O iPad matou a estrela PowerPoint

Woman holding digital tablet while laying on bench outdoors

A tecnologia revoluciona a nossa forma de falar, pensar e também de criar. O artista e desenhador Marcos Balfagón fala-nos do seu projeto Visual Thinking ou como, com o seu iPad, se propôs enterrar para sempre as apresentações em PowerPoint.

O pior medo de qualquer orador é dirigir-se a uma sala cheia de gente de olhar perdido e sem qualquer interesse no PowerPoint projetado que deu tanto trabalho a criar. Mas o desenhador Marcos Balfagón, armado com o seu talento e com o seu iPad, é capaz de manter toda uma plateia incapaz de desviar o olhar da tela.

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P.- O que é o Visual Thinking

Trata-se de uma técnica de apresentação de conteúdos. Consiste em enriquecer e complementar, com um iPad ligado a um projetor de vídeo, uma apresentação com imagens que crio em direto, sejam pictogramas, gráficos ou ilustrações conceptuais. Na realidade, o conceito em si não é novo, já que podemos recuar até à ardósia da escola como ferramenta de apoio para explicar coisas. Mas o que é novo é utilizar um iPad para desenhar em direto, com a versatilidade e possibilidades que oferece.

A aventura começou de forma casual, quando Mario Tascón me propôs intervir nas conferências TedxSol com o iPad. Esse foi o primeiro de muitos projetos.

P.- Acostumados a apresentações a meia-luz com um PowerPoint que parece não terminar, qual foi a mudança mais notável que observou na plateia?

Basicamente, aumenta a interação do orador com o público, de modo que não se perde o foi à conferência e se cria uma expectativa constante do que se vai escutar e do que vai surgir na tela. Para além disso, há um aumento notável da taxa de recordação dos conceitos expostos.

Em geral, o público me transmite um entusiasmo que me surpreende e agradece que se lhe apresente um audiovisual realizado em direto, o que melhor notavelmente a eficácia da comunicação. De igual modo, estas apresentações têm uma componente de espetáculo que é um presente muito valioso; por vezes até mais do que os canapés oferecidos depois.

P.- Como é que o iPad mudou a sua forma de trabalhar?

Foi mais um passo – e maior – na utilização da Internet móvel. Colaboro diariamente ilustrando “El Acento” na secção de opinião do El País, e com o iPad posso trabalhar em qualquer lugar: na rua, num parque, no comboio… Já trabalho com o laptop ligado à Internet há uns seis anos, mas o iPad, graças ao seu tamanho e peso, facilita as coisas ainda mais.

Agora, o Visual Thinking me deu a possibilidade de trabalhar em direto e perante o público, o que é apaixonante, até viciante. Devo dizer também que a tecnologia nos aproximou do trabalho manual, porque o iPad não tem rato, e podemos desenhar com um dedo. Que mais se pode pedir?

P.- Estamos falando de algo muito inovador e, a priori, espetacular. O seu potencial é bem compreendido, ou se desconfia da novidade?

Isto não é uma exceção e, como noutros âmbitos, a novidade por vezes produz desconfiança e o espetacular se confunde com o decorativo. O formato das apresentações é espetacular, e colocado ao serviço da mensagem ou mensagens que se queiram transmitir, consegue uma atenção e impacto junto do público dificilmente alcançável por outros meios, como o vídeo.

Por outro lado, há quem tema que a imagem compita com a apresentação. Mas isso nunca acontece, já que o Visual Thinking é um complemento que contribui para uma melhor compreensão do que é exposto, como ficou demonstrado em todos os eventos em que participei.

P.- Acredita que a mudança de ferramenta traz uma mudança de linguagem, e portanto uma mudança de mentalidade?

De certo modo, sim. No meu caso, condensei numa só ferramenta toda a experiência e conhecimentos acumulados nos últimos anos em publicidade, ilustração e comunicação para criar algo novo.

Mas mais do que uma nova linguagem, eu falaria de um novo formato em que podemos condensar linguagens já existentes como a da ilustração, animação, infografia… Tudo isso implica também uma mudança de mentalidade.

Apresentação visual feita com Ipad apoiar o discurso do Presidente da Volvo Espanha

P.- Planeia transferir a idéia para outro tipo de ferramenta, como o seu smartphone?

Não, a tela do celular é muito pequena e isso limita muito, ainda que se possa também trabalhar sobre a sua tela tátil. Como experiência funciona, mas tem pouco potencial.

P.- Há alguma app que seja indispensável para o seu trabalho?

Sim, há várias. Sketchbook, iDraw… Há um grande leque, e escolho a que se adapta melhor a cada tipo de trabalho.

P.- Após esse tempo trabalhando para clientes de setores muito diversos, qual é o balanço que faz?

Até agora, os clientes se têm mostrado encantados. Tenho de lhes agradecer o risco que assumiram ao apostar numa novidade, mas depois viram que o impacto do que queriam transmitir se multiplicou e perceberam a resposta entusiasta dos seus públicos. Trabalhei em conferências explicando graficamente coisas tão diferentes como nutrição e o genoma, descrições de intrigas literárias, o funcionamento de airbags para peões, implantes cerebrais… Um assistente numa apresentação me convenceu da eficácia deste sistema com uma frase: “É a primeira vez que passou uma hora de apresentação sem tomar atenção ao Blackberry”.

María Santamaría
Diratora de Imprensa da editora Taurus, da PRISA Ediciones

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