Do HD ao 4K

Ainda agora que começávamos a nos familiarizar com a Alta Definição, começa assomando a cabeça – timidamente nos lares e com força no âmbito profissional – do Ultra HD ou, o que é (quase) o mesmo, o 4K.

A “culpa” deste novo padrão recai parcialmente sobre a indústria do cinema, que está há anos imersa num processo de migração para um suporte digital que permita aumentar a fiabilidade e qualidade e, simultaneamente, reduzir custos. Numa primeira fase foi adotado o padrão 2K, que tem uma resolução equivalente à da nossa televisão de Alta Definição, mas a sua vida foi curta. O formato – quer era o permitido pela tecnologia da época – tinha inúmeras vantagens, mas o resultado era pobre em salas com telas de grandes dimensões. Foi assim que chegou o 4K, que multiplicava por quatro a resolução do 2K e atingia uns impressionantes 4096×2160 píxeis. Desde há mais de uma década que o número de produções cinematográficas em formato digital não para de crescer, tal como a quantidade de salas de cinema que adotaram o formato digita, de umas escassas 11 em toda a Europa em 2004 para as mais de 12 mil salas que se estima que existam atualmente.

Ficamos assim com a idéia de que o 4K, em muitos aspetos, já é uma tecnologia madura e – ao contrário do que aconteceu com o lançamento do 3D – com uma enorme quantidade de títulos já disponíveis.

A adoção do padrão cinematográfico 4K pelo mundo da televisão – como já comentamos – se chama Ultra Alta Definición (em diante UHD TV) e perde alguma resolução pelo caminho para se tornar mais compatível com o HD atual, ficando-se pelos 3840×2160 píxeis (4 vezes HD), o que supõe imagens fixas de quase oito megapíxeis.

Para termos uma idéia do que a Ultra Alta Definição traz ao mundo da televisão, podemos observar o seguinte gráfico comparativo.

 

Segundo a indústria do setor, para apreciar o incremento de resolução oferecido pela Ultra Alta Definição, temos de dispor de uma tela de TV de 50” ou mais, um número de empalidecer só de ouvir, ao pensar no tamanho da sala de nossa casa. Mas não é assim, pelo contrário. Imaginemos essa tela de 50” na qual estamos vendo um sinal HD (1920×1080) a cerca de 2,2 m, que é a distância mínima recomendada pelos especialistas para esse tipo de tela. A essa distância, a tela ocupará uma boa parte do nosso ângulo de visão, mais concretamente cerca de 30°, proporcionando-nos uma adequada sensação de imersão na imagem. Se, de repente, mudarmos o sinal da TV para uma resolução SD (720×576) deveremos recuar vários passos para conseguir vê-la sem que a falta de definição seja muito notória, o que reduzirá o nosso ângulo de visão consideravelmente, assim como a sensação de imersão na imagem.

Pelo contrário, se o nosso televisor de 50” tiver uma tela brilhante com resolução UHD, a distância mínima de visionamento fica reduzida a 1,2 m sem que notemos perda de definição graças à maior densidade de píxeis; assim, o nosso ângulo de visão passa a ser muito maior (cerca de 55°) e com a sensação de imersão, que alcança limites semelhantes aos que experimentamos quando nos sentamos nos “bons” lugares no cinema.

A teoria diz que uma correta sensação de imersão começaria por volta dos 30° e alcançaria a saturação acima dos 100°, pelo que ainda resta margem para aumentar a resolução e nos aproximarmos da tela, mesmo com UHDTV.

Talvez este gráfico ajude a entender melhor a idéia.

A  TV em Alta Definição demorou 20 anos a se implantar como fenômeno global. O percurso da UHD TV dependerá em boa parte da disponibilidade de conteúdos (já vimos que, no cinema, existem) assim como da capacidade da indústria tecnológica para dar apoio a todo o mercado que rodeia o novo formato: equipes de produção e pós-produção, um padrão de distribuição do sinal, telas, suportes de gravação, etc.

A quantidade de dados que implica manejar uma resolução tão elevada é assustadora; para termos uma idéia, voltamos a recorrer à analogia com o mundo do cinema, onde o Digital Cinema Iniciatives (o organismo que define o padrão) recomenda gravar o 4K em bit rates de até 250Mbit/s, o que implica que um filme de duas horas ocupe cerca de 225 GB, inviável no mundo doméstico.

Novamente no universo da TV, onde se manejam pressupostos e bit rates mais modestos, a salvação pode chegar sob a forma de um novo padrão de codificação de vídeo, o HEVC (High Efficiency Video Codec) uma evolução do H.264/MPEG-4 que promete duplicar a eficácia do seu antecessor, contemplando a distribuição de sinais de TV codificados em HEVC a apenas 25Mbit/s. Segundo os peritos, só em 2015, quando os dispositivos relacionados com este novo codec explodirão e começarão surgindo os primeiros receptores de satélite domésticos e televisores com sintonizadores adaptados.

Ninguém arrisca dizer qual será o suporte doméstico de gravação massiva de cópias, com um Blu-ray que nunca chegou a se implantar, e os dispositivos de armazenamento baseados em memórias e discos rígidos a baixar de preço a cada dia. Será estimulante ver quem ficará com o troféu de encontrar um substituto para o ainda vigente DVD.

Em qualquer caso, essa Alta Definição do futuro que é a UHDTV já está presente. Não é em vão que os principais fabricantes de televisores têm no seu catálogo alguns modelos com essas características e todos os dias surgem notícias sobre novos equipamentos e avanços tecnológicos. Merece referência a NHK, televisão pública do Japão, que emite em UHDTV desde 2006, e realiza há alguns meses emissões em 8K (7680×4320), a chamada Super Hi-Vision. Tome isso!

 

Javier Riloba

Principal meio de produção de PRISA TV

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