Inovar: da ideia à ação

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A inovação surge em todas as receitas para impulsionar a competitividade empresarial através de novos produtos e serviços que impliquem uma vantagem diferencial em relação à concorrência. Ora bem, como se materializa essa inovação? Como se consegue ser diferente? Para responder a algumas dúvidas, falámos com Fernando Botella, sócio fundador e CEO da Think&Action, uma empresa de consultoria especializada na transformação das organizações e dos seus profissionais.

Em que consiste ao certo inovar?
A inovação é um conceito que está relacionado com a renovação e com a adaptação. Eu gosto sempre que salientar que, quando pensamos em inovação, temos de ter presente que, no fundo, se trata de desenvolver estruturas que os outros não têm e que nós também não tínhamos até ao momento. Podemos chamar a essas estruturas processos, produtos, serviços, o que você quiser. Mas o importante é que, quando inovamos, estamos nos diferenciando e, para isso, há que oferecer uma mais-valia, tanto para a própria organização como para os mercados a que nos dirigimos. Esse valor é absolutamente necessário para que haja inovação.
O segredo está, portanto, em passar à ação. É o princípio da dupla criação, que diz que tudo na vida é criado pelo menos duas vezes: uma vez na ideia e outra na ação. E, se não houver criação a nível da ação, é como se não tivesse existido qualquer criação. Quando temos uma ideia, é preciso planificar, verificar que essa ideia funciona ou não e, claro está, enganar-se, porque é preciso errar para aprender.

Hoje em dia, que papel tem a tecnologia no momento de inovar?
A tecnologia é um acelerador do êxito. Trata-se de um elemento necessário, mas só isso não basta, porque devem entrar também em jogo o conhecimento e o talento. Quando você trabalha com tecnologia e entra em contacto com o talento, é produzida uma multiplicação (TxT) que faz com que os desenvolvimentos sejam mais rápidos e, além disso, acelera-se a entrada nos mercados.

Atualmente, que qualidades deve reunir um profissional capaz de inovar?
Neste momento, há duas qualidades que se destacam. A primeira é a visão de futuro ou a capacidade de sonhar, algo que nos permite construir novas formas de compreender o mercado, a nossa própria empresa ou os nossos próprios processos. A segunda qualidade, também muito importante, é a necessidade de acreditar para criar, ou seja, ter confiança no que se está fazendo para que, no final, tudo conduza à ação, à concretização que permite trazer o futuro para o presente.

Como se consegue preservar o talento numa empresa inovadora?
Em primeiro lugar, é fundamental que as pessoas se divirtam com o que estão fazendo, uma vez que a diversão é um dos principais indicadores da eficácia. E, por outro lado, a equipe deve estar integrada e ter consciência de que está trabalhando num projeto comum.

Que fatores impedem a transformação das companhias?
Fundamentalmente, as próprias resistências à mudança. Se a representássemos numa equação matemática de modo a ver com mais clareza, a mudança seria o resultado da necessidade de mudar menos a resistência. E essa resistência pode se materializar na protelação, na preguiça, na obsessão por assuntos do quotidiano… Há que tentar resolver todas essas resistências, mas não há receitas mágicas para enfrentar esse problema.

Não acredito em motivar os outros, acredito sim na automotivação, ou seja, em criar estímulos para que as pessoas da sua organização se sintam motivadas. Neste momento, é muito mais importante catalisar a automotivação, o autoconhecimento e a liderança individual, porque tudo isto acaba confluindo numa vontade positiva perante o que cada pessoa envolvida num projeto está fazendo.

José Ángel Plaza
Equipe de Transformação da PRISA

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