A necessidade de conectar a educação

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Fazer com que a educação seja cada vez mais igualitária e adaptada às tecnologias é o motor do VIII Seminário Internacional União Europeia – América Latina que, sob o lema “A Inovação e as Novas Tecnologias ao Serviço da Educação e da Formação”, foi celebrado na Fundação Euroamérica e apresentado pela sua presidente Benita Ferrero-Waldner, oferecendo destaque às mudanças atuais nos modelos e nas ferramentas utilizadas para a aprendizagem e considerando que se trata de uma oportunidade para agir. Porém, ela quis também deixar claro que as novas tecnologias no sistema escolar enriquecem e potenciam a curiosidade e a experimentação, mas que ao mesmo tempo é necessário advertir sobre a necessidade de analisar os riscos e desafios existentes e prever as suas consequências.

A América Latina é a região onde mais se tem investido financeiramente para introduzir as tecnologias na sala de aula, mas o resultado não tem sido de todo o esperado. O fosso social ainda persiste e os dispositivos tecnológicos devem ser muito mais do que os mesmos manuais escolares de antes, só que muito mais caros. É preciso educar mais em termos do funcionamento das TIC do que apenas ensinar a ser meros usuários das mesmas.

A cooperação entre a Europa e a América Latina em questões de tecnologia educativa está aberta, o importante agora é cuidar da qualidade e atingir a acessibilidade universal da mesma, e o desafio se encontra tanto dentro como fora da sala de aula. Estas palavras de Paulo Speller, secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) se unem ao seu apelo para desenvolver a inteligência emocional dos alunos para alcançar mudanças verdadeiramente substanciais na sociedade, criando assim cidadãos justos e éticos, ou seja, fazer educação para a sustentabilidade. Tudo será possível com a participação ativa de todos os países, partilhando experiências para chegar ao ano de 2021 com as 12 metas cumpridas (UNESCO).

Uma das sessões mais ativas do evento se intitulava “A Aplicação das Novas Tecnologias e da Internet no Processo de Aprendizagem” e, nela participaram especialistas do setor como Francesc Pedró, Chefe de Secção de Assessoramento em Políticas Setoriais e Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) na Educação da UNESCO, que apresentou os 3 possíveis temas gerais que unem a educação e a tecnologia:

  • O uso da educação para aprender SOBRE tecnologia, onde surge o debate sobre a necessidade da aprendizagem das linguagens de programação.
  • O uso da educação ATRAVÉS da tecnologia. Neste aspeto, os programas de e-learning assumem um papel central.
  • A aprendizagem COM a tecnologia, onde se avaliam os esforços já realizados para conseguir obter melhores resultados no futuro.

Pedró nos apresentou um panorama repleto de contrastes, em que muito foi feito em termos de equipamento, mas nem tanto no uso das TIC no ensino e deixou claro que “não conseguiremos avançar enquanto não tivermos os recursos humanos certificados e capacitados para o uso das tecnologias na sala de aula”. Salvo Cuba e o Uruguai, não há uma massa crítica na América Latina de professores formados nisto.

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O ponto de vista de Germán Ruipérez, professor de e-learning sobre a sensação de saturação da oferta em tecnologia foi surpreendente. Não só estão chegando à aprendizagem novidades como a impressão em 3D, os MOOC, a realidade aumentada ou os wearables como os óculos Google Glass ou a roupa tecnológica que nos permite aceder à Internet, como também se estão incorporando tendências quase futuristas como a transferência ou implante de pensamentos, como é o caso de Kewin Warwick e o seu braço robótico. A neurociência permitirá que o próprio ser humano se possa transformar numa parte integrante da Internet.

Se todos temos vários pontos de acesso à Internet, porque não aproveitá-los? Talvez fosse interessante adaptar o conceito anglo-saxônico Bring Your Own Device (BYOD) de modo a que o próprio aluno levasse para a sala de aula os seus dispositivos de acesso à Rede e não ter de esperar que seja o centro educativo a lhos proporcionar, até porque seguramente serão mais obsoletos. Isto está relacionado com a atual polêmica de permitir ou não o uso de dispositivos móveis nas aulas.

Por sua vez, Esperanza Ibáñez, Manager de Políticas e Assuntos Públicos da Google Espanha e Portugal, falou sobre o ponto de inflexão da revolução digital que estamos vivendo e que afeta a educação da mesma forma que os restantes estratos da sociedade. Portanto, é necessário dar formação em capacidades digitais, conhecimentos avançados no manejo da informática que permitam adquirir competências digitais. As inovações tecnológicas avançam muito rapidamente e os programas se deveriam adaptar para dar resposta aos postos de trabalho do futuro.

Juan Vázquez Zamora, economista na Unidade da América Latina e do Caribe no Centro de Desenvolvimento da OCDE, apresentou uma clara aposta no e-learning como uma oportunidade para o acesso à educação em todo o mundo, sobretudo em regiões com populações mais desfavorecidas. Porém, ele fez finca-pé na ideia de que este método de ensino deve estar ligado ao cumprimento de determinados objetivos: cumprir em termos de qualidade, assegurar a igualdade e gerar um vínculo com o setor produtivo.

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Numa nova sessão, foi analisado o Impacte dos meios de comunicação na Educação, onde Mariana Féged, diretora de desenvolvimento de negócios da Bertelsmann Espanha, falou sobre o impacte que a revolução das redes sociais teve na Educação, em particular em 3 áreas:

  • A comunicação. Ponto em que se coloca um conteúdo à disposição de um grupo de interessados que se encontra unido pela língua.
  • A interatividade. Ponto em que os alunos estão na mira do processo de aprendizagem e dos conteúdos, da metodologia, e o envolvimento do corpo discente é conquistado pelo docente, que assume um papel mais ativo e mais importante do que nunca.
  • O acesso. É imprescindível assegurar este acesso para partilhar conhecimentos.

Por parte do setor dos meios audiovisuais, tivemos a intervenção de Alberto García Ferrer, Secretário-Geral da Associação das Televisões Educativas Ibero-Americanas (ATEI), afirmando que há mais televisão do que nunca porque se acede a ela por muito mais canais do que antes, como os novos dispositivos pessoais, mas isso origina também uma clara fragmentação de audiências. “A televisão é diversa e é variável como a Internet, mas não devemos cair no erro de pensar que o poder da mudança é responsabilidade do instrumento. Isso dependerá do uso que lhe dermos com a nossa capacidade criativa.” E como clímax da sua palestra, ficou uma máxima interessante: “Educar é ajudar a compreender. A televisão deveria ajudar a compreender.”

Se há algo que fica claro neste encontro é que, a partir de agora, deveríamos falar mais de Conexão na Educação do que de Tecnologia na Educação, e este deve ser o caminho a seguir em uma sociedade onde esta conexão é já a base de tudo.

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