El cosmonauta

Gossário para não perder um projeto de êxito

Estava lendo a revista Rockdelux quando encontrei uma frase que me surgiu imediatamente para falar sobre El Cosmonauta. Miqui Otero, jornalista (ADN, EL PAÍS), escreveu o seu segundo livro. Kiko Amat, escritor (Cosas que hacen boom, Rompepistas), conduzia a entrevista. “La cápsula del tiempo” (Blackie Books, 2012) é, cito textualmente, um “‘Escolha a sua própria aventura’ para adultos, uma loucura de livro cheio de histórias, lendas e impulsos em que tudo tem de ser decidido ao longo de uma noite de reis e, o que é pior, tem de ser você a decidir. Eu. Todo o mundo. Ou seja: o leitor. Obrigado, amigo, mas quem precisava de ter essa responsabilidade?”

Provavelmente, ninguém. Mas, a julgar pelas tendências de consumo, as pessoas gostam que lhes ofereçam essa responsabilidade.

Nico Alcalá é um dos três integrantes do coletivo Riot Cinema Collective que, juntamente com Bruno Teixidor e Carola Rodríguez, atiraram uma pedrada no charco com um filme que, além de ser uma grande série de subprodutos transmídia como webisodes ou um livro, é um grande manual sobre como dar a conhecer um projeto e obter resultados com um plano de comunicação que funciona com a minúcia de um relógio.

Este artigo pretende ser um glossário de todos os elementos que fizeram de El Cosmonauta um êxito mesmo antes de estrear:

Crowdfunding o micro mecenato: Criam uma sólida comunidade nas redes sociais para dar a conhecer a sua proposta e obtêm 2 euros de todas as pessoas interessadas, oferecendo em troca colocar o seu nome nos créditos do filme e um welcome pack. Angariam, desde 2009, 398.942€ oferecidos por 598 investidores e mais de 4.145 micro produtores.

Asseguram que nunca imaginaram ter tanto êxito com a iniciativa e que sempre planearam combinar este financiamento com investimentos tradicionais: pré-venda para televisão, receitas de VOD, receitas de merchandising ou do visionamento do filme. Para ver o filme na Internet através da sua plataforma, os usuários têm de partilhá-lo, o que garante que a obra chega a mais gente. E, após o visionamento, lembram aos usuários que podem contribuir com um donativo.

Creative commons: São uma série de licenças que permitem, sob determinadas condições, que o conteúdo seja copiado ou utilizado para outras coisas. El Cosmonauta publicou com a etiqueta Atribuição – Uso Não Comercial – Compartilhamento pela Mesma Licença todo o material em bruto do filme, o que vai permitir celebrar, no dia 16 de maio, o primeiro hackathon. O filme será lançado com outra licença mais restritiva, Atribuição – Uso Não Comercial – Não a Obras Derivadas, devido aos direitos das músicas.

Hackathon:

É um grande evento com as 180 horas de imagens em bruto disponíveis para remistura, criação de cenas alternativas ou para uma montagem nova do filme. A primeira data é quarta-feira, dia 15 de maio, no IED (faculdade de design) de Madrid, com computadores ligados e prontos para queimar o Avid com 12 horas de trabalho. As melhores obras poderão ser vistas nas telas do cinema Callao City Lights após a estreia.

Day & date:

O coletivo Riot Cinema tinha noção de que o filme deveria estar disponível no dia da estreia, que será no dia 18 de maio, em todas as plataformas possíveis: cinema, Internet, DVD e televisão. Tinha de ser uma experiência multitela.

Tink Tank:

Nico e os seus companheiros tiveram, desde o início do projeto, vontade de criar um modelo alternativo à indústria, ‘desde o respeito’, como explicam. O Think Tank reunirá pessoas com projetos relacionados com os audiovisuais e a distribuição na Internet para tentar descobrir um caminho. Para onde vamos? Teve lugar no dia 13 de maio, em Madrid, e será novamente no dia 17, em Barcelona.

O filme já foi um êxito para os três sócios da Riot Cinema: conseguiram chegar até aqui, estrear o seu filme e gerar um grande debate. Além disso, eles preveem pagar o filme e todos os que trabalharam no projeto, mais de 300 pessoas. Estas pessoas, por sua vez, submeteram o seu pagamento a um plano de coworking.

O CANAL+ comprou os direitos de emissão do filme, que vai estrear no Canal+ Xtra no dia 18 de maio, e apresentamos no YOMVI um final alternativo, a versão dublada e 16 peças transmídia.

Nós também trabalhamos para que os nossos clientes escolham a sua própria aventura. Oferecemos o leque mais variado possível de conteúdos, buscando o talento onde quer que ele esteja e oferecemos todas as telas para o consumir onde e quando você quiser. A escolha é sua.

Cristina Merino
Comunicação de Produto no CANAL+

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