Dos terços da Flandres ao Reino Digital

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Arturo Pérez-Reverte arrasa no Twitter e cria novo blogue sobre o seu próximo livro

Arturo Pérez-Reverte continua a surpreender-nos. Vende milhões de livros há já 20 anos, ronda os 400 000 seguidores (Dados retirados de 01 de junho) no Twitter e, há umas semanas, anunciou o lançamento do seu novo blogue, novelaenconstrucción.com, uma espécie de livro de bordo, uma viagem aos bastidores do seu próximo romance. O blogue ficou online ao fim da tarde do dia 20 de abril, uma sexta-feira, sem qualquer aviso prévio. O autor publicou apenas uma ligação para o blogue na sua conta do Twitter, sem outros preâmbulos. Ao entrar no blogue, surgia uma nota introdutória: “Publicarei, nos próximos meses, sem método nem periodicidade fixa, algumas notas breves sobre a obra em curso. Trata-se de um romance não histórico, iniciado no dia 7 de janeiro de 2011 (ainda que a sua origem seja muito anterior), que a pouco e pouco parece encaminhar-se para a sua reta final”.

No seu blogue, a modo de making-of, o autor regista algumas características das personagens principais, os locais onde a história se desenrola e até mesmo pormenores sobre a resolução de problemas estilísticos ou técnicos. Graças aos seus primeiros posts, os leitores ficaram já a saber que este novo romance “é a história de uma história de amor, entre outras coisas”, protagonizada por um homem e por uma mulher que se encontram por três vezes ao longo das suas vidas: em Buenos Aires (Argentina) em 1928; em Nice (França) em 1937; e em Sorrento (Itália) em 1966.

Pérez-Reverte foi um dos primeiros escritores que se atreveram a aventurar-se na Internet. Em 2000, colocou na rede O Ouro do Rei, o quarto volume das aventuras do Capitão Alatriste. Um mês antes do seu lançamento nas livrarias, os leitores espanhóis puderam descarregar o romance por um preço de três euros. O pioneiro foi Stephen King que, muito pouco tempo antes, tinha feito o mesmo com a novela Riding the Bullet(Montado na bala). A experiência foi interessante, mas o mercado espanhol não estava preparado.

O autor deA Rainha do Sul, O Assédio, O Mestre de Esgrima e tantos outros títulos de sucesso não tem dificuldades em adaptar-se aos novos tempos. Este grande aficionado da história espanhola dos séculos XVII a XIX (que conta com uma espetacular biblioteca de livros antigos) manteve intacta a sua curiosidade, assim como a sua vontade de aprender e de se ligar aos seus leitores. Por isso, há dois anos, embarcou noutra aventura digital, a do Twitter. “As redes sociais não são nada de novo, a novidade está na tecnologia. Os terços da Flandres ou qualquer outro grupo que tivesse um inimigo comum num território hostil eram já uma rede social, pois usavam uma linguagem própria face a um meio hostil.” Atualmente, conta com quase 400 000 seguidores que aguardam com verdadeira devoção os comentários de um autor que não deixa ninguém indiferente.
Arturo Pérez-Reverte depressa aprendeu as consequências de tudo o que escreve no Twitter. “Pensava que era como uma conversa de bar com amigos, mas vim a perceber que tem uma repercussão enorme. Algumas das conversas foram retiradas do seu contexto e tornaram-se notícias.”

É possível que, antes do fim deste ano, o autor alcance o meio milhão de seguidores, transformando a sua conta do Twitter numa das contas de maior sucesso na rede, sem par no mundo literário espanhol. Nem todos os que seguem a sua conta são leitores das suas obras, mas há um grande número de pessoas que ficam à espera que o pai de Alatriste escreva, de vez em quando, pequenas pérolas literárias sobre os bastidores do seu romance em construção.

Rosa Junquera
Comunicación Santillana

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