One Laptop Per Child, um projeto revolucionário

Nos tempos que correm, ninguém duvida das vantagens inerentes à (boa) utilização das novas tecnologias a nível da educação. Contudo, nos países menos favorecidos, a maioria das crianças raramente (ou nunca) tem acesso a equipamento informático.

A Fundação One Laptop Per Child (OLPC) foi criada no fim de 2005 para tentar melhorar esta situação. O fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Nicholas Negroponte, apresentou a OLPC no Fórum Económico Mundial realizado em Davos (Suíça), em 2006. A missão desta organização sem fins lucrativos era, e continua a ser, reduzir o fosso digital nos países pobres, proporcionando a cada criança um computador portátil de baixo custo: menos de 100 dólares, segundo as estimativas iniciais.

Em 2007, lançaram o computador XO. “A primeira versão do computador portátil da OLPC concebido a pensar nas crianças, o XO, foi uma revolução nos equipamentos informáticos de baixo custo e baixo consumo. O XO já foi distribuído por mais de 1,4 milhões de crianças em 35 países e em 25 línguas”, explicou Negroponte no final de 2009.

“Para cumprir a nossa missão de chegar a 500 milhões de crianças em todos os cantos remotos do planeta, a OLPC continuará a inovar na conceção e no rendimento dos computadores. Uma vez que somos uma organização sem fins lucrativos, esperamos que a indústria siga o nosso exemplo”, acrescentou o impulsionador do projeto em alusão à vaga de netbooks (miniportáteis) que inundou o mercado após o aparecimento dos computadores da fundação.

Proyecto OLPC en una escuela de Caacupe, Paraguay

Êxito relativo

O Uruguai foi o primeiro país a apostar na OLPC, através do Plano Ceibal. Em 2007, o governo deste país da América Latina encomendou as primeiras 100 000 unidades do XO para os seus estudantes entre os 6 e os 12 anos.

Atualmente, mais de 1,7 milhões de alunos e professores da América Latina fazem parte do projeto, aos quais se acrescentam 400 000 em África e no resto do mundo.

Infelizmente, os números alcançados estão ainda muito longe dos objetivos iniciais, devido aos vários contratempos com que o projeto se deparou, como a saída de algumas das empresas envolvidas (a Intel, entre outras) ou a concorrência do setor privado. Mesmo assim, a fundação continua o seu trabalho.

(Clique na imagem para ficar a par dos dados do projetos através de um mapa interativo)

Fonte de inspiração

A consequência mais importante do projeto impulsionado por Negroponte é, provavelmente, o facto de ter servido de inspiração para outras iniciativas semelhantes, ainda que promovidas por entidades públicas.

A Índia, por exemplo, apresentou recentemente o tablet mais barato do mundo, o Aakash, cujo preço de mercado é de 26 euros. Porém, 100 000 estudantes receberão o tablet gratuitamente, ainda este ano.

“Os ricos têm acesso ao mundo digital; os pobres e os cidadãos comuns têm sido excluídos. O Aakash [“céu” em hindi] acabará com o fosso digital”, declarou Kapil Sibal, responsável máximo do Ministério das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação indiano, organismo que tenciona distribuir 10 milhões de unidades deste tablet.

A Venezuela e a Argentina estão também a implementar projetos parecidos. Em ambos os casos, as entidades públicas envolvidas esperam chegar aos três milhões de equipamentos distribuídos antes do final de 2012.

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