Tv mudança de paradigma

Mobile Phone and Tablet PC as Mobile TV

Bazzinga!

Conseguimos decifrar o código de consumo da nova televisão.

Após dois anos de investigação no YOMVI começamos a ver padrões coerentes de comportamento que definem uma nova maneira de ver televisão. A confirmarem-se estas primeiras suposições, poderemos estar perante uma mudança na maneira de entender a televisão em relação ao que conhecemos nos seus primeiros 50 anos de vida. E quem sabe? Também podemos estar perante um possível reordenamento da narrativa. Se disséssemos que a melhor ficção contemporânea cavalgava nos seriados de tevê abandonado o seu papel, uma mudança nos formatos poderia trazer repercussões com um alto interesse.

Mas não nos precipitemos. Vamos tentar reconstituir o mapa do consumo televisivo com esta ilustração realizada com mais de 20 milhões de dados que o YOMVI acumulou no último ano:

Mapa VOD

  • A primeira coisa que advertimos é que a televisão não é coisa apenas de uma tela gigante. Antes pelo contrário, a julgar pelo número de dispositivos conectados, ganham de longe os novos ambientes de consumo caracterizados por uma só coisa: estão mais perto do usuário. Ou melhor dizendo, são ambientes pessoais. O mais antigo desta nova tribo assumiu essa denominação, “computador pessoal”, e os novos tablets e smartphones são inquestionavelmente dispositivos individuais. De fato, se acede às suas aplicações depois de passar o limiar de nossas fotos, de nossos códigos de bloqueio para chegar a nossas aplicações. A televisão deixou de ser coletiva e anônima para ser pessoal e própria. Como as latas de Coca-Cola. A minha, tem o meu nome. É a minha tevê.
  • A segunda coisa é a taxa de atividade. Nas telas grandes, as que estão na sala, a taxa de atividade é maior que no resto, talvez por ser a soma do uso dos diferentes membro do lar. Nas personagens, a sequência é relevante: quanto mais perto a tela está do usuário, mais elevada é a atividade.
  • Terceiro aspeto crítico: o tempo médio de consumo por sessão é proporcional ao tamanho da tela. Uma sessão na tela grande tem uma média de 60 minutos. Uma sessão na tela do smartphone é de 16 minutos. Este padrão já era conhecido: no cinema estamos entre 90 a 120 minutos uma vez por semana. Na tevê, estamos todas as noites em formatos de 52 minutos (duração do formato rei – o seriado).
  • Quarto. Este é o meu preferido. A curva do uso ao longo do dia é diferente segundo os dispositivos. Na tela grande, dois prime time, o primeiro por volta das 3 da tarde e o segundo, às 9 da noite, como na televisão em canal aberto. Este padrão se modifica nos novos dispositivos. No computador pessoal, o consumo mais relevante é o da tarde, provavelmente é o consumo feito pelos adolescentes. No iPAD vemos como se iniciam sessões mais cedo, mesmo desde as 5 da manhã; nos celulares o padrão é contínuo, não existem momentos destacados de consumo. Está sempre a ser usado. Se apagou o consumo de encontros ou algo pontual.

Estas quatro referências marcam uma evidência inquestionável: o padrão de consumo televisivo nos dispositivos pessoais é diferente daquele que conhecíamos até agora. Estamos perante o que poderíamos chamar de TV CONTÍNUA porque a sua característica principal é que os encontros televisivos foram substituídos pela disponibilidade permanente dos conteúdos. Com esta mudança, entramos em novas práticas e estratégias de programação de conteúdos: entregas massivas de conteúdos para que o usuário as administre a seu gosto: temporadas completas de seriados são administradas de uma vez só e provocam o que se denomina de BINGE VIEWING ou “atração” de consumo, visionar vários capítulos de uma só vez.

Passamos da “era do zapping” para a “era do Binge”. A tevê aposenta o comando à distância com o qual se fazia o zapping, com o qual se falava entre encontros de conteúdos que diferentes programadores desenharam para suas audiências, para se converter num repositório ao qual se comparece auto dosificando-se.
Passamos da televisão do programador para a televisão do usuário.

E isto é uma mudança de paradigma na televisão.

Pablo Romero Sullà
Diretor de Conteúdos YOMVI
@romerosullalevitra

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