da oposição entre a sua intrusão e a sua apropriação: “Quando a tecnologia passa para segundo plano e deixa de ser um fim para se transformar num meio, é alcançada uma verdadeira apropriação e um aproveitamento ideal, o que se torna uma condição indispensável para as alterações profundas.”

No meio social, os códigos QR já se transformaram numa tecnologia invisível, já que surgem nos mais diversos espaços e são utilizados para obter a informação que oferecem: trajetos de ônibus, informação fiscal, publicidade, manuais de utilização, dados web de produtos, informação turística, etc. Mas acontecerá o mesmo em instituições escolares e nas aulas? A utilização de aplicações móveis na aula, muitas vezes, está relacionada com a novidade para os alunos, a difusão em meios específicos ou os comentários de colegas, mas o que parece, são utilizadas e alteradas sem que se chegue a tirar proveito de todas as suas possibilidades. Por outro lado, a utilização de dispositivos móveis na aula continua sendo questionada pela organização escolar e sistemas educativos, que muitas vezes os proíbem.

Os códigos QR podem ser uma forma simples de introduzir a tecnologia na aula, conectando os recursos do mundo real com o virtual. No entanto, não chegaram a ocupar um lugar permanente no contexto educativo. Podemos encontrar muitas experiências, mas permanecem ao nível dos docentes inovadores e não chegaram a generalizar-se. Ainda hoje, encontramos nas escolas docentes que não sabem bem para que servem, que nunca experimentaram ler um código QR ou que os encaram como uma simples ilustração, sem descobrir o seu potencial para serem incorporados na aula.

Nos últimos anos, também os livros de texto adotaram a sua utilização, mas fizeram-no de forma superficial, repetindo o que sucede com a maioria dos docentes, sem aproveitar o seu potencial, já que em muitos casos servem apenas de ilustração e com objetivos de marketing. No entanto, os QR são uma tecnologia útil e muito simples para expandir o livro de texto e ampliar todos os temas, conteúdos, ilustrações e recursos em formato digital que não têm lugar no papel. Também permitiriam a atualização permanente da informação e dos recursos. E dentro da aula, podem ser uma oportunidade para a participação de alunos e docentes na personalização dos materiais utilizando formulários, blogs ou páginas acrescentem ao livro o necessário para adequar o conteúdo às suas realidades, abrindo a possibilidade de responder às necessidades de cada grupo.

É uma questão de aguardar para ver se a tecnologia de códigos QR se introduz nas aulas como um recurso potente, e pensar que ligá-la ao livro de texto é uma excelente opção para incluir a tecnologia na aula. Entretanto, na Santillana Argentina, já estamos apostando numa forma simples de incluir esta tecnologia através de uma proposta de livros de texto com códigos QR incorporados: a série Santillana en línea.

Santillana_en_linea

A nossa esperança é que também os docentes sintam vontade de experimentar estes recursos de personalização de atividades e conteúdos.

Nilda Palacios

Diretora de Conteúdos Digitais da Santillana Argentina

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