Ferrar o dente na fome. Planeta Futuro unem-se à FAO para combater a fome

Passar fome não é um cenário apocalíptico literário ou cinematográfico. Não. É uma triste realidade no mundo de hoje: quase 800 milhões de pessoas sofrem deste mal. Carecem de alimentos suficientes para levar à boca quando ela lhes pede. E um total de 2.100 milhões de habitantes deste planeta encontra-se em risco de aumentar esta estatística tremenda, ao viver em condições de extrema pobreza, com menos de 3,10 dólares por dia. Por muito que este total nos indique que falamos de um terço dos nossos vizinhos ou membros da população mundial, não sabemos quase nada sobre eles. Os cidadãos. E os meios de comunicação social. Sobre a fome não se escreve nem se fala demasiado. Isto apesar de ser, na realidade, a notícia mais escandalosa do nosso tempo, de hoje, de amanhã e do passado… A secção digital Planeta Futuro, do EL PAÍS, nasceu há mais de dois anos para quebrar este silêncio como um projeto ambicioso com o apoio e patrocínio da Fundação Bill e Melinda Gates.

PlanetaFuturo_02

Há muito tempo que tentamos colmatar este buraco negro profundo em pleno século XXI. Atarefamo-nos na nossa redação – uma pequena equipa de quatro pessoas que contam com a ajuda de colaboradores, ilustradores e jornalistas do EL PAÍS – para informar o público sobre a tremenda desigualdade que domina o mundo hoje em dia de uma forma inovadora, aberta e direta, procurando novas abordagens; sobre o sofrimento quotidiano em que vivem milhões de crianças e mulheres, as doenças esquecidas que os afetam, a falta de água e saneamento, a morte no parto ou durante a infância, a falta de acesso à educação e aos direitos, os danos provocados pelas alterações climáticas, a resposta dos seres humanos que protagonizam essa situação, as ações ou falta delas por parte dos seus governos… Chegámos até aqui cansados, sim, mas amadurecidos, sedentos de mais e até com prémios: uma dezena de prémios conquistados neste período de tempo. E isto mostra que os leitores se interessam por estes conteúdos: querem saber dos mais necessitados.

canned mackerel

Para reforçar as notícias, as reportagens, os especiais e a informação em vários formatos que publicamos todos os dias na secção digital – tudo relacionado com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que marcam a agenda internacional até 2030 – o EL PAÍS e a PRISA associam-se agora à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Esta agência especializada, cuja sede se encontra em Roma (Itália), tem uma missão clara: elevar os níveis de nutrição dos povos e melhorar as condições de vida da população rural, “contribuindo assim para a expansão da economia mundial e para libertar a Humanidade da fome e da pobreza”. Pretende-se com este acordo unir esforços, aproveitando as respetivas vantagens e meios de cada entidade, trabalhar de maneira sinergética e colaborar em áreas de interesse comum com base nos cinco objetivos estratégicos da FAO:

  1. Ajudar a erradicar a fome, a falta de segurança alimentar e a subnutrição
  2. Fazer com que a agricultura, as atividades florestais e a pesca sejam mais produtivas e sustentáveis
  3. Reduzir a pobreza
  4. Fomentar sistemas agrícolas e alimentares inclusivos e eficientes
  5. Incrementar a resistência dos meios de vida perante as ameaças e as crises

Recentemente, assinou-se em Roma o convénio entre ambas as entidades pelas mãos do diretor geral da FAO, Jose Graziano Da Silva, e do presidente da PRISA, Juan Luis Cebrián, na presença do diretor do EL PAÍS, Antonio Caño, e da autora deste texto, a responsável pelo Planeta Futuro.

planetaFuturo_02

Este acordo, com uma duração de quatro anos, inclui numerosos projetos futuros mais ou menos ambiciosos com o intuito de dar a atenção devida à segurança alimentar. E o sinal de partida foi marcado pela contratação durante este mês de um novo jornalista para a equipa do Planeta Futuro, Carlos Laorden. O jornalista juntou-se já a Pablo Linde, Lola Hierro e Alejandra Agudo nas tarefas da redação, com a particularidade de que passará muito tempo a trabalhar a partir da própria sede da FAO em Roma. Lá, terá a missão de nos informar sobre assuntos relacionados com os cinco pontos supramencionados e com os outros temas que já fazem parte do ADN da secção.

Para o Planeta Futuro, isto significa crescer e reforçar os conteúdos sobre a fome, a pobreza, a subnutrição, a agricultura e o mundo rural com acesso em primeira mão a materiais e especialistas. Um privilégio jornalístico. E uma nova janela que se abre para essa outra realidade que julgamos ser exclusiva dos filmes.

 Lee todo sobre el acuerdo firmado entre PRISA y la FAO para impulsar la información sobre el desarrollo sostenible haciendo clic en este enlace.


Lola Huete Machado
Responsable de Planeta Futuro

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

MENU
Leer entrada anterior
Sabe “hypear”?

Seduzir os millennials parece ter-se tornado o objetivo de qualquer departamento de marketing. Porém, de nada serve traçar uma estratégia...

Cerrar