Spartanbits: Gostamos de fazer as pessoas mais felizes

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Desde o seu escritório na Gran Vía de Madrid, os rapazes da Spartanbits triunfam na sua batalha particular das Termópilas digitais. A sua aplicação Go!Chat for Facebook já atingiu os 13 milhões de downloads. A sua filosofia não dá muita importância à questão do financiamento ou monetização, e centra-se mais nas necessidades do usuário, medindo as suas emoções e criando um produto de qualidade, que foi capaz de superar até o chat oficial do Facebook.

As 10 respostas de:

Spartanbits

P – Como definiriam a Spartanbits? Porque escolheram esse nome?

A Spartanbits é uma empresa que tem como principal objetivo fazer as pessoas mais felizes, melhorar o seu dia-a-dia, dando a isso prioridade sobre a busca de benefícios econômicos que domina o mundo atualmente. A Spartanbits é criatividade, tecnologia e emoções. Os celulares nos acompanham para todo o lado e oferecem uma multitude possibilidades, pelo que centramos os nossos esforços no desenvolvimento de aplicações parar smartphones e tablets.

O nome da empresa tem uma origem um pouco peculiar. Na faculdade, um grupo de colegas que incluía Luis Santos desenvolvia aplicações sob o nome Spartancoders (pelo seu gosto pelo videogame Halo, da XBOX). Pouco depois, Elena Pérez e Luis Santos começaram fazendo aplicações por sua conta, e mais tarde procuraram um nome diferente. Mantiveram parte do anterior (Spartan) e acrescentaram um dos termos básicos da informática (bits). Soava bem!

P – A vossa app Go!Chat for Facebook foi descarregada mais de 13 milhões de vezes em todo o mundo, e segundo The App Date é a app espanhola mais procurada para Android. Gostam de ser considerados inovadores, empreendedores, ou triunfadores? Como é isso de passar a fazer apps por hobby e faturar com elas no dia seguinte?

Na realidade, nos consideramos afortunados, por ter a possibilidade de trabalhar naquilo que nos apaixona, sem necessidade de financiamento externo de nenhum tipo, o que dá rédea solta à nossa imaginação e criatividade. Ultimamente se fala demasiado de investimento, startups, e de crescimento rápido e exponencial, mas não se menciona que por vezes é possível prescindir da figura do investidor, com todas as vantagens que isso implica.

Houve um período de tempo muito curto desde que começamos a fazer aplicações por hobby até que começamos cobrando por elas, as lojas de aplicações derrubaram muitas barreiras de entrada para iniciar um negócio, mas o ponto de viragem foi o momento em que faturávamos o suficiente para nos podermos dedicar a tempo inteiro a isso. Parecia algo impossível e ao mesmo tempo maravilhoso, ganhar a vida com algo que faríamos de graça.

Agora tudo mudou bastante, ao começar construindo uma equipe que vai crescendo continuamente a forma de trabalhar é diferente, há que ser mais profissional, e há uma maior responsabilidade a cada decisão tomada.

P – Estamos numa época de triunfos para programadores espanhóis. Como analisariam o panorama nacional atual, estamos no caminho certo para continuar somando êxitos face ao domínio dos técnicos norte-americanos ou asiáticos?

Na nossa opinião, não devemos nada aos engenheiros de outros países do mundo. O que é necessário é acreditarmos, perder esse complexo de inferioridade tão espanhol. Mas, para colher êxitos ao nível dos que surgem nos Estados Unidos, também faz falta uma rede de investidores disposta a investir quantias comparáveis às de lá. Talvez a crise do tijolo seja uma boa oportunidade para mudar isso.

P – Para além disso, têm o vosso escritório no centro de Madrid, parece algo excecional, normalmente as empresas tecnológicas se situam nos Estados Unidos ou na Ásia. Se pode ser inovador em casa, ou é necessário nos mudarmos para as cidades tecnológicas norte-americanas como Palo Alto para sermos levados mais a sério?

Se aprendemos algo nestes dois anos, é que para o usuário, tanto faz onde foi feita a aplicação que utiliza. O importante é fazer um bom produto, dar um bom apoio, e nos preocuparmos em levar algo de positivo para a sua vida. Se para descolar, o seu negócio precisa de um forte investimento, isso já é outra história. E pelo que vimos em nosso redor, parece que o fato de estar nos Estados Unidos é uma vantagem considerável.

P – O que podem recomendar a outros programadores que estão começando? Qual é o segredo da fórmula para acertar no produto neste mundo de mercados virtuais? O que oferecem ao usuário que outros não oferecem? E sobretudo, o que se deve fazer para que o cliente regresse?

