É transmedia ou não é?

 

España en Serie é uma recordação da ficção espanhola dos últimos anos. Dá-nos uma idéia de como a sociedade mudou dos anos 70 até hoje. E também a televisão.

Mas o que mais mudou nesse tempo foi o espectador, que agora no CANAL+ chamamos de usuário. Para nós, deixou de ser um cara (nunca foi uma senhora de Cuenca) que está sentado no seu sofá. Agora é um cara com uma smartphone ou um tablet na mão. E quer participar na festa.

Por isso, a joia da coroa do lançamento de España En Serie é um jogo que criamos em formato webapp, que pode experimentar aquí.

A última discussão no departamento é se o jogo que criamos é um projeto transmedia puro. Como tal, vamos analisar quais são as chaves para que um projeto transmedia chegue a bom porto. Vamos ver se cumprimos ou não.

Para obter uma perspectiva, pedimos ajuda a Belén Santa Olalla. Ela trabalha na Transmedia StoryTeller, uma das mais importantes agências de transmedia do mundo. Para além disso, vamos utilizar a apresentação que Ingrid Kopp, diretora de Iniciativas Digitais do Tribeca Film Institute, realizou para a X Media Lab Conference na Suíça e que encontramos neste artigo de IndieWire.

• Os pontos de partida do projeto transmedia

Segundo Belén Santa Olalla, para se iniciar um projeto transmedia é precisa “uma vontade clara de fazer algo participativo com o público, que gere experiências personalizadas e que possa chegar ao nosso espectador por vários caminhos”.

Nos parecia que era o produto de produção própria mais importante do ano, tínhamos conteúdo exclusivo extra nosso e podíamos apresentar uma comunicação mais abrangente. Se o fizemos com “Guerra dos Tronos”, não tínhamos como não o fazer com ‘España en Serie’!”. Cristina Pablos, desenvolvimento de “España en serie: El Juego”.

O público vem primeiro
Belén: “: “É necessário analisar claramente a quem nos dirigimos, quais são os seus hábitos e gostos, porque a nossa proposta se adaptará à sua vida, mais do que eles ao nosso produto”.

Fomos muito bem acolhidos pela comunidade ‘seriéfila’ com El Rey de las Series do Festival de Séries, que é um jogo de perguntas e respostas em direto sobre séries que emitimos. Toda essa gente, para além de ver ‘Guerra dos Tronos’ ou ‘Breaking Bad’, também já viu séries espanholas como ‘Cuéntame’ ou ‘ Farmacia de Guardia’”.  Cristina Pablos, desenvolvimento de “España en serie: El Juego”.

• Colaborar é hard!
Produção, Documentação, Autopromoção, Comunicação, Concepção, Desenvolvimento, Estúdios… O nosso jogo é fruto do trabalho de muitos colegas. Um trabalho difícil em que ninguém deve impor a sua opinião aos outros e em que a paciência é a melhor arma.

Os redatores do programa nos passam os seus guiões, nós redigimos as provas e pesquisamos o material. A produção nos passa o material exclusivo que ficou fora do programa. O desenhador desenha e o programador apresenta como deve funcionar. Tudo de forma coordenada e treinada, é como uma locomotiva. Até que salte algum parafuso!”

• Há que investir
“As empresas procuram chegar a um público cada vez mais automatizado e segmentado, pelo que têm que gerar experiências adaptadas a esses públicos que já não se movem em massa, mas que respondem a vontades totalmente individuais”, assinala Belén Santa Olalla.

“Um Fantasy NBA+ para os loucos de #dormiresdecobardes e uma webappp sobre España En Serie. Um passo mais além para o Social Futbol e uma surpresa para a nova temporada de “Guerra dos Tronos”. A roda “transmedia” começou girando com força no CANAL+…”

• Fail Fast Forward
Aprender a falhar, se levantar e continuar. Ingrid Kopp cita Becket e nós também: “Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better”.

No ano passado montamos uma NBA Fantasy League e arrasou, em seguimento e usuários. Também publicamos o Social Futbol, mas não teve o acolhimento que esperávamos. E depois chegou Vive Poniente, um mapa interativo de “Guerra dos Tronos” que nos deu problemas no arranque. Mas ainda aqui estamos!”

• Be fan my friend
A experiência de fã para fã gera uma comunidade. E como diz Belén, “o que estas empresas procuram é gerar um engagement poderoso, que faça os espectadores sentirem os conteúdos como seus, já que são colocados no centros destas experiências imersivas. Desta forma, dando-lhe liberdade e personalização, se fideliza o espectador, que deixa de o ser para se tornar um fã”.

Em “Guerra dos Tronos”, montamos uma comunidade de quase 150 mil pessoas nas redes sociais, montando experiências ‘transmedia’ como o Grito de Guerra ou o mapa interativo do ano passado. Na NBA temos quase 100.000 pessoas sem dormir todas as noites, com a Fantasy como grande presente desde o ano passado. Mais de 8000 aguardam o Festival de Séries que celebramos anualmente, com o Rey de las Series como cereja no topo do bolo. Conhecemos o efeito fã, e um dos nossos objetivos é que os nossos usuários passem para o lado negro

• Nunca se esqueça de
Belén afirma que são duas coisas: Ter uma premissa clara e falar diretamente para a nossa comunidade.

A nossa premissa é oferecer ao nosso usuário mais uma alegria, para que continue aceitando o nosso recibo no seu banco por mais um mês. E acreditamos que, temporada após temporada, passamos a conhecer os nossos ‘seriéfilos’.”

AAgora é a sua vez de começar a jogar e nos contar se acha que cumprimos ou não com o projeto transmedia puro…

Cristina Merino
Comunicação Transmedia da PRISA TV

 

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