Os 4 pilares da estratégia móvel do The New York Times

Com uma carreira de 164 anos, o jornal The New York Times não parou de se reinventar ao longo da sua história para se adaptar às novas formas de consumir conteúdos informativos. Neste sentido e neste momento, o jornal diário continua imerso na sua transformação digital, uma estratégia com um protagonista claro: o público móvel.

De momento, parece que o propósito de se transformar num meio de comunicação social “mobile first” está indo pelo bom caminho. De fato, atualmente, cerca de 60% do tráfego online do The New York Times já é móvel, em comparação com os 30% que representava em 2013. E longe de ficar por aqui, a ideia da companhia é aumentar essa percentagem até aos 75% num prazo máximo de três anos.

Para alcançar esse objetivo, o jornal diário se centrará num único dispositivo, tal como afirmou Marc Frons, diretor da área tecnológica e digital do The New York Times, durante a sua intervenção em The Mobile Day, o encontro da Mobile Dreams Factory, celebrado no dia 2 de junho em Madrid: “Quando falamos em móvel, estamos nos referindo sobretudo ao tráfego procedente dos smartphones, dado que os tablets acabaram por não representar a transformação esperada num momento inicial e as suas vendas se estabilizaram, ao passo que as dos celulares inteligentes não param de crescer.”

Frons está convencido de que os conteúdos que chegam aos leitores do The New York Times através dos smartphones devem reunir os seguintes adjetivos:

  1. Urgente
    Se os celulares nos acompanham para todo o lado e nos permitem estar em contato em tempo real com quem quisermos, mesmo que se encontre na outra ponta do planeta, estes dispositivos deveriam ser a nossa principal fonte de notícias, especialmente as notícias de última hora e os exclusivos. Nesse sentido, Frons aposta num jornalismo móvel “urgente e imediato” através de alertas informativos que nos podem chegar por notificações. Ainda assim, é preciso conhecer muito a fundo os leitores para que “o poder das notificações” não se transforme num bombardeamento constante que prejudique a experiência de usuário.
  1. Informativo
    “Além de chegarmos primeiro, temos de oferecer conteúdos de qualidade e contextualizar a informação”, sublinha Frons. Por outras palavras, o Jornalismo deve-se transladar para os dispositivos móveis de uma maneira eficaz, pelo que é necessário enriquecer esses alertas e oferecer mais dados, assim como compilações de artigos sobre um mesmo tema, algo que também ajudará a gerar mais tráfego.
  1. Interessante
    Se trata de criar conteúdos “aditivos e essenciais” que deem resposta aos novos formatos de consumo, como o vídeo. Além disso, os membros da equipe editorial devem experimentar e reorganizar a informação com o objetivo de encontrar novas formas de contar histórias.
  1. Personalizado
    Tudo deve ser criado à medida do usuário. As ferramentas analíticas cada vez nos proporcionam mais dados sobre os leitores / clientes, pelo que podemos averiguar as suas preferências e lhes oferecer a melhor experiência possível com base nas mesmas. É vital adaptar os conteúdos para que o público receba e aceda apenas àquilo de que precisa em cada momento.

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Quanto ao debate sobre se é melhor chegar ao público a partir de uma versão móvel da página de Internet ou a partir de uma aplicação nativa, Frons defende ambas as opções, dado que cada uma delas tem um objetivo diferente. Assim, ao passo que a primeira é muito importante pelo caráter social que ajuda a dinamizar os conteúdos, a aplicação é uma aposta mais acertada para os clientes mais fidelizados que buscam uma experiência muito mais personalizada.

“É preciso pensar muito bem em como maximizar a audiência para a transformar em usuários registrados e, posteriormente, em clientes que pagam”, assinala Frons. Portanto, o The New York Times também inclui na sua estratégia móvel acordos com terceiros, como o anunciado recentemente com o Facebook, juntamente com outros meios de comunicação internacionais.

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