Os viajantes urbanos: os melhores guias da Rede

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Quem não gostaria de ter um amigo em cada destino? Um guia cúmplice e próximo que lhe diga qual é o único restaurante tailandês com uma estrela Michelin do mundo, em Norrebro, o bairro da moda de Copenhague; que o guie pelo mercado mais louco de Banguecoque, instalado sobre os carros de um trem ativo; que o leve a um bar de Buenos Aires onde se mantém a essência original do tango argentino ou que o faça sentir-se como o próprio Don Draper num roteiro ‘Mad Men’ por Nova Iorque. Em suma, conhecer em primeira mão os programas mais autênticos e os roteiros secretos em 115 cidades de todo o mundo graças a uma extensa rede de guias urbanos presentes em 54 cidades dos cinco continentes, os Viajeros Urbanos de El Viajero, a revista de viagens do El País que se publica todas as sextas-feiras.

Este mapa global em constante expansão, que pode ser encontrado na página de El Viajero, é elaborado por jornalistas e colaboradores habituais do El País, mas não só. Entre os 160 guias urbanos de El Viajero, encontramos poetisas e cientistas políticos, arquitetas e biólogos, professores universitários, tradutores e criativos publicitários. Profissionais que vivem nas cidades sobre as quais escrevem e que partilham conosco os seus lugares prediletos para a recreação e a cultura. O que na língua inglesa se conhece como insider tips, dicas de quem está por dento, fornecidas pelos residentes. Um olhar multidisciplinar sobre o mundo que, além de oferecer as últimas tendências urbanas em Berlim, na Cidade do México, Xangai ou Sydney, revela passeios arquitetônicos pelos bairros de Barcelona, entre edifícios com estilo e praças pentadecagonais, ou regiões naturais praticamente intocadas ao norte da ilha de Sumatra, onde podemos ver tigres e orangotangos. Dicas únicas, como os bares onde o punk continua vivo na vibrante Melbourne, uma ‘rave’ silenciosa (se ouve com headphones) em Panaji, capital do estado indiano de Goa, ou um dos museus mais curiosos, localizado na margem oeste do rio Hudson, em Nova Jérsia: o Silverball Museum, dedicado ao ‘pinball’ ou ‘flipper’ que conhecemos desde sempre.

Silverball_Museum

Máquinas de pinball en el Silvervall Museum de Nueva Jersey. Foto: El Viajero.

A rede de Viajeros Urbanos, coordenada a partir de Madrid pelo jornalista Jordi Pastor, nasceu em 2012 com as propostas de 70 viajantes residentes em 60 cidades espalhadas pelo mundo. Quase três anos depois, ela se expandiu até duplicar o número de guias e de cidades, cegando a urbes tão remotas como Camberra, na Austrália, ou Maputo, a capital de Moçambique e a mais recente novidade deste mapa mundi para viajantes. Mas cresceu sobretudo em Espanha, onde atualmente abarca três dezenas de cidades com propostas tão surpreendentes como um cinema drive-in dos anos cinquenta em Gijón (um cinema para ver filmes sem sair do carro); o primeiro restaurante panorâmico e giratório de Espanha, a partir do qual se pode contemplar Granada em 360 graus, ou os novos mercados centrais de Madrid, reconvertidos em espaços dedicados às últimas tendências da moda, do lazer, do artesanato e, claro está, da gastronomia.

Elviajero

A tendência foodie é importante e global, Passamos de tomar um aperitivo num bar de Sevilha fundado em 1670 a uma lista de cinco restaurantes para não ficarmos na mão (e sem comer) quando a cidade de Jerusalém fica paralisada pelo Shabat. Também ficamos conhecendo os melhores foodtrucks (rolotes de comida) de Boston e a saber onde se encontram a qualquer momento, através de uma aplicação no nosso dispositivo móvel, ou mergulhamos na vida noturna de Madrid mais cool e obscura com uma rota pelos melhores bares de coquetéis da capital espanhola. A variedade das propostas é inesgotável. Simples e exóticas, como passar um dia assistindo a combates de sumo em Tóquio, mas também inquietantes, como visitar alguns dos lugares mais inacessíveis do planeta. Foi o que experienciou José Miguel Roncero ao passar pela sala de descontaminação da central nuclear de Zwentendorf, perto de Viena, depois de andar pelo interior do seu reator (uma sensação de alívio, mesmo quando nenhum dos 10.000 visitantes que percorrem o interior da central todos os anos corre o menor risco de ser sujeito à radiação: a central nuclear nunca chegou a entrar em funcionamento).

Reactor nuclear de Zwentendorf

Uno de los accesos a la vasija del reactor nuclear de Zwentendorf. Foto: El Viajero

Entre as novidades dos nossos guias, se incluem também listas úteis para o viajante, como os melhores lugares para contemplar o mítico perfil arquitetônico de Manhattan, em Nova Iorque; as pastelarias que criam com mestria em Paris os doces delicatessen por excelência, os macarons, ou as melhores praias nas redondezas de Lisboa. Mas predominam os planos inesperados, descobertos por aqueles que não deixam de viajar pelas cidades onde moram. Só assim podemos dar com um pub instalado nuns antigos banhos públicos (e subterrâneos) e Londres; ou traçar uma rota turística pelo combativo bairro de Gamonal, em Burgos; ou conhecer um hotel onde se pode fazer glamping – campismo com glamour – sem sair de Bruxelas, ou um restaurante berlinense onde somos obrigados a desligar o nosso celular e se apagam todas as luzes antes de nos sentarmos à mesa: no Unsicht-Bar, se utiliza todos os sentidos menos a visão para desfrutar da experiência.

Glamping en Bruselas

Hotel Vintaje en Bruselas, donde se puede hacer camping con glamour. Foto: El Viajero

E como os nossos guias urbanos também viajam, a oferta se expande para fora do ambiente urbano para percorrer em bicicleta a ilha de Taiwan; visitar aldeias remotas na ilha filipina de Luzón em busca dos Kalinga, os antigos caçadores de cabeças; passar uma semana no Parque Kruger a ver animais selvagens; realizar um dos roteiros de caminhada propostos pelo Parque Nacional de Timanfaya, na ilha de Lanzarote, ou se aventurar no alucinante Salar de Uyuni quando, na época das chuvas, se produz o fenômeno do white out, aquele momento em que o horizonte se desvanece ao ponto de não se conseguir distinguir o céu da terra.


Andres_Fernandez_Rubio

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Andrés Fernández Rubio
Jefe de sección de El Viajero

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