Twitter, o #15m ou como fazer jornalismo em 140 carateres

14052012

Os XXIX Prémios de Jornalismo Ortega y Gasset distinguiram este ano Carmela Ríos na categoria de Jornalismo Digital pela sua cobertura do início do movimento 15M através do Twitter. O seu trabalho foi considerado pelo júri como “um exemplo para as novas gerações de jornalistas”. Carmela Ríos, que recebe hoje o galardão, nos conta neste post como começou a experiência que lhe valeu este prémio.

 

Twitter, o #15m ou como fazer jornalismo em 140 carateres

 

A cobertura em direto do movimento do #15m através do Twitter nasceu graças à conjugação de várias circunstâncias. Como, por exemplo, viver neste momento do século XXI, quando milhões de pessoas, entre as quais eu me incluo, utilizam o telefone celular quase como uma terceira mão. Também tinha uma certa experiência na utilização das redes sociais, o critério jornalístico próprio de quem conta com vinte anos de carreira e muito interesse na evolução dos movimentos de protesto civil como os que tive oportunidade de acompanhar em França, onde trabalhei como correspondente para as cadeias de televisão Antena 3 TV e CNN+. E, mais importante do que tudo, tinha uma notícia para relatar.

Estas foram as minhas ferramentas. No dia 7 de abril de 2011, compareci na primeira manifestação convocada pelo grupo Juventude Sem Futuro. Foi uma marcha concorrida, salpicada de cartazes com mensagens cheias de saturação e determinação. Era uma notícia e eu não tive de pensar em nada. Só tive de responder ao impulso que toma conta dos jornalistas quando estão perante uma boa história. E aquela era uma boa história.

Fotografei e publiquei na minha conta do Twitter dezenas daquelas mensagens com a ajuda do meu Blackberry (um Bold 9700), completando a informação com manchetes de 140 carateres. Aquela marcha de jovens descontentes saiu do itinerário planeado e acabou cortando o Paseo de la Castellana, em Madrid. Era já de noite.

À marcha do dia 7 de abril se seguiu a manifestação que, no dia 15 de maio, um domingo, colocou o movimento na ribalta. Desde esse dia, alternei dois relatos: as crónicas e os diretos a partir da Puerta del Sol para os noticiários da Cuatro TV  com a cobertura no Twitter. Esta última requeria uma presença constante e, por isso, aproveitei os meus tempos livres e dias de folga.

O Twitter se tornou um suporte de difusão imediata mas também uma valiosa ferramenta para obter informação, verificar fontes e manter uma relação direta e próxima com muitas das pessoas que começaram a seguir os meus relatos naqueles dias. A gratidão que me mostravam por ser os “seus olhos” na Puerta del Sol continua a ser uma das recordações mais queridas daqueles dias. Ficou também a convicção de que, graças a redes sociais como o Twitter, o jornalismo entrou numa nova era.

 

Carmela Ríos
Jornalista de Noticias Cuatro. Prémio de Jornalismo Digital Ortega y Gasset 2012.

 

Mais sobre Carmela Ríos:

En Twitter: @CarmelaRios
En su blog: carmelarios.com
Especial El País: Carmela Ríos, narracion del 15M. Premios Ortega y Gasset 2012.
En la Página oficial de los Premios Ortega y Gasset

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