IBM: partilhar para inovar

 

Em 2012, IBM liderou pelo vigésimo ano consecutivo o ranking de patentes nos Estados Unidos, com um total de 6.478 referências registradas. Segundo a empresa, estas novidades permitirão avanços fundamentais em campos como a análise web, a cibersegurança, ou cloud computing ou o big data.

Para alcançar esse número de patentes e continuar na vanguarda da inovação após mais de cem anos, o Gigante Azul investe anualmente cerca de seis mil milhões de dólares em I+D. Uma boa parte desse montante vai parar aos 12 laboratórios que o fabricante tem espalhados pelo mundo e de onde saíram, até à data cinco Prêmios Nobel.

Mas esse investimento não é o único que a empresa faz para incentivar a criação de novas e valiosas idéias nas suas filas. Como afirma Miguel Ángel Rodríguez Oller, diretor de comunicação interna e marca da IBM España, existe uma parte “menos estruturada” do processo de inovação no qual estão envolvidos praticamente todo o rol de funcionários, mais de 400 mil profissionais.

Esta estratégia resulta no conceito de social business, ou seja, a utilização de ferramentas colaborativas que geram uma inteligência coletiva. Para a IBM, o valor dessa soma de conhecimentos é muito claro já que, segundo os dados obtidos, o social business reduz em 66% o tempo despendido na criação de novos produtos e diminui em 45% o tempo dedicado à identificação de áreas a melhorar, entre outros benefícios.

 

A IBM tem mais de 100 anos, inovando graças as idéias de seus trabalhadores.

A cultura da colaboração

Rodríguez Oller se mostra enfático ao falar desta forma de trabalhar: “Pela própria dinâmica do nosso negócio, precisamos muito uns dos outros. Quando um cliente faz um pedido, esse pedido exige conhecimento de muitos funcionários, até de países diferentes, o que nos levou a desenvolver uma cultura muito baseada na colaboração para que exista um espírito de partilha muito interiorizado”.

Para colocar em prática esta cultura, todos os profissionais da IBM têm acesso a uma intranet global muito colaborativa cuja primeira versão é de 1996. Com o tempo, esta plataforma foi evoluindo e integra atualmente a Connections, uma ferramenta que permite estabelecer conversas em tempo real, partilhar ficheiros, abrir grupos de trabalho, criar blogs… “Qualquer pessoa pode se ligar com qualquer colega sem intermediação de estruturas hierárquicas”, destaca Rodríguez Oller. Por exemplo, este foi o espaço escolhido pela presidente da empresa, Ginni Rometty, para criar o blog Thinktogether, que é atualizado pelo menos uma vez por trimestre. Um das últimas publicações de Rometty foi um vídeo em que comentava  os resultados da empresa no primeiro trimestre do ano, um conteúdo que, até à data, obteve 123.000 visitas e 492 comentários. Rometty procura responder a todas as questões colocadas por qualquer funcionário da empresa nesse blog.

A utilização da intranet da IBM fica bem patente nestes números: 600.000 perfis (entre os 400.000 funcionários e colaboradores),  quatro milhões de acessos ao Connections por mês, 160.000 grupos, 74.000 blogs e 1,2 milhões de arquivos subidos com mais de 45 milhões de descargas.

Mas esta cultura de colaboração através da intranet é complementada por outras iniciativas, entre as quais se destacam as seguintes:

Jam-sessions. Tal como as sessões improvisadas de jazz, de onde obtiveram o nome, nestes encontros os profissionais da IBM partilham diversas experiências através de uma plataforma web. Cada convocatória se organiza em torno de um determinado tema, e uma vez finalizada, são analisadas todas as colaborações para gerar um conhecimento coletivo que traga valor para a empresa. A primeira teve lugar em 2003, e delas nasceram os valores que definem atualmente a IBM. A última, celebrada no passado mês de abril, congregou durante três dias 300 mil funcionários para acordar conjuntamente que comportamentos devem definir os valores definidos em 2003.

Digital IBMer Hub. Iniciativa global cujo objetivo é tornar mais fácil que todos os profissionais da IBM sejam ativos digitais, tanto interna como externamente. Como tal, inclui informação em segurança, confidencialidades, privacidade e identidade digital. A empresa cuida de todos estes aspetos ao ponto de Ginni Rometty afirmar que, num futuro não muito distante, não será estranho ter em conta as participações dos profissionais nas redes sociais internas e externas na hora de avaliar o seu rendimento anual.

Já em 2005, uma iniciativa dos próprios funcionários criou uma lista de boas práticas nas redes sociais. Em pouco tempo, a empresas assumiu esses conselhos como próprios e publicou as 12 recomendações que deve seguir um profissional da IBM para cuidar das suas diferentes identidades digitais.

TAP, Technology Adoption Program. Este programa convida qualquer profissional da IBM a colaborar na geração de novas soluções. Na prática, fundamentalmente, os programadores criam pequenas ferramentas e estabelecem períodos de teste para que todos os colegas as possam experimentar e enviar os seus comentários. Quando uma tecnologia é considerada madura, passa a fazer parte do catálogo de ferramentas internas e algumas são mesmo incorporadas no catálogo que a IBM oferece aos seus clientes.

Innovation Hub. Plataforma de inovação aberta na qual os funcionários poder divulgar idéias que são posteriormente comentadas pelos seus colegas. Um papel fundamental tem o profissional encarregado de monitorizar as propostas interessantes que podem ser colocadas em prática.

DeveloperWorks.Portal externo dirigido a programadores de software e no qual se partilham artigos, tutoriais, demonstrações, programas informáticos e exercícios que ajudam a construir capacidades técnicas.

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