O negócio da música sobe à nuvem

Uma das últimas intervenções de Steve Jobs foi para apresentar a maior aposta da Apple no campo do cloud computing (computação na nuvem), tendência tecnológica que consiste em oferecer serviços informáticos através da internet.

De acordo com Apple, iCloud permite armazenar todos os documentos digitais (imagens, texto, música ou vídeo) na nuvem (metáfora da web) e acessá-los desde os dispositivos Apple conectados, embora também seja compatível com o PC.

Ao registrar-se neste serviço que será lançado nos Estados Unidos no outono, o usuário receberá 5 Gb de armazenamento gratuito, sem contar as compras de música, livros e aplicações.

Nossa discoteca virtual

Se não fosse pelo anúncio que fez Jobs quase no final de sua apresentação, iCloud não se diferenciaria muito das outras ferramentas que servem para salvar documentos na nuvem, como o Dropbox.

No entanto, em um dessas voltas que nós estávamos acostumados, mostrou iTunes Match, uma nova reviravolta da companhia no setor que revolucionou há uma década com os lançamentos do iTunes e do reprodutor iPod.

O serviço permite armazenar toda a coleção de música do usuário, incluindo itens que não foram comprados na loja online da Apple. iTunes Match analisa a discoteca do cliente e somente carrega na nuvem, músicas que no apareçam no catálogo da iTunes Store (formado por 18 milhões de temas), economizando tempo.

Depois de concluído o processo, todos os arquivos do cliente, incluindo as futuras compras, estarão acessíveis com qualidade iTunes Plus de 256 Kb/s a partir de qualquer dispositivo conectado. O custo anual do serviço nos Estados Unidos será de 24,99 dólares.

Infográfico do impacto digital em indrustria de música

Objetivo: Amazon e Google

O movimento da Apple pretende competir com os serviços de armazenamento de música na nuvem da Amazon e Google, como se pode ver no site de Apple, que inclui uma comparação das três opções.

O gigante do comércio eletrônico pôs-se à frente dos seus concorrentes lançando Amazon Cloud Player em março.

Existem três diferenças fundamentais em relação ao iTunes Match: é mais caro (50 dólares por ano por guardar 5000 músicas; 200 dólares, por 20.000 temas), leva mais tempo para armazenar os arquivos porque tem que fazer uploads de todos e permite escutar a música em streaming (possibilidade que não está contemplada na aplicação da Apple).

Google Music é muito parecido ao Amazon Cloud Player. Apresentado em meados maio, os arquivos musicais são guardados nos servidores da companhia e podem ser ouvidos em diferentes dispositivos.

Até o momento desconhece-se o preço do serviço, pois ainda está em fase beta e só pode ser acessado nos Estados Unidos e com convite.

 

Spotify lidera o mercado europeu

Como paradigma do serviço musical on-line, Spotify mudou a forma como milhões de pessoas ouvem música na Europa.

Seu sucesso reside principalmente em quatro aspectos: interface simples, amplo catálogo, reprodução em streaming (sem necessidade de fazer download das músicas para o computador) e a opção limitada gratuita (sustentada pela publicidade) ou pagamento ilimitado (entre 4,99 e 9,99 euros por mês).

A fórmula tem se mostrado muito popular: Spotify tem mais de 10 milhões de usuários (cerca de um milhão pagam) e seu catálogo supera os 13 milhões de títulos. Além da empresa sueca conseguiu pousar em Estados Unidos, o maior mercado do mundo juntamente com a China.

Outro sucesso de Spotify tem sido a recente aliança com o Facebook, que ele tem relatado superior a 4 milhões de usuários em apenas seis semanas.

O último dos dinamarqueses é que a empresa está abrindo sua API para terceiros. Desta forma, fora da empresa os desenvolvedores podem criar aplicativos que são integrados em sua plataforma, com o objetivo de concluir e personalizar o experiência de usuário. Este desenvolvimento é aberto a todos, embora aplicativos devem ser aprovados pela empresa antes de abrir para os consumidores.

Outros serviços similares

A mudança de tendência que causou Spotify na Espanha e outros países europeus é irrefutável. Segundo dados de Promusicae, em 2010 o streaming autorizado cresceu 1711% comparado ao ano anterior. O aumento do faturamento também é impressionante: de 500.000 euros em 2099 a 9,4 milhões o ano passado.

Novos atores aparecem em cena, Deezer, é um novo serviço de música in streaming, que suportam na sequência da Spotify, pretende conquistar o mundo da música da nuvem, e que como isto baseia-se no Facebook para incentivar seus usuários, como uma vantagem, o download de qualquer software não é necessário para ser capaz de acessar o catálogo de músicas, em contraste com seu ‘mestre’ sueco.

O sucesso da música em streaming não é exclusivo do mercado europeu. Na América Latina, Sonora está funcionando muito bem. Impulsionado pelo Terra, o portal tem seis milhões de usuários no Brasil, Argentina; Chile, Colômbia, México e Peru.

O objetivo da filial de internet da Telefônica para final de 2010 é superar os 10 milhões de clientes, dos quais um milhão pagaria, e lançar o serviço nos Estados Unidos.

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