A nossa melhor recomendação é que não deixem de tentar, é muito difícil acertar à primeira. Não acreditamos que haja uma fórmula secreta para fazer um produto excelente, isso requer trabalho e uma boa equipe de pessoas. O resto é estar no lugar certo, no momento certo.

No nosso caso, o que nos distingue é que tentamos desenvolver o melhor produto para o usuário, e não o que mais benefícios nos traz. Desde a posição dos banners de publicidade ao tempo que dedicamos a uma animação até que seja completamente fluída, tudo é feito para oferecer a melhor experiência possível ao usuário, ainda que isso implique menos rendimentos ou maiores gastos de desenvolvimento.

Por outro lado, ter uma boa equipe de desenhadores é essencial. Porque entendem melhor as pessoas e, ao fim e ao cabo, fazemos aplicações para seres humanos. As emoções desempenham um papel muito importante, especialmente quando se trata de algo que nos acompanha sempre nos nossos bolsos.

P – Os comportamentos dos mercados e o seu impacto nos usuários obrigam a reformular constantemente os modelos de negócio. Nesse sentido, o que é mais rentável? O cliente habituado a pagar por uma app, ou os rendimentos por publicidade nas apps gratuitas?

É a pergunta milionária. Temos aprendido que não há uma única resposta a essa pregunta, cada aplicação é diferente e tem o seu próprio modelo de negócio. Por exemplo, no caso das aplicações de mensagens instantâneas (como a Go!Chat), o modelo de negócio por publicidade é muito eficaz, já que os usuários passam muito tempo diante da aplicação, e olhando para a tela esperando uma resposta, ou que algum amigo se conecte.

Brevemente, vamos experimentar o modelo de compras dentro da aplicação, já que acreditamos que tem um grande potencial se o usuário se sentir satisfeito e cômodo quando a utiliza.

P – Até agora, só apresentaram produtos para sistemas Android. Preferem essa plataforma à da Apple por algum motivo? Neste período de “Guerra dos Tronos Tecnológicos”, é melhor optar apenas por um lado ou ser neutro? E podem adiantar que outros projetos de aplicações estão desenvolvendo nesse momento?

O principal motivo por que escolhemos o Android, num primeiro momento, era que havia uma grande necessidade de aplicações que proporcionassem uma boa experiência ao usuário. Tinha um vazio muito grande no mercado, e decidimos preenchê-lo.

Atualmente estamos desenvolvendo a versão de Go!Chat for Facebook para iPhone, e estamos redesenhando completamente a versão Android. Acreditamos que serão bem recebidas.

Mais tarde, queremos que o Go!Chat dê o salto para os tablets. Mas este é apenas o começo da Spartanbits, estamos sempre trabalhando em novos projetos, e acreditamos que o futuro da tecnologia móvel será muito emocionante.

P – Gostaríamos agora que nos contassem os vossos segredos digitais. Qual foi a vossa última compra online? E o vosso último capricho digital? E-book e/ou livro impresso?

A nossa última compra online foram dois Macbook Pro com tela Retina que irão para as mãos dos desenhadores que serão contratados nas próximas semanas. Quanto a caprichos digitais, ter Spotify no escritório já é algo imprescindível para nós, adoramos música!

Sobre livros, por agora temos lido em papel, especialmente os livros de consulta. Mas brevemente compraremos um par de Kindles para ter nossa própria biblioteca digital no escritório.

P – Qual é a aplicação que mais utilizam nos vossos smartphones? Nos recomendam alguma?

O Instagram é bastante popular entre os Spartans. Mas recomendamos instalar o Go!Chat na sua versão de iPhone quando sair na AppStore, vai surpreender muita gente. Falando a sério, recomendamos Whale Trail para iPhone, um jogo de sonho criado por um estúdio inglês pelo qual temos muito carinho, o ustwo.

P – Têm quase 14.000 seguidores no Facebook. O preferem ao Twitter? O que pensam das redes sociais? Imaginam um dia sem entrar nelas?

… e os 350.000 do Go!Chat!

Cremos que o Facebook é muito mais potente para estabelecer uma relação mais pessoal com os usuários, para além de ser mais visual. Por isso, os nossos esforços até agora se centraram mais nessa rede. Para procurar e contratar novos profissionais, o Linkedin é uma arma poderosa, especialmente quando queremos criar uma equipe com um talento excecional.

Na nossa opinião, as redes sociais são uma ferramenta muito interessante, se forem bem utilizadas. A mudança foi muito repentina, e temos de nos adaptar. E isso está apenas começando!

Um dia sem Facebook e, sobretudo, sem Twitter, não é um dia completo. Há muita informação interessante e muito que aprender todos os dias: é viciante. Mas, por vezes, é bom nos desligarmos e regressar ao mundo não-digital.

P – Nos seguem?

Claro!

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

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