As melhores intervenções no Red Innova

Martin Varsavsky

Ainda que os momentos mais mediáticos e provocadores da primeira jornada da Red Innova tenham vindo de grandes oradores como Martin Varsavsky (@marinvars), Gaby Castellanos (@gabycastellanos) e Alfonso Alcántara (@Yoriento), não seria justo deixar de lado alguns dos maiores momentos da abertura desta edição da Red Innova (#RI2012).

José Cerdán, o fundador do que viria a ser a PC City e atual CEO da Acens Technologies, fez uma apresentação apaixonada e direta. Cerdán, que se considera um “comerciante”, afirma que o que a Espanha necessita neste momento é precisamente isso, “comerciantes”. E há que mudá-los do modo “off” para o modo “on”. Algo que vá mais para além do digital. Assim como com a chegada de negócios como a Zara o pequeno comércio teve de se adaptar e repensar, por exemplo, as suas montras, aquilo que é necessário agora é um passo semelhante noutra direção. “É possível montar um negócio a partir de casa, e as pessoas não sabem disso”. Ou seja, algo planejado durante vários momentos no Red Innova. Temos contas de Facebook, Twitter, compramos entradas na Internet, reservamos as nossas viagens online. Mas é possível fazer algo mais. Cerdán  levantou outro ponto interessante: não ficar obcecado com a posição no Google. “Não há nenhum truque de posicionamento. É artesanal”. Ou seja, se nos posicionamos e depois defraudamos, não atingimos o nosso objetivo.

Mas além disso, o CEO da Acens trouxe um convidado especial. Sergio, que se definiu como “o animal raro da Red Innova”, na realidade não era mais do que um brilhante exemplo de um comerciante que passou do “off” para o “on”. Sergio, que se apresentou como “o vendedor de frutas da Acens” se dedicava (e se dedica) a vender fruta. “Eu percebo de frutas, não de Internet “. Mas houve um momento em que a sua idéia passou ao “on”. Começou a levar frutas aos escritórios das empresas, entre elas a Acens. Assim, montou um site na Internet, Have a nice fruit, consciente de que se alguém procurasse seu serviço, faria uma busca na Internet. A Acens, cliente, afirma que este serviço de fruta de qualidade servida nas empresas, no seu caso, aumentou a produtividade. Porquê? Muita gente ganhou coragem para deixar de fumar…

“Se a alternativa é o desemprego, empreender sai barato”

A sua fama e capacidade de grande “speaker” já auguravam uma enchente na Sala Telefónica. E Martin Varsavsky cumpriu o prometido. Explicou o seu início como empreendedor aos 25 anos, e o perfil atual de um empreendedor de 25 anos. E nos brindou com algumas idéias sobre os produtos inovadores que fazem falta ao mercado. Como tornar social a venda de uma passagem de avião escolhendo o vizinho por afinidade social (a KLM tem algo semelhante com o seu Meet and Seat), um “grande produto” para geolocalizar seus amigos ou uma aplicação (tipo Klout) “que me diga se sou um consumidor inteligente ” e compare o preço de uma compra feita com o de uma possível compra feita com melhor comparação.

E claro, também falou da situação da Espanha, e aí surgiu a primeira frase polêmica: “Se a alternativa é o desemprego, empreender sai barato”. Essa é a grande oportunidade perante a crise: empreender, segundo Varsavsky.

As Redes Sociais e o Kamasutra

E claro, a grande agitadora social e CEO da SrBurns, Gaby Castellanos (@gabycastellanos), que fez uma apresentação atrativa, partindo do princípio que as bases das Redes Sociais e do sexo têm os mesmos objetivos, comparando as boas práticas nas Redes Sociais com as posições do Kamasutra. Assim, Gaby Castellanos recomenda a posição da amazona, em que o consumidor lidera e a marca se entrega. Uma conclusão clara: “Se não apaixonar, vai pagar com uma crise”.

Outro dos comunicadores que captou a atenção da audiência apesar dos nervos prévios foi Alfonso Alcántara (@Yoriento). Ele realizou uma abordagem provocadora à sua apresentação: “Não se preocupe com o dinheiro, porque não há; o melhor investimento é conseguir clientes”. Para começar, levantou as pessoas das cadeiras, propondo-lhes um jogo com simples globos, que consistia em encontrar outras pessoas com um globo de cor totalmente diferente e publicar no Twitter o nome da equipa.

O autor do blog Yoriento.com utiliza uma estratégia muito boa para as típicas desculpas para não investir baseadas no clássico “se eu tivesse”, que rebate de forma inteligente, perguntando diretamente: E se tivesse (dinheiro, por exemplo), o que faria? Claro que também alerta para os quatro tipos de empreendedor, como um aviso à navegação: o empreendAutor, o empreendedor, o empresário e o EWD (o que deambula por eventos 2.0).  E deixou alguns pequenos conselhos para o final (“é por isso que sou um ‘coucher’) como recordar que o networking  é mais working do que net e que consiste não só em trocar contatos, mas também em “aprender com os bons”.

América Latina, educação e alguns conselhos

Também houve momentos para falar da América Latina. Bob Wollheim (@BobWollheim), o fundador do mais importante festival de cultura de Internet no Brasil, o YouPix, que perante a euforia de investimento no Brasil, recorda que o país cresce, mas que “nem tudo é tão maravilhoso” como lemos. E sugere procurar um parceiro local: “Não seja um colonialista estúpido”. José Marín, diretor e cofundador da IG Expansión, que explicou como a sua equipa decide os investimentos, também apelou à prudência. “Quem investe na América Latina tem que ter paciência com o retorno”.

A educação também foi muito focada. “O que estamos fazendo mal?”, se perguntavam na mesa redonda. Houve reflexões interessantes, mais para além do acordo comum de que as tecnologias são uma ferramenta para melhorar e personalizar a educação. Miguel Barrero, diretor geral de negócios digitais da Santillana, lançava uma pergunta: “Temos oferecido aos professores propostas operacionais?” E aposta na formação dos professores pela liderança e talento, indo mais além da tão falada inclusão digital.

Também se destacou a bateria de conselhos práticos de Daniel Rabinovich (@drabinovich), o CTO da Mercado Libre. Receitas de senso comum que convém recordar na hora de desenhar um sítio. Rabinovich o apresenta como uma exercício envolvendo todos os departamentos, desde o financeiro ao marketing, porque “a simplificação de um site é um exercício global”. E não perder de vista coisas como partir sempre daquilo que funciona e que é simples. “É mais fácil adicionar do que remover”. Desenvolver em nativo, porque ainda que seja mais caro, “esse problema não é do usuário”, deixar entrar em jogo terceiros para melhorar o serviço. Colocar em foco o viral e não o confundir com o social é outras das chaves, e recorda que ainda que a recomendação no Facebook seja importante, o negócio é feito no Google. Ah, e fique de olho no html5, “é o futuro, mas não é o presente “.

Não perca o resumo do evento que aparece nas páginas de Tecnologia do El País.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

MENU
Leer entrada anterior
O grafeno, a flexibilidade transformada em tela

Segundo a Wikipédia, o grafeno é uma alotropia do carbono. Esta alotropia consiste numa estrutura hexagonal plana constituída por átomos...

Cerrar